Congresso da UNITA: ACJ luta para Manter coesão apesar de ser um “desafio enorme”

Adalberto Costa Júnior, que concorre sozinho à liderança da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), disse que a sua luta será para manter a coesão interna apesar de ser um desafio enorme e difícil, declarou no final da cerimónia de arranque do XIII Congresso ordinário do partido, que o Tribunal Constitucional mandou repetir, após anular o que tinha sido realizado em 2019 e no qual foi eleito presidente da força política.

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Repórter Angoka

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O XIII congresso da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) arrancou  hoje, no município de Viana, província de Luanda, com um candidato apenas a concorrer à liderança do maior partido da oposição angolana.

 

O principal partido da oposição em Angola repete o congresso de 2019 que o Tribunal Constitucional anulou, mas, em vez de uma disputa eleitoral, preparou uma demonstração de unidade em torno de Adalberto Costa Júnior.

 

Na primeira vez, Adalberto Costa Júnior teve concorrência, obrigado a disputar a liderança com outros quatro candidatos. Agora, dois anos volvidos da vitória no XIII Congresso da UNITA, o principal partido da oposição em Angola prepara-se para, a partir desta quinta-feira e até sábado, consagrar o seu presidente em eleições sem concorrência, para reforçar a sua figura como líder do partido, de uma frente ampla da oposição e como adversário importante para João Lourenço que vai procurar a reeleição.

O candidato à liderança da UNITA, maior partido da oposição angolana, disse hoje que manter a coesão interna é um “desafio enorme”, garantindo que é uma pessoa de diálogo e assim continuará a ser.

 

Adalberto Costa Júnior, que concorre sozinho à liderança da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), falava em declarações à Lusa, no final da cerimónia de arranque do XIII Congresso ordinário do partido, que o Tribunal Constitucional mandou repetir, após anular o que tinha sido realizado em 2019 e no qual foi eleito presidente da força política.

 

Instado a comentar a recente suspensão de alguns militantes do partido, Adalberto Costa Júnior frisou que os partidos têm normas, regras e estatutos, que devem ser cumpridos por todos.

 

“Quem quer que seja, do mais pequeno ao mais alto, da direita e da esquerda, tem que respeitar os estatutos. A este nível não há palavras complementares, o respeito aos estatutos é uma obrigação, respeitados os estatutos o diálogo é uma garantia absoluta”, vincou.

 

Segundo Adalberto Costa Júnior, a coesão interna exige “desafios muito grandes, enormes”, mas está aberto ao diálogo: “Somos pessoas de diálogo e vamos continuar a ser pessoas de diálogo”.

 

Sobre o conclave que arrancou sob o lema “Unidade e Cidadania para a Alternância” e termina no sábado com a eleição do novo líder do partido, Adalberto Costa Júnior manifestou satisfação pelo número de pessoas presentes, nomeadamente representantes do corpo diplomático, partidos políticos, sociedade civil e igreja, realçando ainda o entusiasmo dos 1.150 delegados de todo o país e do exterior.

 

“Temos aqui o pleno, praticamente, de todos os delegados, de todas as províncias, também um número, apesar da covid, de razoável número de delegados do exterior, então só posso dizer que estou satisfeito”, afirmou.

 

Adalberto Costa Júnior recordou que é um congresso que se está a repetir, por uma necessidade de assumir a deliberação do acórdão do Tribunal Constitucional (TC).

 

“Estou aqui para dizer que tenho a certeza que os trabalhos vão correr bem. Os desafios são grandes, fundamentalmente porque o país todo está com o olhar no congresso da UNITA. Não é mais um congresso que atrai a atenção dos membros do partido”, considerou.

 

Para Adalberto Costa Júnior, “hoje os atos passados trouxeram toda a atenção, toda a expectativa”, devido à anulação do congresso.

 

“A anulação do congresso da UNITA perturbou a sociedade, é visível esta realidade, pelo que eu espero que as instituições tenham um passo de resgate da sua credibilidade. Nós vamos fazer tudo para poder ajudar a criar diálogo e estabilidade e, portanto, seguramente auguramos um futuro que possa reforçar os alicerces do Estado de direito e democrático”, salientou.

 

O líder cessante do partido, Isaías Samakuva, a quem coube o discurso de abertura do congresso, com uma mensagem bastante virada para a coesão interna, considerou à Lusa que as recentes suspensões de militantes do partido não representam qualquer fragmentação.

 

“Não direi tanto que haja fragmentação, onde há dois homens, há duas pessoas, há sempre alguns desentendimentos e quando isso acontece é necessário que as pessoas presentes ou até as próprias pessoas procurem resolver e ultrapassar rapidamente esses desentendimentos”, referiu.

 

De acordo com Isaías Samakuva, até na aldeia, “os mais velhos, nesses casos, têm que chamar a atenção às pessoas e ver se evitam situações piores”.

 

“De modo que, numa fase dessas, tão delicada do partido, em que nós precisamos de facto de andar para frente, só podemos andar para a frente se estivermos verdadeiramente unidos. Momentos desta natureza apelam para que nós nos preocupemos com situações destas e chamemos a atenção necessária indicando o caminho”, acrescentou.

 

Isaías Samakuva, que esteve na liderança do partido por 16 anos, assumindo o cargo depois da morte do líder fundador da UNITA, Jonas Savimbi, em 2002, sublinhou que estas “são questões que acontecem, às vezes incompreensões, outras vezes má leitura do que se deve fazer”.

 

“De modo que são coisas simples, mas que às vezes causam esses mal-entendidos, que eu estou em crer vão ser ultrapassados”, disse, manifestando confiança no bom andamento dos trabalhos.

 

Relativamente às interferências externas que vem sofrendo o partido, Isaías Samakuva disse que é notório em Angola, que “sobretudo os partidos políticos na oposição” sofrem essas interferências o que acaba por prejudicar a boa marcha das forças políticas.

 

“É importante que o Estado seja mesmo uma pessoa de bem, que olha pelo bem-estar e pela harmonia de todos. O Estado, ao fim e ao cabo é gerido por homens, fazemos menção a essas situações na busca de melhor entendimento, de encontrar correção daquilo que de mal se faz, eu penso que é oportuna”, avançou.

 

“[O congresso] começou bem, não tenho razões de pensar que alguma coisa estranha venha a acontecer no congresso”, expressou.