Angola celebra dia internacional da Fome com morte diária de 46 crianças

O Dia Mundial da Alimentação é comemorado em 16 de outubro em vários países do mundo. Essa data é um importante momento para avaliarmos questões relevantes a respeito da alimentação, tais como a fome, a segurança alimentar e nutricional, Em Angola segundo estatisticas, pelo menos 46 pessoas morrem por dia devido a fome e má nutrição.

Gabriel José

Repórter Angola

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A data foi escolhida para lembrar a criação da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), em 1945. A primeira comemoração da data ocorreu no ano de 1981, quando o tema abordado foi “A comida vem primeiro”.

Relatório Estatístico das autoridades sanitárias avançado ao Novo Jornal, aponta que em Angola por dia morrem 46 crianças de má nutrição em média.

Os populares ouvidos pelo Repórter Angola dizem que a pandemia foi como uma lente que aumentou e, mostrou o que de mau se passava no país, como as desigualdades sociais cada vez mais agravadas pela falta de uma leitura séria e clara dos valores que definem e que as políticas deviam ter como bases.
O exemplo, são os símbolos que se encontram na bandeira Nacional, a catana e a enchada, demonstrando que a agricultura é uma aposta à escala nacional e, não tarefa dos poucos chamados de camponezes e tão pouco uma actividade exclusiva para quem vive no espezinhado “mato”.
Os dados da Direcção Nacional da Saúde Pública, dão conta que durante os primeiros seis meses, o país registou setenta e seis mil casos de desnutrição e deste, oito mil quatrocentas e treze crianças morreram. Os números representam um quadro diário de quarenta seis crianças que morrem de fome.
E, outras estatísticas e relatos do povo, apontam para um número maior, fala-se de sobas que morrem por falta de comida. A fome roí até o corpo dizer a deus à vida.
Angola será verdadeiramente Angola, quando os políticos sentarem e perguntarem-se, ” quais são os valores e história desse paí?”
Essa história não é a guerra e a riqueza não é o petróleo, mas sim o que todos são capazes de fazer “pegar na enchada e catana para lavrar” argumenta o economista José Matamba em exclusivo ao Repórter Angola.
Eva Cândido Afonso é professora de Educação Moral e Cívica, disse que quando até sobas morrem de fome é prova de que o país está sem políticas sérias na agricultura. A docente avança ianda, Angola não devia chegar ao nível de o seu povo morrer de fome, mendigar, ou mesmo falta de água, não se percebe e é muito triste, lamenta.

“Sabe o que é morrer de fome? Eu vi gente a morrer porque não tem nada, nada mesmo para comer” interroga-se Felisberta Panzo, empregada doméstica. A senhora afirma, a covid-19 veio mostrar que viviámos num país governado por pessoas ilusionistas sem compromisso com o povo.
Bernardo Cinco Reis, morador do Morro Bento diz que a massa alimentar é hoje um luxo à mesa de muitos angolanos, é comida para quem pode e não para quem quer ou deve comer.

Domingas Sapalo, montou uma bancada em frente ao portão da casa dela, vende tomate, quiabo, peixe seco, cebola e alho, não consegue imaginar o que será do natal. A pequena quitandeira, teme ver os filhos passarem a quadra festiva lambendo os lábios secos.
E, falando em lábios secos, Jaquim Ngola, pai de seis filhos, encontramo-o deitado na esteira com os lábios calejados, perguntado-o se já pegou uma nota da nova família do kwanza, diz não e, até desconhece.

O natal afigura-se um pesadelo e, a luta traz resultados núlos para quem quer garantir o minímo da seia natalina, uma tradição milenar. O governo precisa olhar para a agricultura como factor de desenvolvimento, maturidade, consciência de um povo, e lembrar que as civilizações vieram da prática da agricultuta e Angola se quer se firmar como uma nação, então, as políticas têm de ser repensadas, afirmou Orlando Vemba, professor de História.

A catana e a enchada que se encontram na Bandeira Nacional, evocam a consciência dos antigos patriotas sobre que país os angolanos deviam ter e, a leitura por parte de quem governa foi mal feita, e o povo também de alguma forma não soube se posicional, como consequência, temos uma Angola estrangeira, tem tudo, mas nada tem. Pessoas a morrerem de fome e sede, comenta o Sociólogo Nguinamavo Cardoso.
Na visão do Sociólo, Angola é um país estrangeiro. Como é possível viver de importação? Como é possível morrer de sede, fome, dormir no chão? Fabrica cerveja, mas nem um comprimido?, questiona.

A pendemia da covid-19, no entender de alguns estudantes é como uma lente que aumentou os problemas que já existiam. Estes afirmam que Angola foi Luandizada e as consequências ficaram bem visíveis com a cerca sanitária. Dos vários argumentos, surge a mais frequente afirmação “distribuição territorial desigual”.

Os populares acreditam que o Natal deste ano, tendo em conta o aumento do número de casos será diferente e marcante na história.

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