De acordo com dados divulgados hoje pelo Instituto Nacional da Criança, foram registados no espaço de um ano, 4.221 casos de violação sexual de menores, com idades até aos 14 anos, um fenómeno que afecta principalmente as meninas independentemente da sua extracção social. Ainda segundo dados governamentais, só no primeiro trimestre deste ano, foram recenseadas 581 denúncias na linha SOS Crianças, das quais 130 eram referentes a violações sexuais de menores.

Para o representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância -Unicef- Ivan Yerovi, é necessário dar-se prioridade a este dossier. Em declarações à RFI, ao indicar que “pelo menos 50 mil crianças em 6 meses sofreram alguma situação de violência”, este responsável considera que “esta situação é muito grave” e “requer que o governo, a sociedade civil e a cooperação internacional trabalhem juntos.”

Ivan Yerovi refere ainda que durante a pandemia “também houve o incremento de casos de violência contra as crianças porque é preciso lembrar que o problema da violência e dos abusos sexuais têm principalmente como cenário a casa. O confinamento, o facto de a criança ficar em casa também contribuiu para o aumento da violência”, sendo que outro dos efeitos colaterais da crise da covid-19, foi o aumento do abandono escolar. “Muitas crianças que saíram do sistema de ensino não vão voltar para a escola”, lamenta o representante da Unicef em Angola.

Noutro aspecto, este responsável refere ainda que existe “uma situação de desnutrição crónica no país. Temos uma província, por exemplo a província do Bié que tem 51% de crianças menores de 5 anos com desnutrição crónica”. Ivan Yerovi sublinha que em Angola ainda há “muitas crianças que não têm acesso por exemplo à água, ao saneamento e que não têm acesso a alimentos. É por isso que temos uma taxa muito alta de desnutrição aguda. As crianças ainda estão a morrer devido a causas que podem ser prevenidas. O acesso a alimentos e o acesso à água são muito importantes para prevenir de alguma maneira os problemas de desnutrição que afectam as crianças”, sublinha o dirigente da Unicef em Angola para o qual “as crianças são as que mais sofrem dos problemas de saúde, de educação e nutrição”.