Concurso de professores anulado por corrupção no Bengo, ainda “sem culpados”

Depois da anulação do concurso público para a admissão de novos professores na província angolana do Bengo, por causa de corrupção, citadinos pedem responsabilização dos infratores.

DR

Dw

Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on print

Foi por via da ministra da Educação que o Governo angolano tornou pública a informação sobre a anulação do concurso de professores. Na ocasião, Luísa Grilo reconheceu ter havido graves irregularidades, razão pela qual se determinou a anulação do concurso.

A governante explicou que, em alguns casos, podem até configurar crime e que o dossiêr está na posse da Procuradoria-Geral da República (PGR). Os candidatos apontam algumas das irregularidades no processo.

“Assediaram candidatos para colaborarem”

“As pessoas que formaram o júri do mesmo concurso, assediaram os candidatos em função de colaboração. Não especificaram o preço, mas foram fazendo ligação no sentido que tinham que colaborar”, denuncia Silvestre José.

Já Manuel António revela o seguinte: “Podemos constatar que houve candidatos que tiveram notas como 2, 3, 4 valores e foram.

admitidos. Isto é uma plena injustiça e estamos descontentes com isso”.

Alguns candidatos também puseram em causa a lista provisória, na qual não foi possível verem as suas notas. Mesmo na lista definitiva, muitos não conseguiram ver os resultados finais. Estes professores “exigem justiça e transparência”.

O silêncio do PGR

O jurista angolano, Hermenegildo Alves, entende que ninguém deve sair impune deste processo.

“Tem de haver uma responsabilização destes agentes. Estamos perante atos ilícitos, que devem ser responsabilizados e o fator temporal aqui fala mais alto. Penso que já faz tempo do PGR pronunciar-se acerca deste processo.”

De lá para cá, aguarda-se pela responsabilização dos infratores. A procuradora titular no Bengo, Carla Correia, avança que o processo decorre em segredo de justiça.

“Está a correr em instrução preparatória um processo-crime contra o coletivo de júris e alguns candidatos”, diz.

Detido por suborno

No entanto, mais de 6.000 candidatos concorrem a 489 vagas no novo concurso para contratação de professores. Nesta edição, parece que ninguém quer falhar e a Comissão de Júri faz de tudo para garantir a transparência do processo. Por tentativa de suborno, quatro candidatos foram detidos pela Polícia Nacional, tal como conta o porta-voz dos jurados, Ngongo Mbaxi.

“Há um terceiro candidato que chegou aqui com cerca de 250.000 Kwanzas, solicitando que o jurado lhe proporcionasse uma vaga para a mesma e o júri negou. Um dos membros levou-o da sala do concurso, onde reiterou a intenção e foi apresentado à polícia”, conta.

Nova oportunidade

Em comparação com a edição anterior, os candidatos aplaudem a organização deste concurso.

“Até ao momento, não há motivos e nem razão de queixa, daí que a satisfação seja enorme. Diferente do que aconteceu no ano passado, dá para dizer que o processo está a correr o melhor possível”, diz Severiano Catanha.

E Dumilde Pascoal afirma: “Não tenho nada apontar neste novo concurso”.

A província do Bengo conta com 220 escolas primárias, sendo que 211 são de ensino público e nove do ensino privado. Estão matriculados nas escolas da província do Bengo, neste ano letivo, 99 mil e 886 estudantes do ensino primário, da 1ª à 6ª classe, e 1019, na iniciação. Para assegurar o ano letivo, estão disponíveis 4,017 professores da iniciação, ensino primário e 1º e 2º ciclo.

PUB