Conheça os pronunciamentos radicais de Paulo de Almeida que propõe despromoção do Comissário geral Panda

O Ex-comandante-geral da Polícia Nacional, Paulo Gaspar de Almeida fez recentemente uma comunicação ao ministro do interior propondo a despromoção do seu antecessor Alfredo Eduardo Manuel Mingas “Panda” para o grau policial de comissário-chefe, a mesma patente que os dois partilhavam.

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Repórter Angola

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Conhecido nas lides de arrogância, como ” não se trata de desmaios, são falecimentos por causa da fome”, quando se referia a onde de desmaios que afectou o país desde finais de 2011 a 2014, nas vestes de segundo comandante geral, Paulo de Almeida já esteve também em polémica com a Igreja Católica.

” Se a igreja Católica não consegue acabar com pecados como é que quer que a Polícia acabe com os crimes”, reagiu assim os pronunciamentos dos bispos da CEAST, Paulo de Almeida defendeu Misses anti-balesticos  contra os manifestantes de Cafundó, “a Polícia não está na rua para distribuir chocolates e rebuçados”, uma semana antes da sua exoneração nesta segunda-feira, o comissário-chefe voltou a incendiar os seus pronunciamentos contra actos de vandalismo registado durante a greve dos taxistas em Luanda, ” o que aconteceu no Benfica é um acto de terror” qualificou.

Nomeado ao cargo de comandante-geral da Polícia Nacional, em Agosto de 2018, em  substituição de Alfredo Eduardo Manuel Mingas “Panda”, Paulo de Almeida, que detinha uma relação difícil com o actual ministro do Interior, foi agora substituídos por Arnaldo Manuel Carlos, tido como próximo de Eugênio Laborinho.

Alfredo Eduardo Manuel Mingas “Panda” tem a patente de comissário-geral, a mais alta da hierarquia da corporação, por conta do cargo anterior de comandante-geral da Polícia Nacional que exerceu entre Novembro de 2017 a Julho de 2018. No ano de 2019 esteve a frequentar o curso de estratégia e arte operativa na Escola Superior de Guerra, em Luanda, onde os alunos são obrigados a apresentarem-se fardados e com as respetivas patentes.

Irritado por ver o seu antecessor fardado e com as patentes iguais as suas, Paulo de Almeida, tão logo que terminou a quadra festiva fez uma reclamação junto ao ministro do interior – por via de uma comunicação escrita – alertando que “o posto policial Comissário Geral é reservado ao Comandante – Geral da Policia Nacional, em exercício de funções”.

“Havendo a necessidade de se regular a hierarquia de patentes a nível do Comando Geral face a coabitação do posto de Comissário Geral do actual Comandante e o cessante que também se encontra no activo na condição de adido proponho a vossa excelência que seja desgraduado ao posto de Comissário Chefe, o Comissario Geral Alfredo Eduardo Manuel Mingas graduado através da ordem do comandante em chefe n° 45/17 de 17 de Novembro”, lê-se na comunicação de Paulo de Almeida que o Club-K teve acesso.

Antecedentes: O caso Armindo do Espírito Santo Vieira

De acordo com registros a criação do Posto de Comissário-Geral no topo da hierarquia da Polícia Nacional foi aprovado pela Assembleia Nacional em Abril de 1993 por via da Lei n.º 4/93.

Em 2016, o então Presidente José Eduardo dos Santos através da Ordem do Comandante-Em-Chefe n.º 1/16 promoveu o antigo vice-Ministro do interior da década de 90, Armindo Fernandes do Espírito Santo Vieira ao Posto Policial de Comissário Geral. Na altura da promoção, Armindo do Espírito Santo Vieira exercia funções de embaixador de Angola no Vaticano. Porém, com a entrada de João Lourenço no poder, Armindo do Espírito Santo Vieira seria Licenciado à reforma como Comissário-Geral conforme consta na Ordem do Comandante-Em-Chefe n.º 22/18 que o Club-K teve acesso.

Em meios policiais, alega-se que Paulo de Almeida esteja a procurar um “não assunto” e que a sua implicância em propor a desgraduação do seu antecessor surgiu depois de ter-se sentido perturbado com insistentes rumores insinuando a um possível regresso de Alfredo Eduardo Manuel Mingas “Panda” como comandante-geral da Policia Nacional, em Angola.

Paulo de Almeida, segundo fontes do regime, está em vias de passar a reforma, por limite de idade, porém contra a sua vontade.