Silvia Lutucuta irresponsável: Sputnik-V “voa” em 24 horas

Silvia Lutucuta não serva para o cargo de Ministra da Saúde.

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Correio Angolense

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O Presidente da República precisa de decidir se quer um ministra da Saúde ou uma “moambeira” sem compromisso com a palavra.

O enfrentamento da Covid-21 já começou com uma grande trapalhada: os primeiros aviões alugados à Ethiopian Airlines para transportar, a partir da China, equipamento de biossegurança, chegaram ao país carregados de “moamba”.

Embaraçado com a situação, o próprio Presidente da República ordenou o imediato cancelamento do acordo com a companhia aérea etíope e a instauração de um inquérito para apurar a titularidade da “moamba”.

A sindicância foi aberta em Maio de 2020 e mais de um ano depois a ninguém foi imputada a carga.

 

 

 

Como muitos outros, também esse inquérito foi arquivado.

 

 

 

Fontes familiarizadas com o assunto dizem que o arquivamento da sindicância se deveu a envolvimento directo de Pedro Sebastião, ao tempo coordenador da Comissão Multissectorial para a Covid-21, e da ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta. Ambos seriam os titulares da “moamba” transportada pela Ethiopian Airlines a custo zero.

 

 

 

Bastante ouvida, Sílvia Lutucuta convenceu o Presidente da República a autorizar a compra de 6 milhões de doses da vacina russa Sputnik V quase ao dobro do seu preço de mercado. Pelos 111 milhões de dólares que pagou, a dose da vacina custou a Angola 18,5 dólares, contra aproximadamente 10 anunciados pelo fabricante.

 

 

 

Apesar da dinheirama gasta, a vacina russa não chegou para as encomendas. O próprio Presidente da República teve de esperar mais de 2 meses para apanhar a segunda dose da vacina.

 

 

 

De acordo com o seu fabricante, a Sputnik V atinge 91,6% de eficácia contra a Covid-19 quando as suas duas doses são separadas por 21 dias.

 

 

 

De acordo com o próprio Ministério da Saúde a segunda dose da Sputinik começaria a ser administrada na sexta-feira, 16 de Julho.

 

 

 

As vacinas a administrar faziam parte de um lote de 25 mil doses doados pela empresa diamantífera russa Alrosa.

 

 

 

Empolgada com a doação russa e depois de haver vacinado o Presidente da República e sua esposa, a ministra da Saúde desencorajou correrias ao Complexo Turístico Paz Flor, onde estava a ser administrado o imunizante.

 

 

 

Segundo ela, os beneficiários da segunda dose da vacina seriam notificados por mensagem telefónica em função da ordem da data da primeira dose.

 

 

 

“Quem não for chamado não será vacinado no local. Em breve virão outras doses para continuarmos a dar o tratamento necessário aos cidadãos”, disse a ministra.

 

 

 

Depois da vacina ao Presidente da República, muitos cidadãos, apesar de não notificados, foram ao Paz Flor tentar a sorte.

 

 

 

Mas ao meio da tarde de quarta-feira, apenas 24 horas depois da vacinação ao Presidente da República, o stock de vacinas da Sputnik já estava esgotado.

 

 

 

Os enfermeiros e técnicos do Ministério da Saúde não souberam dizer aos interessados quando deverão regressar para a toma da segunda dose.

 

 

 

Na quarta-feira, 21, a “ministra da Covid” não foi ao Paz Flor para ela própria dizer, olhos nos olhos, aos cidadãos quando chegarão as próximas vacinas.

 

 

 

Num comunicado daquele mesmo dia, o Ministério da Saúde anunciou “já não dispor mais da componente 2 da Vacina Sputtnik”.

 

 

 

No entanto, “tranquiliza os utentes que devem tomar a segunda dose da referida vacina a aguardarem a convocatória pelos canais habituais”.

 

 

 

O descompasso do Ministério da Saúde denuncia uma precária planificação.

 

 

 

Apesar de toda a empáfia, Sílvia Lutucuta não deve ter a mais leve noção da quantidade de angolanos a imunizar com as diferentes vacinas. A ruptura das reservas em pleno ciclo vacinal põe em causa a eficácia das próprias vacinas.

Os diferentes fabricantes advertem que, se administradas a destempo, as vacinas perdem eficácia.

A caminho do segundo ano da pandemia, o comando do combate à Covid-19 tem de ser confiado a cidadãos sérios.

O Presidente da República tem de escolher entre a seriedade e a intrujice.

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