Os cinco suspeitos foram submetidos a interrogatório na Direção Nacional de Investigação e Ação Penal (DNIAP), tendo-lhes sido aplicada como medida de coação a prisão preventiva, segundo a Rádio Nacional de Angola.

Na semana passada, foi divulgada uma lista enviada a todos os órgãos provinciais do Serviço de Migração e Fronteiras proibindo a saída do país de 24 militares, todos constituídos arguidos no âmbito do processo-crime 39/2021, conhecido como Operação Caranguejo, incluindo o major Pedro Lussaty, encontrado na posse de milhões de dólares.

A PGR anunciou, em 24 de maio, que foi aberto um processo que envolve oficiais das Forças Armadas Angolanas afetos à Casa de Segurança do Presidente da República, por suspeita dos crimes de peculato, retenção de moeda, associação criminosa e outros.

A nota da PGR frisava que, no âmbito do processo, foram apreendidos valores monetários “em dinheiro sonante, guardados em caixas e malas, na ordem de milhões, em dólares norte-americanos, em euros e em kwanzas, bem como residências e viaturas”.

O chefe das finanças da banda musical da Presidência da República, Pedro Lussaty, terá sido detido na posse de duas malas com dez milhões de dólares e quatro milhões de euros, supostamente a tentar sair do país.

Na sequência do escândalo, o Presidente angolano, João Lourenço, demitiu vários militares de topo ligados à sua Casa de Segurança, bem como o seu responsável máximo e ministro de Estado, Pedro Sebastião.

Um grupo de majores afecto a Unidade de Guarda Presidencial (UGP), foi mantido sob custódia das autoridades prisionais angolanas depois de terem sido ouvidos na passada segunda-feira (14) na Direção Nacional de Investigação Penal da Procuradoria Geral da República.

Entre os detidos, está o major Hermez Francisco Tyaunda, 38 anos, filho do comandante da UGP, Tenente-general Alfredo Tyaunda. Durante o interrogatório de cerca de uma hora, os magistrados da PGR quiseram saber dele as ligações que tem com o major Pedro Lussati, com quem trabalhou no passado e graduaram no mesmo dia como oficiais militares.

Hermez Tyaunda (o primeiro na foto) fez parte da área financeira da Casa de Segurança trabalhando com um superior hierárquico Luís Simão Ernesto, tendo mais tarde por sugestão do seu progenitor transferido para um departamento administrativo desta estrutura ligada a palácio presidencial.

O Banco Nacional de Angola (BNA) abriu também um inquérito para apurar as circunstâncias em que o dinheiro levantado por um banco comercial foi encontrado na posse dos oficiais ligados à Casa de Segurança, cujas conclusões não foram reveladas.

Foi igualmente ouvido e mantido sob custodia o major Gomes Jerônimo Linvongue, de 45 anos de idade que no exercício das suas funções controlava um contingente militar da UGP localizado no município do Cacuaco.

 

Ainda do grupo de ouvidos pela PGR, consta também um não militar, neste caso o jovem Gilberto Amos Chilingutila, 30 anos de idade. Este foi ouvido porque o seu nome aparece na lista de funcionários fantasmas da UGP sem que tivesse conhecimento que os seus dados pessoais tivessem sido usados para estes fins. Gilberto é neto do falecido Vice ministro da Defesa Nacional do extinto GURN, Demostenes Amos Chilingutila.

 

Na condição de funcionários fantasmas da UGP, segundo apurou este portal, está igualmente um grupo de soldados das extintas FALA, antigo braço armado da UNITA, que ao desmobilizarem, no passado, a partir da província do Cuando Cubango, os seus dados pessoais foram usados para engrossar estas listas de militares da UGP sem que os mesmos tivessem conhecimento. Os ordenados – em cash – ficavam com o grupo do majores da UGP da área do processamento dos salários da Casa de Segurança do Presidente da República.

 

As audiências ocorridas nesta no passado dia 14, terminou por volta das 23 horas. Para além dos oficiais arrolados e cujo nomes constam numa lista de interditados de sair do país, foram ouvidos outros militares da UGP, agora colocados sob termo de identidade com a obrigação de apresentarem-se as autoridades em 15 em 15 dias.

Quanto aos oficiais generais arrolados nestes processos, ainda não foram ouvidos uma vez que gozam de imunidades que devem ser levantadas pelo Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço na sua qualidade de  comandante-em-chefe das Forças Armadas Angolanas.

De lembrar que todos estes oficiais foram constituídos arguidos no âmbito do processo 39/2021, vulgo “operação caranguejo”, que investiga desvio de fundos dos cofres da Casa de segurança e o surgimento de caixas de dinheiros fora do circuito financeiro. Pedro Lussati, o major que foi figura chave para todas estas descobertas foi encontrado com 30 caixas de dinheiros e vários apartamentos em Luanda, em seu nome e de um primo.