Caso IURD: Juiz impediu tentativa de “enaltecer” João Lourenço em tribunal por Valente Bizerra Luís

O ex-bispo da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) em Angola, Valente Bizerra Luis, esclareceu em tribunal que a organização em que faz parte “nunca fez parte de uma instituição criminosa de cariz internacional”.

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A chegada da IURD em 92 marcou a eclosão das seitas religiosas pirotécnicas e apelativas.

Estas seitas eram lideradas por estrangeiros, autoproclamados profetas, que ludibriavam os incautos com promessas de enriquecimento, de salvação e libertação mediante, “OFERTAS GENEROSAS”.

Ouvido na quinta-feira, 13, na retomada do julgamento conhecido como “caso IURD”, Valente Bizerra Luís, queixoso no processo, afirmou que “a máfia não está na igreja”, enquanto instituição que ministra a palavra de Deus, “mas sim nos pastores destacados na congregação”.

Valente Bizerra Luís, que disse ser membro da IURD Angola há mais de 20 anos, disse aos juízes não ter provas de que a igreja terá feito transferência de somas avultadas em dinheiro para a República Federativa do Brasil.

Questionado sobre quais eram os destinos dados a esses valores, Valente Bezerra Luís não soube dizer.

 

Na audiência desta quinta-feira, 13, o antigo vice-presidente do conselho de direcção da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) no país, actual líder da ala angolana, disse esta quinta-feira, 13, em tribunal, que este julgamento só agora aconteceu por causa do programa de combate à corrupção levado a cabo pelo Presidente João Lourenço, acusando o Executivo de José Eduardo dos Santos (JES) de proteger os dirigentes da IURD.

 

Valente Bezerra Luís, garantiu que vários pastores e bispos apresentaram queixas e denúncias às autoridades, mas não foram levados a sério.

O juiz principal não gostou e advertiu-o: “Senhor bispo Valente Bezerra Luís, isso é discurso político e não vamos entrar por aí”, advertiu o Juiz principal da causa.

Aos juízes, o bispo assegurou que a Igreja Universal do Reino de Deus não é uma igreja criminosa, “apesar de ter bispos e pastores que não são boas pessoas”.

Sobre a situação da prática de vasectomia na igreja, o bispo da ala angolana, aproveitou a ocasião para esclarecer que, os pastores que a faziam não eram obrigados, mas recebiam um tratamento menos bom dos líderes em relação aos que faziam.

Quanto à famosa “Fogueira Santa”, o antigo vice-presidente do conselho de direcção da IURD em Angola e actual líder da ala angolana disse que a mesma visa apenas a salvação das almas e dar bênçãos aos crentes, tal como assegurou no seu depoimento o bispo brasileiro Honorilton Gonçalves.

Sobre a finalidade das doações da “Fogueira Santa”, respondeu que tinha a finalidade de abençoar os fiéis, mas que notou depois que “muitos pastores extorquiam os fiéis e davam outros destinos às ofertas”.

As sessões de quarta e quinta-feira ficaram marcadas pela ausência do advogado da parte queixosa, David Mendes.

Quem também está ausente das sessões de julgamento é o bispo brasileiro, Honorilton Gonçalves, ex-líder espiritual da IURD em Angola e Moçambique, que se encontra no Brasil onde passou a quadra festiva.

São arguidos neste julgamento os bispos e pastores Honorilton Gonçalves, António Miguel Ferraz, Belo Kifua e Fernando Henriques Teixeira, todos acusados dos crimes de associação de malfeitores, evasão de divisas, branqueamento de capitais e violência doméstica.