Polícia angolana dispersa e detém manifestantes contra propinas no ensino superior público

A polícia angolana dispersou sábado 17, com tiros e lançamento de gás lacrimogéneo uma manifestação de estudantes que protestavam em Luanda contra a subida de propinas e emolumentos nas instituições de ensino.

DR

DW

Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on print

Mais de 250 estudantes saíram este sábado 17, às ruas de Luanda para protestar contra o que chamam de “comercialização do ensino”. Em causa está o decreto presidencial que autoriza a cobrança de propinas no ensino superior público. A manifestação foi dispersada pela polícia e houve detenções.

“No fundo é por causa das propinas – estão muito altas. Há comercialização do ensino por parte das ministras da Educação, do Ensino Superior e das Finanças. Estamos a chamar atenção dessas pessoas para não comercializarem a educação”, disse à DW África Francisco Teixeira, o presidente do Movimento dos Estudantes Angolanos (MEA), sobre os objetivos do protesto.

Os estudantes pretendem, exatamente que “se revogue o decreto 124/20, que autoriza cobrança nas universidades, e que se baixe as propinas nas universidades privadas”, explica.

Presidente do CNJ vaiado

No local da concentração – o Largo das Heroínas – o presidente do Conselho Nacional da Juventude (CNJ), Isaías Kalunga, foi vaiado e expulso do local por supostamente não representar a juventude.

Mas Francisco Teixeira, presidente do MEA, reprova a atitude de alguns destes manifestantes. “Acho que é uma atitude errada. Nós temos que aprender a viver na diferença. Ele veio para atividade, é um jovem, é angolano, veio prestar a sua solidariedade para mim é muito normal. A atitude foi desnecessária”.

Durante a marcha, os manifestantes exibiam cartazes com dizeres como”não matem o sonho da juventude  estudar é um direito e polícia, por favor, não me batam [sic] não quero ser analfabeto”.

Pedro Dambi, licenciado em Sociologia foi um dos participantes. “Embora eu já seja licenciado, estou a dar o meu contributo para que as gerações vindouras não encontrem as mesmas dificuldades que eu passei”, disse.

PUB