Caso JEFRAN: Trabalhadores e clientes sentem-se lesados pela justiça depois de arresto de vilas.

Mais de 250 trabalhadores da JEFRAN e alguns clientes sentem-se lesados pela Justiça angolana que arrestou os bens do Empresário Francisco Silva, acusado de burlar mais de 400 famílias, que entre 2012 a 2016 deram a imobiliária JEFRAN  os seus valores para aquisição de moradias a renda resolúvel.

Jonas Pensador

Repórter Angola

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trabalhadores da JEFRA

Mais de 250 trabalhadores da JEFRAN e alguns clientes sentem-se lesados pela Justiça angolana que arrestou os bens do Empresário Francisco Silva, acusado de burlar mais de 400 famílias, que entre 2012 a 2016 deram a imobiliária JEFRAN  os seus valores para aquisição de moradias a renda resolúvel.

Apoiados pelo INADEC, os mesmos intentaram uma ação cível e Administrativo junto do Tribunal Provincial de Luanda, este por sua vez encerrou as portas da imobiliária Jefran com o arresto de vilas do Jericó,  de Hebron , da Master Seguro e da Construtora Choco Bles, deixando apenas a vila do Nínive por alegadamente ter clientes Juízes e procuradores.

Entretanto, dezenas de cidadãos, entre funcionários e autodenominados lesados do INADEC e do Tribunal de Luanda, reuniram-se no último fim-de-semana, na Vila Jericó, sita no Benfica, em  Luanda, para contestarem a medida de arresto dos bens da Jefran.

Entre os lesados ouvidos pela nossa reportagem, constam mais de 270 funcionários  que agora arriscam ir ao desemprego e mais de 50 clientes que adquiriram as suas casas a pronto pagamento e que a empresa estaria a fazer acabamento para as entregar entre novembro e dezembro.

Ana Mateus é uma das clientes disse ao Repórter Angola, não ter problemas com a JEFRAN, pós esperou de forma pacifica há três anos e a sua casa estava para ser concluída ainda no mês de Novembro.

“ será que isso vai ficar parado até março?, como fica o meu caso, se o processo de conclusão da minha casa estava em andamento e a justiça veio encerrar as portas” lamenta, “ aqui têm funcionários que queriam dar um Natal feliz à suas famílias, como fica? É injusto”. Questionada se a justiça estaria a ser favorável aos clientes da JEFRAN que se sentiram lesados, Ana Mateus respondeu, ser “legitimo que qualquer cidadão que sente os seus interesses lesados recorre a justiça e apresenta reclamação, mas porém, deve haver dialogo e encontrar uma solução pacifica, imagine que Eu fiz o pagamento na totalidade e a minha casa estava a seguir o seu curso normal, este sábado estava para receber a minha casa, e chega a Juíza encerra a empresa e Eu que nunca tive problemas com a JEFRAN, como fico? Aonde fico? Também tenho meus filhos, minha família!”.

Ana Mateus sente-se  lesada pela justiça, este portal ouviu igualmente outros clientes da vila de Jericó que estariam a fazer uma remodelação das obras , que viram o tribunal a lhes proibir de qualquer movimentos.

Joelma é uma das presentes nesta reunião de sábado, mostra-se agastada com a decisão de arresto de empresas ligadas ao Francisco Silva e apela o recuou as instituições de justiça.

“o Governo deveria se aliar a este jovem herói, porque está a construir casa e ajudar famílias, quer no emprego directo quer dos beneficiários que são mais de 5 milhões, onde é que vais encontrar uma casa a 15 ou 20 milhões neste período em Angola e ainda pode-se pagar a renda resolúvel ”apelou e questiona “ aonde fica um condomínio do Kopelipa ou do Bento Kangamba que Eu possa ir lá procurar uma casa a 20 milhões e pagar por prestações, claro que não existe, agora se perguntem quantos jovens conseguiram uma casa através da JEFRAN? É essa a pergunta que não vai se calar ou seja quantas pessoas já receberam as casas nas mais de 29 vilas e menos o numero de descontentes, teremos um numero elevado de beneficiadores” frisou Joelma.

Tudo bem que os lesados têm os seus direitos de reclamar, mais vamos fazê-lo com prudência para salvaguardamos os empregos, os interesses da empresa para continuar aberta e resolver os problemas dos mesmos lesados e mais clientes, por que com arrestos os mesmos nunca vão ter os problemas resolvidos, que o diz é um comissário da Polícia na condição de um dos clientes que agora se vê lesado, com a decisão do arresto, sob anonimato o Senhor aparentemente ter 58 anos, diz que “ comprei a casa a pronto pagamento, está ali e como não estava bem acabado tentei fazer algumas remodelações chamando outra empresa, e vi que fomos proibidos de continuar com as obras por esta decisão de arresto pelo Tribunal, mas eu sou cliente e já beneficiei –me da casa, não tenho nenhum problema com a JEFRAN” denuncia.

Joelma aponta como solução que “ o processo continuasse a ser resolvido na justiça, mais que se desse oportunidade ao Sr. Francisco Silva a trabalhar e resolver este problema num prazo, porque o país todo está em crise, é um homem individual que decidiu fazer as casas, sem apoio do governo”.

Ana Mateus questiona “ o quê que o Tribunal quer afinal, receber as casas daqueles que pagaram na totalidade e dar naqueles que se dizem lesados que não pagaram na totalidade?”.

Vânia Cruz é uma das trabalhadoras da JEFRAN, disse a este portal, desapontada e sente-se lesada com a situação.

“sinto-me lesada, da juíza que veio confiscar a empresa, porque somos todos funcionários, estamos parados, como é que vamos sustentar as nossas famílias, estamos em casa, é muito complicado”.

O oficial do Interior vai mais adiante “as maquinas estão ali seladas, retiraram a segurança da empresa e não meterem nem se quer a Policia no local para proteger os meios da empresa, é anormal, isso não se faz.

Eduardo Cuvenal é outro trabalhador que perde o emprego, e pede cautela da Juíza que arrestou os bens de Francisco Silva, e alerta para o perigo de aumento nas estatísticas anunciado pelo Presidente João Lourenço sobre o desemprego no país, no seu discurso sobre o estado da nação.

“encontramo-nos parados devido arresto, respeitando a medida do tribunal, agora pergunto, como é que os lesado,  vão ver os seus problemas resolvidos se a empresa continuar fechada?, são mais de 220 trabalhadores em casa, temos filhos e contas por pagar, gostaria de apelar que repensem nesta decisão, a justiça e a juíza que decidiu esta medida, porque a nível da empresa nós temos um cronograma que temos que cumprir, ficando parados fia difícil para dar resposta daqueles clientes que necessitam e já pagaram” apelou Eduardo.

 

 

O Tribunal de Luanda decretou, entre Quarta-feira, 07 e 12 deste mês , o arresto preventivo do edifício onde funciona a construtora imobiliária Jefran, sito na rua Dr. João Bezerra da Silva, via expressa, sentido Camama-Benfica, tendo prosseguido com o arresto das vilas de Jerico, a Vila do Ministro e a Master Seguro, bem como a construtora Xico Bless.

Jefran junta-se à AADIC para resolver suposta burla aos clientes

A Jefran estabeleceu uma parceria com a Associação Angolana dos Direitos do Consumidor (AADIC), que torna este órgão no provedor do cliente da imobiliária, segundo informações avançadas no inicio de outubro.

Na ocasião, Francisco da Silva, PCA da Jefran, assegurou que a parceria com a AADIC surge para reforçar a comunicação da empresa para com os clientes. “A nossa comunicação com os clientes foi muito defeituosa e nós estamos a lutar para melhorar esta situação, por isso, delegámos a AADIC de forma a que seja o nosso provedor do cliente”, disse.

O líder da construtora negou também que seja testa de ferro de alguém e desafiou a imprensa a investigar e a trazer nomes concretos. Por sua vez, Jordão Coelho, vice-presidente da AADIC, garantiu que a instituição que representa adoptará uma posição autónoma por forma “a fazer parte da solução e não do problema”.

Jordão Coelho descartou qualquer possibilidade de a ligação com a Jefran gerar conflito de interesses. A AADIC desempenhará um papel pedagógico, tendo como uma das principais funções qualificar os funcionários da Jefran que lidarão com as reclamações de clientes.

O provedor do cliente é um órgão independente das estruturas das empresas, públicas ou privadas, ao qual um cliente insatisfeito pode recorrer para se fazer ouvir.

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