Luanda: Cresce o número de famílias que recorre ao lixo em busca de comida

São jovens, crianças e até mais velhos de ambos os sexos que nos últimos dias têm recorrido aos resíduos sólidos a procura do que comer. Essa situação mostra a realidade crua e nua em que a pobreza extrema invadiu muitas famílias angolanas em plena capital do País, a nossa Luanda que, durante muitos anos foi considerada a capital mais cara de África.

DR

Repórter Angola/ NMCRIME

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Pobreza extrema, obriga  famílias a recorrerem ao lixo em busca de comida nas ruas da capital angolana.

O Repórter Angola, constatou nas imediações da centralidade do Kilamba, Camama, golf2 bem como no antigo quintalão do Petro arredores de Luanda, um aumento considerável de pessoas com dificuldades alimentares que correm aos contentores de lixo a procura de comida.

Em declarações a este portal, José Manuel de 24 anos, relata o motivo que o obriga a permanecer na rua, nas imediações da igreja Tocoista junto ao Golf1.

” Em casa não temos nada para comer, por isso venho até aqui para ver se no contentor possa ter algo para comer , mesmo aquela carne ou frango que às vezes as pessoas desconguem e jogam ao lixo” descreve.

Já Inês Araújo de aparentemente 50 anos, diz que desde que deixou de vender por culpa dos fiscais que levaram o seu negócio, a crise bateu lhe a porta da casa.

” É só a fome que está a nos matar com as crianças em casa, os fiscais prenderam me o negócio de banana que vendia,agora não tenho nem onde começar por isso estou aqui, para que as crianças em casa não morram de fome, aqui nos contentores as vezes encontramos um bucado de comida, vezes há que encontres um pacote de massa ou arroz, as vezes também frango ou peixe” conta, Inês, residente da vila flor A, arredores do Kilamba.

Já no Camama, o Repórter Angola conversou um pouco com o idoso Kaluete Miguel que disse não aguentar mais por isso saiu as ruas para pedir algo para alimentar o estômago.

” Pedi, pedi … não me deram nada aí na paragem de táxi, vi este contentor cheio aproximei para ver se encontro alguma coisa que serve , porque o estômago está a pedir e a barriga está vazia”, frisou o ancião residente do bairro lixeira em Luanda.

Outro relato vem dos cidadãos residentes na zona dos Mulenvos em Viana, onde se acha o aterro com o mesmo nome.

Osvaldo André, mecânico de profissão, que falou ao portal online Na Mira do Crime, questionado de onde vêm os populares que buscam alimentação no aterro sanitário disse que a maioria dessas pessoas são proveniente das zonas do Capalanca, Cacuaco, Cazenga e outros pontos da capital do país.

 

Segundo disse, a maior parte do alimento que é recolhido pelos populares são alimentos fora do prazo de validade, como coxas de frango, peixe, frango e outros produtos perecíveis.

 

“Algumas dessas pessoas recolhem esse alimento para consumo próprio outros são comercializados na zunga, principalmente no período nocturno altura que as pessoas estão aflitas a tentar encontrar algo mais barato para levar à casa”, afirmou.

 

Pedro Simão, um dos jovens que encontramos a recolher estes alimentos disse que em função das péssimas condições de vida, depende desses alimentos para sobreviver.

 

“As coisas estão cada vez mais apertadas e não há emprego nem dinheiro. Pedimos ao governo que olhe para nós, porque da maneira que estamos a viver, a recolher comida no lixo para sobreviver parece que deixamos de ser seres humanos. É uma pouca vergonha, num país bastante rico, como Angola, as pessoas viverem nessas condições precárias”, disse.

 

Aterro sanitário: a fonte de sobrevivência

 

Osvaldo André, disse que a fome e a pobreza que assola Angola, principalmente a cidade de Luanda, onde se encontra a maior parte da população em função do êxodo populacional, é uma das principais causas que levam muitas famílias aos amontados de lixo para sobrevivência, tendo o aterro sanitário da “ELISAL” se transformado na boia de salvação de muitas famílias face as dificuldades do dia a dia.

 

“Não há outra alternativa senão virmos aqui procurar o que comer. A vida está cada vez mais difícil, não temos emprego e o governo não resolve a situação da cesta básica. Por isso, enquanto o Executivo não rever essas questões a solução será mesmo continuar a depender dessas comidas estragadas”, adiantou.

 

De acordo com António dos Santos, “para erradicar a fome e a pobreza o governo precisa primar pelas prioridades do povo, como por exemplo, a abertura de fábricas para possibilitar a dinamização da economia e garantir a auto suficiência alimentar”, explicou, garantindo que, infelizmente, o governo angolano tem feito tudo ao contrário levando o povo a uma insatisfação total e sem precedentes.

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