AngoSat, Os catamarãs, o metrô de superfície e a “pirataria” que assalta os cofres do Estado e engana os angolanos

“Governantes corruptos utilizam estes setores, transportes e obras públicas, para financiar as suas campanhas eleitorais. É por isso que este tipo de projectos surgem sempre em véspera de eleições. Não haja dúvidas de que o dinheiro do metrô será usado na campanha dos camaradas”, alertam analistas

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Jornal24h

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O Ministério dos Transportes, ao longo dos tempos, tem sido um dos departamentos governamentais em que reina a maior “pirataria” que assalta os cofres do Estado e suga as riquezas nacionais.

A propósito do recente anúncio sobre a construção do metrô de superfície de Luanda, feito, mais uma vez, pelo ministro dos Transportes Ricardo de Abreu, importa dizer que é um projecto que tem sido anunciado ano após ano e já data do regime anterior. A cada ano uma nova proposta, novas visões e novas datas para a sua implementação. Algum tempo depois surgem justificações para mais um adiamento e o ciclo de promessas volta a repetir-se.

Desta feita, o governo reitera a promessa de construção do metrô, recorrendo ao velho argumento de que pretende melhorar a situação da mobilidade urbana de Luanda e a qualidade de vida dos cidadãos, bem como oferecer uma alternativa de transporte com menor impacto ambiental.

Entretanto, desde 2014, ainda na era da governação do Presidente José Eduardo dos Santos, que se fala da construção de um metrô em Luanda e estava mesmo previsto que o mesmo entraria em funcionamento no primeiro semestre de 2017, ou seja, no ano em que João Lourenço foi eleito, mas o plano nunca foi concretizado, apesar de terem sido disponibilizadas somas avultadas para o estudo de viabilidade técnica.

A questão da “situação da mobilidade urbana de Luanda e a qualidade de vida dos cidadãos, bem como oferecer uma alternativa de transporte com menor impacto ambiental”, tem sido na verdade o “refrão” batido e rebatido do regime, nomedamente do Ministério dos Transportes(Mintrans), pergunte-se ao Augusto Tomás, para ludibriar a opinião pública e a sociedade em geral, proporcionando formas de organizar esquemas que têm lesado o Estado angolano em centenas de milhões de dólares consecutivamente.

Recorde-se aqui a grande falcatrua que foi a aquisição dos catamarãs. Alguém se recorda dos catamarãs? Na altura, o Executivo, alegando inovação para apostar “num papel muito determinante na introdução de soluções que permitem, de forma adequada, resolver e criar alternativasàs necessidades das populações”, resolveu introduzir no sistema de transporte em Luanda embarcações marítimas de transporte de passageiros, vulgo catamarãs, que deveriam contar com oito terminais de emebarque e desembarque de passageiros que seriam construídos ao longo da costa da província de Luanda.

Antes mesmo da construção dos terminais, foram adquiridas quatro embarcações que passaram a fazer o percurso Porto de Luanda/Kapossoca e Benfica (Museu da Escravatura)/Porto de Luanda para apoiar, numa primeira fase, os habitantes da zona sul de Luanda para chegarem, com mais facilidade, ao centro da cidade, um processo muitas vezes dificultado pelo congestionamento do trânsito no troço Benfica/Samba e para o centro.

Contudo, das quatro embarcações pagas na totalidade, apenas duas chegaram a Luanda, fazendo o referido trajecto e transportando diariamente mais de dez mil pessoas que passaram a utilizar os serviços marítimosassegurados pelo dois «ferry-boats», com capacidade para 420 passageiros cada um.

O atraso na chegada das outras duas embarcações, já pagas, começou a gerar suspeições e, diante do montante pago pelo Estado, 79 milhões de dólares, acendeu-se de imediato uma luz vermelha de alarme!

Segundo especialistas ligados ao sector, houve um esquema de sobrefacturação bastante alto, porque o custo de quatro embarcações daquele tipo não execediam 10 milhões de dólares, o que pressupõe que cerca de 69 milhões de dólares foram parar em mãos indevidas.

Posteriormente, os outros dois catamarãs chegaram, mas começaram logo os problemas, com justificaçãoes de todo o tipo por parte dos funcionários, tanto da empresa que geria os catamarãs, como do próprio Mintrans. Ora porque faltava pessoal preparado, ora porque não havia peças sobressalentes e tinham que ser importadas, etc, etc, etc.

Em cerca de dez meses os catamarãs “foram à vida” e hoje encontram-se a apodrecer à vista de tudo e de todos, sem que os responsáveis do Mintrans se preocupem com o estado em que se encontram depois de terem custado astronómicas somas aos cofres públicos.

Ao que consta hoje, as embarcações adquiridas pelo Governo angolano eram de ocasião, ou seja, apesar de aparência conservada, já eram bastante velhas, daí o seu curto tempo de duração ao serviço de Angola, estando agora na condição de sucata.

Assim vai a governação de Angola, em que pessoas entram, pessoas saem, mas ninguém pode tocar ou modificar o sistema implantado. Governante que entra para trabalhar bem, prestar contas e honrar o seu bom nome, não é benquisto e logo sofre consequências drásticas. O “bom” governante, no sistema angolano, é aquele que chega, não tuge nem muge, dorme à “sombra da bananeira” e rouba a bom roubar; esse é bom militante do MPLA e digno de pertencer ao Executivo.

Voltando à construção do metrô de superfície de Luanda, na visão de analistas e mesmo de cidadãos comuns, é apenas mais um projecto cujos milhões servirão para alimentar a corrupção dos governantes, em vez de beneficiar os cidadãos angolanos que, hoje por hoje, se debatem com a pior miséria de todos os tempos.

Luanda e Angola no seu todo, apesar dos investimentos, apesar da construção de diversas barragens, Ciclo Combinado, entre outros, ainda não tem, nunca teve, energia eléctrica estável, confiável. Então essa do metrô não será um “dejá vú”, em face do episódio dos catamarãs? Que tipo de metrô será? Movido a vapor, combustível ou electricidade?

Para os analistas, o dinheiro do metrô servirá para outros fins, como tem acontecido com muitos outros projectos, sobretudo nesta altura em que o partido da situação já está em aberta campanha eleitoral. “Governantes corruptos utilizam estes setores, transportes e obras públicas, para financiar as suas campanhas eleitorais. É por isso que este tipo de projectos surgem sempre em véspera de eleições. Não haja dúvidas de que o dinheiro do metrô será usado na campanha dos camaradas”, alertam.

Para haver desenvolvimento e crescimento económico, tem que haver um sistema eficiente e eficaz, onde a mobilidade dos meios permite que as pessoas se desloquem e transportem os seus produtos.

O Governo angolano anunciou em tempos que preparou um Plano Director do Ministério dos Transportes e Logísticas para a criação de um ambiente de negócios favorável capaz de gerar riqueza, valor acrescentado, emprego, e catalisador da diversificação da economia do País, mas tudo não tem passado de “música para boi dormir” e deixar passar o tempo.

Agora, ao aproximarem-se as eleições, tudo recomeça com promessas, ofertas e muita aldrabice como a que está em curso nas administrações municipais em que milhares de cidadãos estão a entregar os seus documentos para obter um emprego, como está a ser propalado e prometido pelos “propagandistas” dos que nada mais sabem fazer senão enganar os cidadãos.

É caso para questionar: entre os catamarãs e o metrô, onde fica a realidade?

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