Padre Cubolo em Cabinda começou a ser julgado por denunciar rapto em 2020

O Padre Félix Roberto Cubola Kinyumba que em Abril de 2020 terá sido raptado, espancado, amarrado e abandonado no meio de uma floresta durante dois dias, Acusou naquela altura a Polícia de vazar nas redes sociais os seus depoimentos, começou a ser julgado dia 27 de Setembro e a próxima sessão será a 11 deste mês

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Repórter Angola

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Félix Roberto Cubola Kinyumba foi espancado, volta no banco dos réus no próximo dia 11 de Outubro.

A 21 de Abril de 2020, as autoridades policiais da província de Cabinda, norte de Angola, instauraram uma queixa-crime na Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o padre católico Félix Roberto Cubola, por supostas “injúrias, calúnias e sensacionalismo” visando as forças da ordem na província.

Na carta datada de 14 de abril de 2020, o padre Cubola contou que oito pessoas assaltaram a sua residência, em 25 de março, levaram os seus pertences, entre dinheiro e duas viaturas, e na sequência disse ter sido “espancado, amarrado raptado para uma floresta”.

O padre contou que no dia seguinte participou o ocorrido às autoridades, mas para o seu espanto efetivos do Serviço de Investigação Criminal (SIC) “já tinham imagens dos supostos assaltantes e todo o seu depoimento já se encontrava nas redes sociais”.

Cubola denunciou também supostas violações constantes da fronteira com a República Democrática do Congo (RDCongo), quando o país está com as fronteiras encerradas por conta do estado de emergência devido à pandemia provocada pelo novo coronavírus, e a inutilização de meios técnicos “que apodrecem no quartel da polícia em Cabinda” para fiscalização das fronteiras.

 

A razão da “falta de fiscalização das fronteiras”, assinalou o padre na carta aberta dirigida ao Presidente angolano, João Lourenço, e ao parlamento, deve-se ao “comércio ilícito de combustíveis e roubo de viaturas que beneficia altos dirigentes da província”.

 

Segundo a polícia, que confirmou o roubo das duas viaturas do padre e de outros bens, foram feitas diligências que resultaram na recuperação de uma viatura, sendo que a outra presumem que esteja na RDCongo.

 

A corporação em Cabinda negou em nota de esclarecimento enviado ao Repórter Angola, que os depoimentos do padre, prestados aos oficiais do SIC, tenham vazado pelas redes sociais “por se tratar de matéria meramente processual”, e garantiu que todas as fronteiras terrestres “estão encerradas e reforçadas” por “medidas de vigilância devido ao novo coronavírus”.

“O referido padre não foi prudente ao acusar, sem bases e provas, dirigentes da província e membros dos órgãos de Defesa e Segurança em atos de contrabando de combustível, o que traduz em calúnia e injúrias contra essas entidades deixando antever a sua pretensão de tirar algum proveito da situação”, lê-se na nota.

A polícia referiu igualmente que “faltou dever de colaboração do padre” perante a “disponibilidade dos efetivos” em esclarecer o assunto, garantindo que “em nenhum momento os órgãos do Interior deixaram deteriorar meios operacionais”.

Os argumentos do padre, de acordo com a Delegação do Ministério do Interior em Cabinda, traduzem-se num certo “sensacionalismo do sacerdote como forma de deturpar e manipular os factos”.

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