Luminas: 15 anos de calvário pode levar trabalhadores a uma revolta popular na Lunda Norte

"A gerência da Mina está a enriquecer a custa da morte dos nossos colegas", conta a comissão sindical

D.R

Repórter Angola

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Até Novembro do ano em curso, os trabalhadores da sociedade Mineira Luminas prometem paralisar  totalmente as actividades mineiras, e dar início a manifestações públicas sem precedentes caso suas exigências não sejam satisfeitas.

Os filiados da Central Geral de Sindicatos Independentes e Livres de Angola, (CGSILA) exigem que seja reposta a lei, que prevaleça o respeito pelos vários acordos filmados entre a empresa e os trabalhadores e o respeito pela vida humana, que o colaborador da Luminas tenha igual tratamento a semelhança das demais empresas do sector mineiro que operam em angola maioritariamente  na Lunda-Norte.

Em justificação, o primeiro  Secretario da Comissão Sindical da sociedade Luminas, Francisco António Gilo, acusa a actual direcção da mina respondida pelo Engenheiro António Garcia da Silva, Presidente do Conselho de Gerência, e Edgar Davide Mulonda,  director geral e de Produção daquela mina, de estarem a explorar, roubar, maltratar e a enriquecerem ilicitamente  a custa  dos trabalhadores.

“A vida humana é um bem maior, não pode ser respeitado a custa da língua, da raça, do grau de  parentesco ou do nível acadêmico”,  desabafou Francisco Gilo, adiantando que, quem ocupa os lugares cimeiros na Luminas são sobrinhos e parentes próximos do director Geral e de produção Engenheiro Edgar David Mulonda, ele não respeita o mínimo possível os critérios de selecção do pessoal a ser admitido.

Por conta da sua arrogância, prepotência, supervaloração, e impunidade, a Luminas é gerida por tio e sobrinho. O trabalhador não passe de um simples contratado equiparado com os da era colonial.  “Fomos ao longo de 15 anos,  obrigados a sofrer calados e a desabafar com os volantes das pesadas máquinas nos campos de exploração, com medo de ser postos no olho da rua e perder o único pão para os filhos”, disse.

Assegura não ser justo  quando, uma empresa cuja produção ronda entre 5 a 7 mil quilates de diamantes mês,  fixar o salário mínimo de um operador de máquinas em 175 mil, enquanto demais sociedades que exercem a mesma actividade na Lunda-Norte pagam  acima de 600 mil kwanzas, ao colaborador com a mesma função e tempo diário de trabalhos, fora outros beneses. Gravoso ainda, acrescenta, o salário nunca é pago de forma regular.

Uma década e meia de existência, a Luminas soma na sua lista 5 greves, pelas mesmas razões e que por elas foram despedidos os directores Messias Bravo da Rocha Santana, engenheiro José Chimupi e António André Moisés, lamenta dizendo que, os velhos hábitos e tratamentos persistem com a actual Direcção.

Quando pedimos para fundamentar as fortes acusações  disse;

  1. Até hoje, o trabalhador da LUMINAS vence com base na política cambial praticado nos anos 2012 quando o câmbio do dia tinha o custo de 16.500 kwanzas.  A gerência da Luminas arroga-se em desrespeitar o aviso nº 20/ 12, de 12 de abril, do Banco Nacional de Angola e da lei do regime cambial aplicável ao sector petrolífero que orienta todos os trabalhadores afetos ao ministério dos recursos minerais, petróleo e gás, em Angola devem ser remunerados em kwanzas e ao câmbio do dia do Banco Nacional de Angola.

 

  1. É direito de cada trabalhador receber o comprovativo do pagamento dos seus honorários. Desde junho de 2015 na gestão do então Director  André Moisés até data presente,  Luminas  furta-se de entregar o comprovativo do pagamento dos míseros salários aqui temos direito. Esta violação do  direito do trabalhador, leva-nos a conclusão a qual   o trabalhador da Luminas tem sido alvo de roubo qualificado.

 

  1. O dia – a – dia do  minério acarreta muitos esforços, o que deve ser compensado com uma dieta alimentar saudável e cuidada. Lamentavelmente, a dieta frequente do Trabalhador  da Luminas é  “Pão-com-chá” e muitas vezes, sem algum adicional. Fruto destes maltratos, muitos colegas estão a padecer de doenças estranhas.

 

  1. A viatura que transporta os trabalhadores da Lumina do acampamento para casa, vive-versa,  num percurso de mais de 5 quilômetros,  já mais, o Engenheiro Edgar teria posto nele seu empregado doméstico, quanto mais sua filha ou filho. O imundo carro, que dele sobrou apenas chapas de alumínio aonde os trabalhadores se assentam para ir a mina, sem o mínimo de conforto, em condições normais só serviria para carregar “porcos” e não pessoas, sejam elas de que condição social forem.

 

  1. Enquanto vigora o estado de calamidades, foi orientado a diminuição de trabalhadores, e a Lumina obedeceu a lei, e estendeu o horário de trabalhos de 8 para 12 horas laborais. Abusivamente a gestão da Lumina nega em compensar o trabalhador por este elevado sacrifício pelas horas adicionais. Quando instado, o Director geral e de produção o Engenheiro Edgar Davide Mulonda diz nos seus discursos com tom intimidatório; quem não aguenta mais, a porta de entrada é serventia da casa.

 

  1. Ao longo das 12 horas de trabalhos forçados a que estamos submetidos com a vigência da lei, usamos máquinas de grande porte, quase todas senão mesma todas, encontram com o sistema de ar-condicionados  avariados. Somos obrigados a suportar até fazer as horas, cientes de que, o elevado nível de temperatura está a matar-nos aos poucos. Porém, entre deixar a família morrer de fome e morrer lentamente, escolhemos morrer da forma como o deuse Edgar David Mulonda predestinou aos indígenas  filhos da Lunda. Caro jornalista, o ponteiro do relógio do nosso tempo de vida, está a contar e de forma acelerado para cada um de nós descer a sepultura.

 

  1. Subsídio de férias e horas extras, são direitos reservados por lei, não é invenção nossa. A Direcção da  LUMINAS, de forma prepotente, nega em ouvir falar. Chegamos a conclusão de que, os trabalhadores desta menina, maioritariamente filhos da Lunda, estão longe de ser vistos como Angolanos, porquanto, Angola rege-se por leis.

Continuado com desgastante discurso que provoca lágrimas no canto do olho, a comissão sindical afirma ter provocado vários encontro, com a DIRECÇÃO. Um dos quais, no ano de 2015 que contou com a presença do Senhor, Francisco Xavier Cabenguele, representante do antigo  sindicato dos trabalhadores da indústria Mineira (STIM), e representantes do Governo provincial da Lunda-Norte e da Administração Municipal do Cuango, nomeadamente, Drs. Silvestre Cheleca, Paulo Alexandre Pequenino, Agostinho Mutchineno Paiva, Calfer Felício Diei e Luís Figueiredo Muambongue, este último, até então administrador municipal do Cuango.

Realçar neste quesito que, na resolução da greve no dia 01 de março de 2018, presenciado pelos altos funcionários da Endiama, nomeadamente Engenheiro Osvaldo Vandune, Dr. José Muacabalo Tomás, Sr. Firmino Epanga, ficou recomendado que qualquer processo disciplinar, a ser, eventualmente movido contra um trabalhador, antes da sua homologação deve ter a apreciação da comissão sindical preferencialmente a pessoa do seu primeiro secretário. Contrariamente ao acordo, a Direcção da empresa continua a fazer das suas, infligindo estes e outros elementos jurídicos.

Foi acordado a regularização dos assuntos enumerados, o que não se verifica até o momento presente. Segundo os representantes dos trabalhadores que falavam a reportagens deste órgão, chegou a hora de quebrar as algemas. “Angola é um país democrático e de direito, o território Lunda, é parte de Angola onde sua constituição reserva o respeito pela vida humana”.

o pagamento dos salários aos trabalhadores com a atualização do câmbio do dia do Banco Nacional de Angola, até presente data, continuamos a ganhar no valor de 16 mil kwanzas, atropelando quer o acordo como o instrutivo do Banco Nacional de Angola

Ainda no acordo, ficou-se de pagar 100 por centos dos subsídios de férias e dos anos já citados. Igualmente, encontra-se em água de bacalhau, a assistência medica e medicamentosa e outros”, a custa da arrogância, tribalismo, prepotência e supervaloração do actual Director – geral e de produção o engenheiro Edgar Davide Mulonda, os trabalhadores vêm-se obrigados a sofrerem calados perante suas atrocidades temendo encontrar estampado na manhã seguinte uma ordem de despedimento.

Com cerca de 300 colaboradores entre Angolanos e expatriados, a empresa cujo corpo de gerência se desconhece, tem 15 anos de vida e com uma produção mensal que varia entre 5 há 7 mil quilates de diamantes mês.

Tem uma área de prospecção acima de 100 mil quilômetros quadrados, que se situa a norte do município do Cuango na Comuna do Luremo. Estima-se ser a área super  rica em mineiros como diamantes, ouro e outros e da melhor qualidade que existe.

De recordar que, em tempos de conflitos armados, o Partido UNITA tinha fixado ali sua base económica, assente em exploração de diamantes e madeiras.

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