Vincent Miclet Empresário francês acusado de burlar mais de 400 milhões de dólares ao general Kopelipa

Vincent Miclet, um sócio francês nascido no Chade, mas que se mudou para Angola desde 1990, terá, em forma faseada, burlado cerca de 400 milhões de dólares americanos ao general Manuel Hélder Vieira Dias “Kopelipa”, enquanto gestor de duas empresas ligadas ao ex-chefe da casa Militar da Presidência de Angola.

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Lilp/CK

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A história começa quando em 2010/2011, o governo angolano encerrou o Grupo Arosfran expulsando os seus donos, neste caso, os irmãos libaneses Ali Tajideen e Husayn Tajideen que estavam a ser acusados de usar os seus negócios para financiar o grupo terrorista Hezbollah.

Com a expulsão dos dois irmãos libaneses, um grupo de generais do circulo da confiança do então Presidente José Eduardo dos Santos – ajudado pelo seu então advogado Rui Constantino da Cruz Ferreira – ficou com os ativos da extinta Arosfran, e a rebatizou, com a designação de Nova Distribuidora Alimentar e Diversos (NDAD).

Tendo em conta que os generais da presidência não podiam aparecer, a NDAD foi registrada no 13 de Abril de 2011, em nome da lusa-angolana Adélia de Lassalete Bandeira e do empresário francês Vincent Miclet, que foi apresentado ao general “Kopelipa”, pelo antigo responsável da logística da Casa Militar, general Afonso Lopes Teixeira «Led».

Para além da gestão da NDAD, o empresário francês Vincent Miclet foi também indicado para gerir a empresa 5M, entre o período de 2010 a 2012, também ligada aos generais da presidência.

Naquela altura, só a NDAD tinha lucros diários equivalente a 5 milhões de dólares. Foi durante este período (2010/2012) que Vincent Miclet foi realizando transferências para fora do país, que se totalizaram em cerca de 400 milhões de dólares.

De acordo com explicações, respeitante aos métodos de roubo, o empresário Vincent Miclet ao aperceber-se que o general “Kopelipa” detinha uma empresa de nome PointPark Trade (registrada em nome da sua esposa Luísa Geovetti numa offshore no Panamá), decidiu registrar nas ilhas britânicas, uma outra offshore idêntica, em seu nome pessoal, de nome “PointPark Finance, limitada”, (registro 1543253) com conta bancaria no Banco Espirito Santos, sucursal Financeira Madeira.

A partir das contas das empresas dos generais em Luanda, o empresário transferia para a conta da sua PointPark Finance, domiciliada no Banco Espirito Santos, sucursal Financeira Madeira, e dai realizava outra transferência para o Iban IBANCH46087620021805B000C, da sua empresa Taycast Investiments S.A, registrada no Panamá.

O BNA não questionava nem pedia esclarecimentos destas transferências para a “PointPark Finance”, porque julgava que fossem para a “PointPark Trade” do general “Kopelipa”.

No seguimento de desinteligências, os sócios angolanos (Kopelipa e amigos) levantaram suspeitas de que o empresário francês estaria a gerir as duas empresas de modo incorrecto e o despediram acusando-o de “má prestação de contas”.

Para tirar a limpo, e já com Vincent Miclet fora de Angola, os sócios solicitaram a consultora Delloite para fazer uma auditoria as contas das duas empresas que estiveram sob gestão do empresário francês. A Delloite não só confirmou os desvios como apresentou registros de transferências de fundos que Miclet desviava das contas da NDAD para uma outra empresa sua ANGODIS – Angola Distribuição, Limitada,

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