Homem que assassinou o irmão, o primo e o padrasto no condomínio Vereda das Flores em Talatona condenado a 22 anos de prisão

O Tribunal de Comarca de Belas, ex- Tribunal do Benfica, condenou esta tarde o jovem Edilásio Wander Fortes, de 29 anos, e o seu comparsa Ludy Justino Pinto, de 30, a penas de 22 anos de prisão por assassinarem em Maio de 2021, no condomínio Vereda das Flores, em Talatona, os cidadãos Kamukotele Anderson, de 51 anos, Anderson Júnior, de 11, Delvany Manuel, de apenas nove (respectivamente padrasto, irmão e primo de Edilásio).

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Novo Jornal

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O homicida pretendia apoderar-se dos 500 mil dólares que o padrasto recebeu como indemnização da petrolífera BP, por rescisão do contrato de forma amigável.

Para além dos 22 anos de prisão, os réus do triplo homicídio foram também condenados a pagar uma indemnização de seis milhões de kwanzas aos familiares das vítimas, e uma taxa de justiça de 100 mil kwanzas.

O conhecido crime, que chocou a sociedade na altura, ocorreu em Maio de 2021, no interior do condomínio Vereda das Flores, município de Talatona, em Luanda.

Os arguidos foram julgados pelos crimes de homicídio qualificado, associação criminosa e roubo qualificado.

Antes da leitura do acórdão, os arguidos foram ilibados do crime de associação criminosa por não ficar provado.

Os três membros da mesma família foram encontrados mortos no interior de uma viatura, topo de gama, no parque de estacionamento de um edifício na Centralidade do Kilamba.

Para consumar o infausto acto, Edilásio Wander Manuel Fortes, o principal homicida, convidou o seu amigo, Ludy Justino Pinto, para juntos praticarem os crimes.

Consta dos factos que o enteado tinha uma relação pouco saudável com o padrasto, facto que o levou a abandonar a casa da família, no condomínio, mas continuava a frequentar a residência, condição que lhe facilitou a entrada na casa do padrasto e da mãe.

 

Segundo o Ministério Público (MP), os dois arguidos, no dia 23 de Maio do ano passado, concertaram-se e foram a casa da vítima para roubar os 500 mil dólares. Enquanto reviravam a residência, foram surpreendidos por uma das crianças (o sobrinho do padrasto), de 11 anos.

 

Pelo facto de terem sido encontrados, Edilásio Wander asfixiou o primo até à morte quando foi visto pelo irmão menor de nove. Conta a acusação que tentou convencer o irmão a não contar nada do que viu, e para terminar o seu plano estrangulou-o também até à morte.

 

O MP conta que os arguidos levaram os corpos para o quarto, para fazer de conta que estivavam a dormir quando chegasse Kamukotele Anderson, o padrasto.

 

“O mesmo chegou por volta das 22:00, os arguidos o receberam e este perguntou pelo filho e o sobrinho quando ambos responderam estarem já a dormir”.

 

O padrasto dirigiu-se para o seu quarto para descansar, descreve a acusação, quando foi surpreendido pelos dois arguidos que o ameaçaram com duas facas de cozinha e exigiram que entregasse os 500 mil dólares.

 

A vítima ainda tentou defender-se pondo-se a lutar com o amigo do enteado, quando este, em defesa do seu comparsa, lhe aplicou um golpe e em seguida estrangulou-o.

 

A acusação refere que após consumarem o acto, os arguidos colocaram as vítimas no carro e limparam a residência.

 

Na madrugada, a acusação refere que os arguidos abandonaram o condomínio e dirigiram-se à Centralidade do Kilamba onde se livraram das roupas que vestiam e abandonaram a viatura nas imediações do edifício X15, com as vítimas no porta-bagagens.

 

No dia da descoberta dos cadáveres pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC), Edilásio Wander chegou a ser entrevistado pela Rádio Luanda, e fingiu estar muito preocupado com o desaparecimento do padrasto, do irmão e do primo.

 

No entanto, tudo ficou claro após o SIC ter entrado em acção e ter descoberto que o enteado de Kamukotele Anderson foi o autor dos crimes.