Marcha dos Médicos junta mais de mil pessoas, que exigem a exoneração do Ministro do Interior

João Lourenço no Bié a inaugurar um Hospital, num dia em que os médicos marcharam em Luanda, onde decorreram quatro manifestações . por volta das 12h40 Começou a marcha dos Médicos em Luanda, em memória ao colega que morreu numa esquadra policial do Rocha Pinto, que juntou mais de 700 profissionais da saúde e dezenas de activistas da sociedade civil com a presença de 2 deputados da oposição. mais de Mil pessoas juntaram a causa em memoria ao Sílvio Dala, Nelito Ekuikui e David Mendes, deputados a Assembleia Nacional também aderiram a marcha.

Daniel Frederico

Reporter Angola

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Sindicato dos Médicos de Angola diz ter provas diferentes da polícia sobre morte de Sílvio Dala, enquanto membros da sociedade Civil exigiam a demissão do Eugénio Laborinho no cargo de Ministro do Interior.

O Sindicato Nacional dos Médicos de Angola (SINMEA) tinha anunciado na terça-feira, para sábado, uma marcha para encerrar um período de sete dias de luto, sobre a morte de um médico numa esquadra de polícia, em Luanda.

Os médicos em silêncios marcharam desde a paragem da Mutamba, defronte ao Governo Provincial até a Ordem dos Médicos Angolanos, junto a pediatria David Bernadinho, mas membros da sociedade civil que se juntaram a causa, entoavam cânticos ” Laborinho Fora”, bem como “a Policia é do povo não é do MPLA”, 2 pega no Laborinho e joga no contentor , é lixo” segundo observou um jornalista do Repórter Angola.

outros hinos foram” fora Paulo de almeida, Eu sou Sílvio Dala, Exigio justiça”.

O Sindicato Nacional dos Médicos de Angola (SINMEA) anunciou hoje, em Luanda, que tem provas concretas de que o seu colega, Sílvio Dala, não faleceu de enfarte agudo do miocárdio, mas por outras causas.

A informação foi hoje avançada pelo presidente do SINMEA, Adriano Manuel, no protesto da classe médica, em memória do pediatra Sílvio Dala, que morreu no dia 01 de setembro, quando foi levado pela polícia para uma esquadra, porque se encontrava a conduzir sem máscara facial.

Com uma afluência de perto de 300 médicos, trajados de preto e com dizeres nas camisolas como “Exigimos Justiça; Os médicos Exigem Dignidade e Respeito; Não nos Matem, o Povo Precisa de Nós”, ou envergando batas brancas com manchas vermelhas a imitar sangue, a marcha decorreu sem incidentes e sob proteção de dezenas de polícias.

Na sua intervenção, Adriano Manuel sublinhou que é preciso que sejam esclarecidas as verdadeiras causas que levaram à morte o médico Sílvio Dala.

“Por isso, nós vamos obrigatoriamente continuar com o nosso projeto. Temos a necessidade de, na próxima semana, levarmos a tribunal, pois temos provas concretas que o nosso colega não faleceu de enfarte agudo do miocárdio, teve outras causas que jogaram um papel muito importante”, disse.

Adriano Manuel insurgiu-se também contra a bastonária da Ordem dos Médicos de Angola, Elisa Gaspar, que se demarcou da marcha organizada pelo SINMEA.

“Nós tivemos a oportunidade de observar ontem (sexta-feira), infelizmente, a entrevista da nossa bastonária e nós não gostamos nada de ouvir aquilo, por isso na próxima semana o sindicato vai se pronunciar sobre isso”, referiu Adriano Manuel, apelando para a calma dos médicos.

Em declarações à agência Lusa, o médico Rodrigo João considerou “uma tristeza” o atual momento, lamentando a morte de um profissional “que podia servir a nação durante vários anos”.

“Infelizmente, não houve piedade e o cidadão morreu em circunstâncias não devidamente definidas”, referiu, reiterando a tristeza entre a classe médica.

Rodrigo João defendeu uma polícia “mais humanista” que deve priorizar a pedagogia.

“Quando um cidadão cometer um erro, deve ser chamado a atenção, corrigir o erro desse cidadão, de modo que, das próximas vezes, o cidadão possa agir de melhor forma e não logo perder a vida”, disse.

Por seu turno, a médica Verónica Natcha lamentou a perda de um pediatra face ao baixo número de profissionais existentes nessa área.

“Como se sabe era um médico do Cuanza Norte (…) a província perdeu um pediatra, já somos poucos, principalmente no interior do país”, disse Verónica Natcha, considerando a perda irreparável.

“Quem vai atender aquelas crianças que o Doutor Dala atendia? Ninguém. Nesse preciso momento essa manifestação é muito importante para nós, para que nos oiçam, para que nos defendam”, disse a médica, questionando “porque é que a polícia tem que agir desta maneira”.

A marcha dos médicos, iniciada no Largo da Mutamba, a qual se juntou um grupo de jovens, políticos, ativistas cívicos e membros da sociedade civil, terminou em frente à Ordem dos Médicos de Angola, onde foram depositadas as batas como forma de protesto face à morte de Sílvio Dala.

Também centradas na violência policial registada nos últimos dias em Angola, foram realizadas hoje outras manifestações de jovens, em Luanda, a qual aderiram dezenas de pessoas, todas pedindo reformas na Polícia e pedagogia em detrimento de violência.

Um grupo mobilizado pelo ‘rapper’ Brigadeiro 10 Pacotes sob o lema “Todos pelos Direitos Humanos. Não Toca no Meu Irmão” juntou-se cerca das 10:00 na Igreja da Sagrada Família pedindo a demissão do ministro do Interior, Eugénio Laborinho, e reformas na polícia, para que os cidadãos “em vez de terem medo, vejam a polícia como protetor”.

Gritando palavras de ordem e distribuindo panfletos denunciando “ato bárbaros” contra o ativista Jorge Kisseque, alegadamente alvejado pela polícia, e o médico Sílvio Dala, morto no início de setembro, o protesto, um dos quatro que acontecem este sábado (12.09) em Luanda, juntou mais forças policiais do que manifestantes, com elementos da polícia antimotim, cavalaria e brigada canina atentos aos jovens.

Em declarações à Lusa, Brigadeiro Dez Pacotes, cujo nome verdadeiro é Bruno Santos apelou à demissão do ministro da tutela e pediu escolas para formação da polícia, a fim de melhorar a cultura jurídica e pedagógica quando abordam os cidadãos.

Cidadãos têm medo da polícia

“A polícia é um órgão que deve garantir a confiança do cidadão, hoje vivemos numa insegurança grave em que todos os cidadãos ao depararem-se com a polícia têm medo, em vez de encararem a polícia como um protetor”, afirmou o ativista, pedindo “reformas” para que “a polícia seja amiga do cidadão”.

“A polícia não pode ser instrumentalizada para a manutenção do poder do MPLA e reprimir o povo” e “semear o medo”, criticou o ‘rapper’ angolano, que anunciou no início do ano a intenção de lançar um novo partido político.

Brigadeiro 10 Pacotes sublinhou que Angola ratificou a Declaração Universal dos Direitos Humanos e que se está perante “um atentado” a esse tratado.

“Não vamos admitir um Estado que mata os seus cidadãos, que viola sistematicamente os Direitos Humanos, um Estado que ameaça, um Estado que aterroriza ao invés de proteger”, desafiou.

“As vidas angolanas importam”, lia-se num cartaz empunhado por um manifestante num outro protesto (“Não à brutalidade policial”) que começou pelas 12:00 junto do Clube 1.º de Agosto, numa alusão ao movimento ativista internacional que teve origem na comunidade afro-americana.

“Não à Brutalidade Policial”

Cerca de 50 jovens, muitos vestidos de negro, concentraram-se neste local, exibindo cartazes caseiros onde pediam “Parem de nos matar” e “Basta de mortes! São pagos para proteger não são pagos para matar”, enquanto outro exigia “Laborinho [ministro do Interior] fora”.

A marcha “Não à Brutalidade Policial” vai seguir até ao Largo das Heroínas, onde se prevê que termine com a leitura de um discurso sobre os direitos humanos.

Em Luanda decorrem este sábado (12.09) quatro manifestações: uma de caráter político, de apoiantes do PRA-JA Servir Angola, projeto partidário de Abel Chivukuvuku, que estão contra a atuação do Tribunal Constitucional. As outras três contra a violência policial, incluindo uma convocada pelo Sindicato Nacional dos Médicos de Angola (Sinmea) depois da morte do pediatra Sílvio Dala.

No dia 01 de setembro, o médico foi conduzido a uma esquadra policial por não usar máscara facial no carro e morreu em circunstâncias ainda não esclarecidas. Desde o início da pandemia, mais de uma dezena de pessoas perderam a vida na sequência de intervenções policiais para obrigar ao cumprimento dos decretos presidenciais com as medidas que vigoraram no estado de emergência e agora na situação de calamidade pública, nomeadamente o uso de máscara facial.

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