Caso Simão Kimbango: Ministério da Cultura esclarece crise de liderança

Ministério da Cultura, responde a publicação do Reporter Angola, sobre a igreja Kimbanguista onde o seu líder é procurado e proibido de pisar na República do Congo RDC.

DR

Repórter Angola

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NOTA DE ESCLARECIMENTO

 

O Instituto Nacional para os Assuntos Religiosos (INAR), tomou conhecimento de uma matéria publicada, recentemente, no portal “Repórter Angola”, com o título “Falso pastor Paul Kisolokele lidera Kimbango em Angola com ajuda do Ministério da Cultura”.

 

Em face disso, o INAR, entidade superintendida pelo Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente, vem esclarecer o seguinte:

A Igreja de Jesus Cristo Sobre a Terra (Kimbanguista), fundada aos 6 de Abril de 1921, pelo profeta Simon Kimbangu, na República Democrática do Congo (RDC), é uma instituição religiosa reconhecida pelo Estado Angolano, à luz do Decreto Executivo n.º 9/87, de 24 de Janeiro.

 

As normas internas, Estatuto Orgânico da Igreja de Jesus Cristo Sobre a Terra (Kimbanguista), estipula uma estrutura orgânica em dois níveis hierárquicos fundamentais: uma de carácter internacional e outra de carácter nacional. A nível internacional, a igreja é legalmente representada pelo Chefe Espiritual e pelos Chefes Espirituais Adjuntos (26 netos do Profeta Simon Kimbangu), e a nível de cada país onde a Igreja está implantada, o Estatuto Orgânico determina que o Representante Legal é um dos Chefes Espirituais Adjuntos com residência naquele país.

 

O Senhor Kisolokele Kiangani Paul é um dos 26 netos de descendência consanguínea directa do Profeta Simon Kimbangu, e nesta qualidade, conforme o artigo 19.º do Estatuto da Igreja Kimbanguista, ele foi enviado para Angola em 1997, pelo seu pai, Dialungana Kiangani Salomon, para dirigir a comunidade, a pedido da Direcção da Igreja Kimbanguista em Angola, liderada na altura pelo Reverendo Miguel Nunes Diafuka. O trabalho do Senhor Kisolokele Kiangani Paul foi interrompido em 2003, por questões de calúnias e difamação perpetradas por um grupo de supostos reformistas, comandado a partir de Nkamba, República Democrática do Congo, tendo regressado à liderança da Igreja no ano de 2014, depois de ultrapassado esse problema.

 

Desde a sua implantação na República de Angola, a Igreja Kimbanguista foi sempre a “coroa da joia” da sede mundial, em Nkamba-Nova Jerusalém, República Democrática do Congo (RDC), já que era com os recursos financeiros, provenientes das contribuições e doações dos fiéis angolanos e que eram enviados para a sede mundial durante décadas, que Nkamba-Nova Jerusalém constituiu-se num património de referência religioso no mundo, enquanto a Igreja Kimbanguista em Angola continuava cada vez mais pobre, sem infraestruturas adequadas e nem projectos sociais que beneficiassem a própria comunidade de fiéis.

 

A crise da Igreja Kimbanguista em Angola começou, há cerca de 20 anos, precisamente, a partir do momento que a liderança de Sua Grandeza Kisolokele Kiangani Paul começou a apostar na melhoria das condições internas da comunidade, com programas sociais nas áreas da educação, da saúde e da agricultura, tornando Igreja Kimbanguista numa organização religiosa moderna e de referência a nível nacional, com lugares de cultos adequados e projectos sociais que beneficiam a sociedade angolana e não só.

 

O Estado Angolano, através do Instituto Nacional para os Assuntos Religiosos e outras instituições, procurou sempre uma plataforma de aproximação, através do diálogo e entendimento entre as partes, intermediando o conflito, com o objectivo de se alcançar a reconciliação e a unificação da Igreja Kimbanguista em Angola, facto que até aos dias de hoje não foi atingido.

 

O Estado Angolano reconhece como Líder Espiritual e Representante Legal da Igreja de Jesus Cristo Sobre a Terra em Angola (Kimbanguista), Sua Grandeza Kisolokele Kiangani Paul e não o Senhor Reverendo Daniel Sebastião da Silva.

 

O Senhor Reverendo Daniel Sebastião da Silva, ao apresentar-se como Presidente Delegado do Colégio Executivo Nacional, da Igreja de Jesus Cristo sobre a Terra em Angola (Kimbanguista), liderada por Sua Grandeza Kisolokele Kiangani Paul, viola o disposto na Lei sobre a Liberdade de Religião e de Culto, pois é considerado dissidente, e a constituição do seu grupo resultou de cisão ou desmembramento, e como tal, não tem legitimidade de representação dessa denominação religiosa, nos termos da Lei.

 

O artigo 57.º da Lei 12/19, de 14 de Maio, estabelece que os conflitos sobre a liberdade de religião e de culto resolvem-se na base da tolerância, de modo a respeitar a liberdade de cada um, sem prejuízo da intervenção do Estado para a protecção e garantia dos bens, valores e interesses constitucional e legalmente protegidos.

 

Nestes termos, o Instituto Nacional para os Assuntos Religiosos (INAR), apela, pois, ao diálogo, à reconciliação, ao perdão, à unidade e à compreensão mútua no seio da Igreja de Jesus Cristo sobre a Terra (Kimbanguista) em Angola, e não só, a fim de continuarem a contribuir para a consolidação da Paz, da Unidade Nacional e do Desenvolvimento Sustentável.

 

“A CULTURA FORTALECE A NAÇÃO – MAIS CULTURA, MAIS ANGOLA”

 

Luanda, 7 de Janeiro de 2022

 

O DIRECTOR GERAL

 

FRANCISCO DE CASTRO MARIA