Angola: 92% das crianças não assistiram tele-aulas da TPA.

Mais de 92% das crianças angolanas não assistem as aulas simuladas na TPA, denunciam encarregados de Educação. o regresso das aulas está previsto para 05 de Outubro, apesar de escolas angolanas não terem condições, face à ameaça de covid-19. "essas crianças não assistem as tais aulas, só ficam a brincar na rua e os filhos dos ricos que ficam em casa, se distraem com bonecos e jogos do Play", denunciam Maria Fátima. encarregada de educação.

Jonas Pensador

Repórter Angola

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as Tele-aulas apresentadas pela Televisão Pública de Angola, não tiveram aderência massiva das crianças devido o acesso das crianças as ruas, constatou o Repórter Angola, através depois de ouvir mais de 60 encarregados de educação em Luanda, Uige , Benguela, Cabinda, Lunda Norte e Huambo.

O regresso às aulas presenciais está previsto a partir de 05 de outubro, de forma faseada, para os diferentes graus de ensino em Angola, o Repórter Angola sabe que nem todas crianças assistiram as aulas.

“essas crianças não assistem as tais aulas, só ficam a brincar nas ruas e os filhos dos ricos que ficam em casa, se distraem com bonecos e jogos do Play”, denunciam Maria Fátima. encarregada de educação.

para Eduardo Afonso ” o Governo falhou muito e está a gastar muito dinheiro com transmissões dessas tele-aulas, só que infelizmente não pode e nem consegue fiscalizar” frisou, adiantando que ” cerca de 92% das crianças não assistiram as aulas em tempo de quarentena, porque em municipios do País não tem energia electrica, imagine que só no Municipio do Kimbele a Luz do Gerador só é fornecida das 18h as 20h, esses milhares de crianças perderam as tele-aulas da TPA que passavam durante o dia” refere Eduardo de 54 anos, a partir da Província do Uige, em declarações ao RA.

Um “Diagnóstico às Escolas sobre as Condições de Regresso às Aulas” foi realizado pelo Mosaiko — Instituto para a Cidadania e a Rede de organizações da sociedade civil de Educação para Todos (Rede EPT-Angola), em 70 escolas de nove províncias, entre julho e agosto deste ano, refere que das 70 escolas do ensino primário e 1.º ciclo inquiridas, na sua maioria públicas (54), 93% indicaram que não têm todas as condições necessárias para retomar as atividades letivas com segurança, sendo a falta de água, o número de torneiras disponíveis e a falta de casas de banho os principais condicionantes, citado pela Agencia Lusa.

A maioria das escolas (53%) tinham apenas uma ou duas casas de banho, sendo a média de alunos dos estabelecimentos de ensino que participaram no diagnóstico superior a mil.

Apenas cinco escolas responderam estar preparadas: duas escolas comparticipadas, em Luanda, e três estabelecimentos públicos (duas na Huíla e uma no Bengo).

As escolas reportaram também um acesso limitado à água, quer pelo número de torneiras (72% das escolas têm zero ou uma torneira disponível), quer pela irregularidade no abastecimento, identificado em 60% destes espaços.

Mais de 50% das escolas não têm água canalizada e 79% têm fontes alternativas, como tanque ou cacimba (poço).

Para minimizar o problema, cerca de 44% das escolas criaram sistemas de lavagem das mãos alternativos, sobretudo bidons com torneiras, mas quase todas referiram que são ainda insuficientes.

Apesar das dificuldades, a maioria das escolas é favorável o regresso às aulas presenciais ou semi-presenciais para assegurar o direito à Educação e a proteção das crianças, posição também defendida pela Rede EPT-Angola e o Mosaiko.

As duas instituições consideram, no relatório, que o encerramento das escolas “deixa as crianças e jovens marginalizados ainda mais para trás” em termos de acesso à educação e aprendizagem.

Destacam ainda que a escola, além do ensino dos conteúdos curriculares “tem outras funções no desenvolvimento da criança, como a de socialização e proteção para a saúde e proteção de ameaças à integridade física e psicológica”

Recomendam, por isso, que o Estado crie condições para o abastecimento regular de água nas escolas e aumento do número de torneiras ou criação de sistemas alternativos de lavagem de mãos com água e sabão, bem como criação de casas de banho funcionais.

As organizações alertam ainda que é preciso garantir “material de higienização e biossegurança suficiente” para evitar o contágio entre estudantes e professores e assegurar a não-propagação da doença.

As escolas devem ter número de funcionários suficiente para gerir a limpeza e o distanciamento físico, aconselham ainda os autores do estudo que diagnosticaram “escassez ou inexistência de funcionários de limpeza”.

Angola suspendeu as aulas em março logo após serem notificados os primeiros casos de covid-19 no país.

Estão atualmente confirmados 3.388 casos da doença, dos quais 134 óbitos, 1.301 recuperados e 1.953 ativos, incluindo dois doentes em estado crítico a receber tratamento por ventilação mecânica invasiva e 24 em situação grave.

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