Manifestantes detidos em protestos testam positivo a covid-19

Pelo menos dois dos 103 detidos no Sábado, durante a manifestação organizada pela sociedade civil e que contou com o apoio da UNITA e do Bloco Democrático, testou positivo para a Covid-19, o que levou a um atraso significativo na retoma do julgamento hoje, no Tribunal Provincial de Luanda "Palácio D. Ana Joaquina"

Jonas Pensador

com NJ e CK

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O julgamento sumário, que transitou de segunda-feira para hoje, terça-feira, 27, deveria reiniciar cerca das 10:00 mas a detecção da infecção pela Covid-19 está a atrasar o seu início, como confirmou ao Novo Jornal fonte do TPL.
Equipas de desinfecção estão, como constatou ainda o Novo Jornal no local, a trabalhar na sala da 2ª secção do TPL, de forma a que, depois, o julgamento dos 103 possa serretomado.
No exterior do “Palácio D. Ana Joaquina”, tal como na segunda-feira, estão hoje várias dezenas de amigos e familiares dos detidos, que exigem a libertação imediata e incondicional dos jovens em julgamento.

Calisto de Moura, um dos 43 advogados que defendem os manifestantes detidos no sábado, 24, em Luanda, informou ao Correio da Kianda, sem mencionar o número, que alguns detidos testaram positivo para a covid-19. Os 103 detidos foram testados ontem, antes do início da primeira audiência.

O advogado explicou que a morosidade da sequência do julgamento, suspenso ontem, deve-se porque foram “informados pela polícia que alguns dos detidos testaram positivo à covid-19”, acrescentando que, neste momento, o tribunal está a rever as condições para o reinício do julgamento.

Já um outro advogado lamentou a forma como os arguidos estão expostos porque têm estado numa cela mais de trinta pessoas, sem as mínimas condições de higienização, e que já “tomaram diligências no sentido de o tribunal criar condições para se poder prosseguir o processo”.

Moura algura um desfecho favorável aos seus constituintes. Segundo o advogado, os jovens estão detidos sem nenhuma culpa formalizada.

Nesta segunda-feira, 26, os mais de cem arguidos estiveram no tribunal divididos, para serem ouvidos, tendo ficado simplesmente nas discussões em questões prévias do processo.

Conforme já noticiamos, entre os detidos constam 90 homens e 13 mulheres, dentre os quais dois menores de idade e duas mulheres grávidas.

Este caso tem todos os condimentos para se prolongar no tempo, visto que os 103 detidos vão todos ser ouvidos neste tribunal, estando apenas a ser
ouvidos 22, os mesmos que ontem foram colocadas na sala da 3ª secção, os mesmos que hoje voltarão a esta mesma sala.
O primeiro dia deste julgamento, na segunda-feira, as pessoas que aguardavam no exterior só desmoilizaram pouco depois das 20:30.
Por volta das 20:30 de segunda-feira, pouco mais de uma centena de pessoas ainda se recusava a abandonar o local onde se encontravam também a
Polícia de Intervenção Rápida (PIR) e as brigadas caninas.
Nessa tarde, como o Novo Jornal constatou no local, os manifestantes proibiram a saída de funcionários e de juízes do Tribunal Provincial de Luanda e várias viaturas foram impedidas de circular por familiares, amigos e apoiantes dos detidos, que exigiam a sua libertação. Duas pessoas desmaiaram durante este protesto.
Os manifestantes insurgiram-se também contra os profissionais da TPA e da TV ZIMBO, impedindo-os de trabalhar.
Desde as primeiras horas que centenas de pessoas estiveram nas imediações do TPL, entre estes amigos e familiares dos detidos, com palavras de ordem que exigem a libertação imediata dos jovens que participaram na manifestação de Sábado, que foi reprimida de forma violenta pela Polícia Nacional, que deslocou para a cidade centenas de elementos da PIR, brigadas caninas e a cavalaria.
Entre os detidos estão 90 homens e 13 mulheres.
A assistir ao julgamento estiveram vários deputados e dirigentes da UNITA, partido que apoiou, tal como o Bloco Democrático, o protesto organizado pelos movimentos da Sociedade civil Revolucionário e pela Cidadania.
Sobre os jornalistas detidos, ouvido o secretário-geral do Sindicato dos Jornalistas, os profissionais foram libertados ainda na tarde de segunda-feira e não serão julgados, mas foram antes ouvidos pelo SIC- Luanda.
“Liberdade já!, Liberdade já!”, ouvia-se no início do julgamento sumário, na manhã de segunda-feira, à porta do Tribunal Provincial de Luanda.
Entre as mais de 200 pessoas que estavam concentradas à porta do TPL, estavam familiares e amigos dos detidos, incluindo jornalistas e dirigentes da UNITA, partido que se juntou ao protesto organizado pelo Movimento Revolucionário e pelo Movimento pela Cidadania.
Como o Novo Jornal constatou antes do início do julgamento, os detidos foram levados para o “Dona Joaquina” em grupos separados enquanto os familiares e amigos dos detidos gritavam palavras de ordem para exigir a libertação dos jovens, sublinhando que se tratam de detenções sem justificação.

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