Em Angola: Terapeutas defendem Lei sobre medicina tradicional

Com aprovação da proposta de Lei sobre a Medicina Tradicional, analisada no passado dia 26, pelo Conselho de Ministros, poderá impulsionar a formalização da actividade de forma legal em Angola, produção industrial de fármacos, bem como a geração de mais postos de trabalho.

com JA

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O Presidente executivo da Câmara Profissional dos Terapeutas de Medicina Tradicional Natural, Alternativa e não Convencional de Angola.  Kitoko Mayavângwa, que falava, Domingo, ao Jornal de Angola, a propósito do Dia da Medicina Tradicional Africana, que hoje se assinala, defendeu “com a aprovação da Lei, Angola cumprirá com uma das exigências da OMS, o que vai impulsionar a investigação e criação de indústrias no sector, respeitando a farmacopeia africana e mundial”.

A aprovação do instrumento jurídico, ainda de acordo com Kitoko Mayavângwa, vai permitir ao país criar o Comité Nacional de Plantas Medicinais e o respectivo programa.

“Com a aprovação da Lei, passaremos a ser o 35º país africano com uma legislação aprovada sobre a medicina natural”, sublinhou Kitoko Mayavângwa, acrescentando que entre os projectos em carteira constam a catalogação das plantas medicinais, abertura de banco de dados, bem como o lançamento do mapa das plantas medicinais a nível das regiões do país, em parceria com as faculdades de Medicina, Ciências e Farmácia.

A implementação de 74 ervanárias comunitárias, construção de lojas para comercialização de produtos de medicina tradicional, bem como a venda de medicamentos em mercados municipais constam entre os projectos em carteira.  “Se formos ao mercado dos Kwanzas, o cenário que encontramos não é aquilo que queremos, porque prejudica a imagem dos terapeutas tradicionais”, disse Kitoko Mayavângwa, que defende a criação de um Jardim Botânico e a construção de fábricas de medicamentos.

Por outro lado, Pinto Augusto, coordenador da Câmara de Medicina Tradicional, explicou que os terapeutas tradicionais tratam todas as patologias, recorrendo a raízes, folhas, argila e outros produtos naturais, que podem ser bebidos, friccionados e/ou colocados em várias superfícies do corpo.

Para Gaspar Domingos Calandula, coordenador nacional das ervanárias, o país conta apenas com 12 estabelecimentos do género legais e vários actuam à margem da lei, dada a dificuldade na legalização e na obtenção do Alvará Comercial. Entre as doenças tratadas, o destaque recai para infertilidade masculina e feminina, diabetes, malária, distúrbios intestinais, problemas ósseos, de visão e outros.

Gaspar Calandula foi unânime em afirmar que o país perdeu muitas receitas, com a não legalização da medicina tradicional, pois 75 por cento da população do interior recorre a ela. O também proprietário da Ervanária Kalandula explicou que, antes da pandemia, chegava a atender até 80 pacientes por dia, contra os menos de dez atendidos, actualmente, por mês.

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