Militares ameaçam ir à Presidência para exigir pagamento de pensões

Generais na reforma estão agastados com atraso na reposição de pensões e lamentam a falta de resposta do Estado angolano. Militares decidiram ir à Presidência pedir o pagamento de pensões.José Nelson, presidente da associação dos generais, capitães e oficiais subalternos, acusa o governo de negligenciar a situação dos militares na reforma.

Jonas

RFI com VOA

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A situação não é nova e urge que seja resolvida com honestidade e patriotismo. Os ex-militares estão a sofrer, não têm dinheiro, e apelam ao Presidente da República para que até o fim do mês se encontre uma solução.

O discurso sobre o estado da Nação do Presidente angolano, na Assembleia Nacional, na quinta-feira (15), não mereceu os aplausos de vários generais e oficiais na reforma e viúvas de militares que, bem ao lado, na Maianga, apelaram a João Lourenço que resolva um problema antigo: o pagamento das suas pensões e salários nunca honrados desde 2009.
Os mesmos alertaram que se não houver uma resposta até o fim do mês sairão às ruas em protesto.
«O Presidente já se reuniu com kuduristas, com camponeses, etc., mas com militares está difícil e ele é nosso colega, conhece-nos bem, lutamos juntos, então que consciência é esta do Presidente, onde quer ele chegar com isso?», questionou um oficial superior na reserva que se identificou apenas por Farrusco.
Outro militar, José Nelson, disse que «a opinião pública nacional e internacional deve saber que nós estamos a ser maltratados e humilhados, cortaram direitos adquiridos, não temos direito a comida, transporte, assistência médica, estamos a ser escravizados, dominados, nós enfrentamos guerras, mas hoje somos lixo, enquanto alguns governantes têm várias casas no exterior, nos EUA, França, Bélgica, são milionários, roubaram milhões e milhões e não nos pagam o nosso dinheiro porquê?».
A viúva de um militar contou que ficou «com quatro filhos, sozinha, sem qualquer ajuda, a nossa voz também deve chegar ao Presidente da República».
Ela acrescentou que recebia 4 mil kwanzas, mas teve o subsídio cortado e agora está a «ficar cega e sem qualquer ajuda».
Eles reiteraram que saírão às ruas se até ao fim do mês, o Governo não responder às suas exigências.

Segundo o presidente  da  associação  dos militares  angolanos reformados, José Nelson, os pensionistas aguardam há mais de dez anos pelo pagamento das suas pensões. Ele  criticou o silêncio do governo perante  a situação dos ex-militares.

“A nossa preocupação consiste no silêncio. O silêncio perante a resolução da crise que nos afecta desde Agosto de 2009  até  à corrente data”, desabafou o também brigadeiro na reforma.

O interlocutor espera que Estado solucione  o problema até  30 de outubro. Em caso de o governo ignorá-lo ,  os militares  irão protestar  à Presidência República para exigir que a justiça seja feita .

Segundo o  líder associativo,  trezentos militares reformados em 2004, com garantias de pensões vitalícias,  quatro anos depois tiveram todos os seus subsídios cortados, sob pretexto da crise financeira internacional.

José Nelson voltou a exigir que o Estado pague os subsídios de acordo com o grau militar de cada pensionista, alegando que os seus filiados têm a receber cinquenta mil milhões de kuanzas da Caixa de Segurança Social das Forças Armadas Angolanas(FAA).

“Nós estamos cansados. Pediram-nos sempre calma  e prometeram  que problema ia ser resolvido, mas isso não passou de uma falácia”, disse o brigadeiro reformado.

A Associação dos generais e capitães recorda que em 2019, o antigo Presidente José Eduardo dos Santos havia orientado o pagamento do dinheiro, mas para espanto da maioria dos militares reformados nada foi cumprido.

José Nelson  lembrou  que o ano passado, responsáveis dos serviços secretos  angolanos negociaram com os militares sobre o contencioso,mas as recomendações ficaram apenas no papel e sem concretização da parte mediadora.

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