Treze passageiros saídos de Luanda com testes positivos chegaram em São-Tomé

o Governo angolano assegurou em comunicado que “toda a informação relativa aos resultados (negativos e positivos) foi passada à Embaixada de São Tomé em Angola, com proibição de saída dos 7 infectados, que aguardariam pela orientação específica da Equipa de Resposta Rápida”. “Hoje, a realidade demonstra que esta orientação não foi observada e estando neste momento instaurado um processo de averiguação junto às autoridades implicadas”.

Jonas Pensador

Repórter Angola com Lusa

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Em declarações aos jornalistas, Edgar Neves Ministro  Santomense de Saúde,  anunciou que esses seis cidadãos infectados somam-se aos outros sete que regressaram ao país já com testes de covid-19 positivos, perfazendo um total de 13 passageiros infectados com o novo coronavírus que regressaram de Luanda, num voo humanitário, na semana passada.

A este número soma-se mais um caso novo registado na sexta-feira, aumentando as infecções acumuladas para 928.

“Um pouco antes de chegarem ao país, nós tivemos conhecimento de que provavelmente haveria pessoas com testes positivos ou eventualmente sem testes”, disse Edgar Neves, para justificar como foi possível embarcarem passageiros com testes positivos.

O governante não explicou a fonte da informação de que no voo da companhia aérea angolana TAAG viajavam para São Tomé passageiros infectados com a doença, justificando apenas: “perante isto, decidimos mesmo assim acolhêlos e como mandam as regras, submetêlos a testes rápidos”.

Edgar Neves disse que se trata de 49 passageiros, um dos quais uma criança, que regressaram no voo humanitário que fez Luanda/São Tomé.

Desses 49 passageiros que regressaram ao país na quarta-feira, 48 passaram por testes rápidos no aeroporto, mas no sábado foram submetidos a testes PCR (de laboratório).

“Fizemos inicialmente testes rápidos, mas importava fazer os testes laboratoriais e fizemolos dois dias depois”, indicou.

De acordo com o ministro, todos os cidadãos que regressaram de Luanda com testes positivos foram colocados no hospital de campanha, apesar de estarem assintomáticos. Os restante 42 passageiros foram distribuídos por quatro unidades hoteleiras na capital.

De acordo com o ministro da Saúde, as autoridades sanitárias fizeram testes a estes 42 passageiros, seis dos quais deram positivos.

“Os passageiros com testes negativos foram libertos, uns ontem [sábado], outros hoje”, disse Edgar Neves, referindo que aos que testaram positivos “foi dada a opção de escolha”.

O governante sublinhou que um grupo de passageiros escolheu permanecer nos hotéis “por falta de condições em casa para fazer uma quarentena e controlo domiciliar seguro”, sendo que outro grupo “foi para suas casas mesmo com PCR positivo e sob vigilância apertada”.

“É este cenário que nós temos neste momento, ou seja, nós totalizamos neste processo entre os que vieram com os testes positivos mais os que nós detetamos aqui [em São Tomé] um total de 14 casos e isto obriga-nos a redobrar os nossos trabalhos de vigilância para tentarmos conseguir manter a situação sob total controlo”, assegurou Edgar Neves.

Resposta do Governo angolano

O Governo angolano anunciou ontem que vai instaurar um processo de averiguação junto das entidades envolvidas no caso dos passageiros que viajaram num voo humanitário para São Tomé e Príncipe, apesar de estarem infectados com covid-19.

“Na lógica da reciprocidade diplomática entre os dois países, o Ministério da Saúde, através do Instituto Nacional de Investigação em Saúde, realizou a testagem de Biologia Molecular aos passageiros [do voo humanitário da TAAG, companhia aérea angolana], tendo concluído com sete positivos”, lê-se no comunicado emitido hoje pelo ministério angolano.

Nessa nota, o Governo angolano assegura que “toda a informação relativa aos resultados (negativos e positivos) foi passada à Embaixada de São Tomé em Angola, com proibição de saída dos 7 infectados, que aguardariam pela orientação específica da Equipa de Resposta Rápida”.

“Hoje, a realidade demonstra que esta orientação não foi observada e estando neste momento instaurado um processo de averiguação junto às autoridades implicadas”, conclui o Ministério da Saúde de Angola, que afirma ter tido conhecimento da situação à chegada do voo a São Tomé e Príncipe pelos meios de comunicação social.

O Ministério da Saúde esclarece “a opinião pública nacional e internacional que à luz das medidas de restrição no âmbito do controlo e da prevenção da covid-19, ninguém sai nem chega a Angola sem o teste negativo de SARSCoV-2 na base de RT-PCR, e esta orientação é de cumprimento obrigatório no Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, em Luanda”.

Em África, há 38.198 mortos confirmados em mais de 1,5 milhões de infetados em 55 países, segundo as estatísticas mais recentes sobre a pandemia naquele continente.

Entre os países africanos que têm o português como língua oficial, Angola lidera em número de mortos e Moçambique em número de casos. Angola regista 218 mortos e 6.246 casos, seguindo-se a Guiné Equatorial (83 mortos e 5.062 casos), Moçambique (71 mortos e 10.001 casos), Cabo Verde (75 mortos e 7.072 casos), Guiné-Bissau (40 mortos e 2.385 casos) e São Tomé e Príncipe (15 mortos e 928 casos).

O Brasil é o país lusófono mais afetado pela pandemia e um dos mais atingidos no mundo, ao contabilizar o segundo número de mortos (mais de cinco milhões e oitenta e dois mil de casos e 150.198 óbitos), depois dos Estados Unidos.

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