Pastores da Igreja Universal começaram a ser julgados em Luanda

O julgamento de membros da Igreja Universal de Deus (IURD) arrancou esta quinta-feira (18.11), estando um dos arguidos ausentes, devido à expulsão do país pelas autoridades angolanas, fiéis em orações na marginal de Luanda, Tribunal sob forte aparato policial, enquanto Advogado David Mendes tentava esbofetear um dos réus, marcou o primeiro dia, esta sexta-feira continua a audição do primeiro réu.

NJ

Repórter Angola com NJ e Lusa

Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on print

Sob forte aparato Policial, defronte ao Tribunal Provincial de Luanda, a sessão foi aberta na manhã desta quinta-feira (18.11) e o juiz da causa, Tutti António, questionou a ausência de um dos cinco arguidos do processo, Rodrigo César Ferreira do Carmo, pastor brasileiro.

A defesa explicou que este se encontra ausente devido às expulsões realizadas pelas autoridades angolanas a um grupo de pastores e bispos brasileiros, convidado a abandonar o território nacional.

Dadas as circunstâncias, a acusação defendeu uma continuação do julgamento com a proposta de uma separação de culpa. Já a defesa defendeu a suspensão do julgamento, mas o tribunal acabou por decidir a favor da continuação do processo. Durante toda a manhã o tribunal tratou questões prévias.

Em Agosto do ano em curso, vários dirigentes e membros da IURD em Angola foram formalmente acusados de crimes de associação criminosa e branqueamento de capitais.

No arranque do julgamento, enquanto centenas de fiéis da igreja, cuja sede mundial está em São Paulo, Brasil, faziam orações na marginal da capital angolana, a polícia montou um forte aparato de segurança.

As questões prévias marcaram o primeiro dia da sessão de julgamento, cuja leitura da acusação e audição dos primeiros arguidos acontece esta sexta-feira. Mas também uma tentativa de agressão por parte do advogado David Mendes a um dos bispos, ficou como marca saliente deste primeiro dia no tribunal de um dos mais mediáticos casos nos últimos anos.

 

Centenas de fiéis ligados aos pastores brasileiros estiveram na Marginal de Luanda em oração, enquanto decorriam as questões prévias no Palácio Dona Ana Joaquina, que esta quinta-feira esteve sob forte vigilância de dezenas de efectivos da Polícia Nacional.

 

Antes do iniciou da sessão, o advogado David Mendes, da parte acusadora, tentou esbofetear o bispo brasileiro Honorilton Gonçalves, antigo responsável espiritual da IURD em Angola e Moçambique, quando este lhe dirigiu a palavra no gesto de saudação.

 

Ambos iniciaram uma discussão que mereceu a intervenção da polícia e dos oficiais de diligência do tribunal.

 

No final da audiência, o advogado David Mendes disse aos jornalistas que só não deu a bofetada porque o bispo brasileiro Honorilton Gonçalves escapou.

 

“Ele teve sorte de fugir, porque senão eu lhe dava uma bofetada”, afirmou o advogado, assegurando que só teve tal atitude porque o bispo brasileiro o terá chamado de criminoso.

 

O juiz principal, Tuti António, apelou à calma entre as partes e avisou que a questão da liderança da Igreja Universal do Reino de Deus em Angola não será assunto de discussão neste julgamento.

 

“Recomendo que não se envolvam em violência, controlem os ânimos”, apelou o juiz durante as questões prévias (assunto que as partes querem ver esclarecidas antes do iniciou do julgamento).

 

Esta sexta-feira,19, prossegue a sessão de discussão e julgamento com à leitura da acusação e audição dos primeiros arguidos.

A justiça angolana decidiu investigar a organização que pertence ao bispo brasileiro Edir Macedo, dono de um conglomerado de templos e editoras em todo o mundo e da rede de televisão Record, a segunda maior do Brasil, que também tem estações de televisão e de rádio em Cabo Verde e Moçambique, depois de denúncias feitas por pastores angolanos.

 

O Governo de Angola encerrou neste ano as emissões da TV Record no país.

 

As autoridades brasileiras tentaram evitar que a justiça continuasse com o caso, depois de os bispos e pastores terem sido praticamente afastados pelo grupo angolano.

 

Durante o tratamento destas questões foi abordado o episódio em que a acusação, encabeçada por David Mendes, comentador da TV Zimbo e deputado independente, após ter abandonado a UNITA, afirma ter sido atacada por um dos arguidos. O bispo brasileiro Honorilton Gonçalves foi chamado de “criminoso”, o que suscitou gargalhadas por parte da defesa e dos arguidos.

 

No julgamento ainda estão presentes quatro arguidos, dois brasileiros e dois angolanos, que decorreu em fase de “maratona de questões prévias”, como descreveu o juiz, até ao início da tarde, numa sala sem ar condicionado do Tribunal Provincial de Luanda.

São também arguidos no processo, o bispo António Miguel Ferraz, presidente da Direção da IURD (ala brasileira) e os pastores Belo Kifua Miguel e Fernandes Henriques Teixeira. Este último é o antigo responsável pelas TV Record Africa, cujas emissões estão suspensas em Angola desde abril após o Governo alegar irregularidades administrativas.

 

Em Angola a IURD está dividida em duas igrejas com o mesmo nome, sendo que ambas alegam ser as legítimas representantes da seita fundada por Edir Macedo. Existe a ala brasileira, encabeçada pelo angolano, Alberto Segunda e a ala reformista angolana, chefiada por Valente Bezerra Luís. Esta última foi legitimada pelo Governo angolano, que considera o corpo diretivo de Alberto Segunda ilegal, já tendo de decorrido vários processos em tribunal relacionados com a disputa.

O próprio Presidente Jair Bolsonaro prometeu à IURD que iria intervir, tendo os senadores ameaçado cortar investimentos em Angola.

 

Em Julho, durante a sua estada em Luanda para participar na Cimeira da CPLP, o vice-presidente do Brasil, Hamilton Mourão, aproveitou a visita para tentar interceder a favor da IURD, tendo pedido a João Lourenço que o Parlamento angolano recebesse uma comitiva de deputados brasileiros para negociar uma trégua na crise dentro da IURD.

PUB