Angolanos buscam bilhetes de identidade na Namíbia

“É uma vergonha que um país pobre tenha que acolher pessoas de um país rico”, diz dirigente da UNITA no Namibe.

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VOA

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Angolanos que entraram na Namíbia para fugir à seca, fome e desemprego estão a tentar obter bilhetes de identidade deste país, revela o jornal The Namibian

 

Muitos angolanos, continua aquela publicação, começaram a deslocar-se para centros de registo no norte da Namíbia depois das autoridades terem afirmado que sobas locais deveriam registar pessoas sem documentos nas suas aldeias e submeter os nomes para serem registados.

 

Há muitos angolanos em Ohangwena, Omusati e Cunene, muitos deles nem sequer tem documentos de identificação de Angola alegando estarem na Namíbia há muitos anos, revela o jornal.

 

As autoridades da Namibia, continua a publicação frisaram que só poderão ser naturalizados cidadãos aqueles que entraram na Namíbia entre Janeiro de 1978 e 1990

 

Entretanto, na semana passada, o Presidente angolano João Lourenço esteve no sul do país para estudar a mitigação do problema da seca e fome e anunciou algumas medidas.

 

Mas há cepticismo quanto à resolução dos problemas locais.

Vitorino Silepo, dirigente da UNITA no Namibe, afirma que só a racionalização das aguas do rio Cunene a favor da agricultura familiar pode resolver o problema.

“A solução passa necessariamente pelo reaproveitamento racional das águas do rio Cunene, grande rio caudaloso que de um lado está beneficiar à Namíbia e porque que é que este rio não beneficie a região sul, em que teríamos o deserto do Namibe irrigado para agricultura familiar”, defende.

 

“Está é a única garantia em termos de solução tal como a Namíbia faz e a sua população não passa mal com a nossa”, acrescenta aquele político da oposição para quem “é vergonhoso e preocupante que muita gente esteja a saltar o rio Cunene para República da Namíbia fugindo da fome”.

 

“É vergonhoso um país tão pobre ter que acolher cidadãos de um país rico”, conclui.

 

Francisco Tchimbwa, activista cívico no município do Tômbwa, afirma que a visita de João Lourenço ao Cunene “foi para o inglês ver” e que não há esperança para este povo sofredor.

 

“Esta é a incompetência do partido no poder, pois temmos 19 anos de paz mas seca está matando as pessoas e Governo sabe disso, o problema não é de hoje já é de muitos anos faz tempo”, denuncia.

 

Morre-se de fome no Namibe

 

Três anciãos e uma mulher, provenientes do interior do município do Virei afirmaram ter morrido nas últimas 72 horas sete pessoas por fome.

 

“Vim aqui para explicar que na localidade de Tchiheke morreram 7 pessoas”, revela Sebastião Mwandjetapo, que diz ter fugifo à fome”.

 

O activista Pedro de Sousa critica a forma como os membros da sociedade civil no Cunene que poderiam prestar uma informação isenta ao Presidente da República foram excluídos do fórum.

 

“Enquanto não tivermos um país para todos, em que a militância não fala mais que a cidadania não teremos soluções em Angola”, afirma.

 

Aquele activista acrescenta que “os líderes políticos têm que sentar e ouvir mais a sociedade, nós temos que ter um pacto nacional para dar solução aos problemas do povo”.

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