Elisa Gaspar resiste a ferro e fogo: Alterou estatutos para ter mais um mandato

Elisa Gaspar quer mais um ano de mandato: Bastonária da Ordem dos Médicos altera estatutos para eternizar-se no cargo

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Repórter Angola

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A bastonária da Ordem dos Médicos de Angola (ORMED), Elisa Gaspar, cujo mandato à frente da instituição profissional termina em Março deste ano, pretende permanecer no poder por mais um ano.

A bastonária terá solicitado a um grupo de juristas a alteração do actual estatuto que prevê um mandato de 3 para 4 anos.

Recorde-se que a médica Elisa Gaspar havia sido afastada do cargo de bastonária em Outubro de 2020, acusada de uma série de falcatruas, dentre as quais o descaminho de dinheiros, mas ela continua à frente da instituição, ao que se diz, com uma conivência do Ministério de tutela.

Este clima de crispação ocorre em véspera de mais um aniversário do Dia do Médico, que se assinala no próximo dia 25 deste mês no Huambo.

As razões da prorrogação do mandato não foram justificadas, mas fontes convergentes admitem que as pretensões Elisa Gaspar enquadram-se dentro das estratégias do Ministério de tutela que pretende vê-la à frente da ORMED por mais um ano. Aliás, o Ministério da Saúde tem sido acusado pelos profissionais do ramo de dar protecção política à bastonária, mesmo depois de ela ter sido destituída do cargo no decurso de uma Assembleia Geral de médicos, realizada em Outubro de 2020, em Luanda.

Além de mais um ano de mandato, o novo estatuto, elaborado à revelia dos profissionais do sector, prevê conceder mais poderes à Elisa Gaspar no sentido de ela alterar o valor das quotas «quando a necessidade cambial o impuser», segundo lê-se no documento.

 

Outra novidade do novo estatuto tem a ver com o facto de a bastonária poder concentrar mais poderes em torno de si que impeçam a «constituição de órgãos autónomos dentro da Ordem».

De acordo com o documento em causa, a bastonária só deverá convocar a «Assembleia Geral Extraordinária, se for solicitada pelo Conselho Nacional Executivo ou por vinte médicos com inscrição em vigor, desde que seja legal o objecto da convocação e conexo com os interesses da medicina».