7 Março: “Revús” completam 10 anos e dizem que a “luta continua”, em Angola

Este Domingo 7 de Março, celebra-se dez anos, desde que um grupo de jovens angolanos se auto-denominou de Movimento Revolucionário e lançou protestos e manifestações de ruas numa altura em que isso era praticamente inexistente e de alto risco em Angola. Agostinho Jonas Roberto dos Santos "Pensador", Carbono Casimiro, Mbanza Hamza, Luamba, Libertador, Pandita, Luaty Beirão e Mario Domingos entre os icones da luta anti- Zedu.

DR

Repórter Angola

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Uma tentativa de manifestação era convocada por via internet e agendada para 7 de março de 2011, como o fim do regime do então Presidente José Eduardo Dos Santos, que completaria 32 anos ao poder nesta altura, com a primaveira arabe a inspirar os ventos da mudança no Magreb, Jovens corajosos aderiram a causa em Angola, e foram neste mesmo dia detidos 17 activistas entre eles o Rapper Luaty Beirão e a Jornalista Ana Margoso.

por várias vezes foram atacados e agredidos e foram também alvo de acções judiciais como o conhecido processo dos 15 mais duas, em 2015, que os tornou conhecidos na gíria angolana como os “Revús”.

Muitos dos membros desse movimento dizem hoje que a “luta continua” mas são unânimes em considerar que as suas acções iniciadas ainda durante a presidência de José Eduardo dos Santos que os apelidou de “jovens frustrados sem sucesso académico”, serviram para tornar mais aberta a participação política da sociedade civil angolana.

 

O movimento alastrou-se rapidamente a várias cidades angolanas, onde jovens adoptaram rapidamente o mesmo nome de um movimento sem hierarquia de chefia.

 

Albano Bingo Bingo “revú” que integrou o conhecido grupo dos 17 entende que apesar de estarem de alguma forma fragilizados ainda assim fizeram em dez anos o que muitos da oposição partidária e ONGs não fizeram em 45 anos.

 

Bingo diz que o problema dos angolanos hoje é económico: “Do ponto de vista económico Angola encontra-se num caos”, disse.

 

“Não sou economista e nem é preciso porque eu vivo e sinto a realidade dos angolanos, hoje com cem mil kwanzas não se compra quase nada e não chega para aguentar um mês”, afirmou.

 

Já Emiliano Catumbela afirma que “nos dez anos de movimento penso que mudámos alguma coisa no país mas ainda não é o suficiente”, acrescentando que o quer “daqui p’rá frente é o derrube do regime do MPLA do poder” .

 

Catumbela diz que existem forças que têm inviabilizado esta luta e inclui nisso a própria oposição.

 

“Há partidos na oposição que são pagos para serem opositores em Angola”, disse.​

 

Osvaldo Caholo, um dos integrantes do conhecido grupo 15 mais duas e também o único militar na altura, diz por seu turno que “é a própria comunidade internacional que legitima o sofrimento dos angolanos quando reconhece os pleitos eleitorais fraudulentos que o MPLA realiza”.

 

“Ao serem os primeiros a reconhecerem isso faz com que a oposição vá a reboque e tome lugares na Assembleia Nacional enquanto o que acontece com a maioria da população é que continua na miséria”, disse.

 

Osvaldo Caholo considera que o recente anúncio de uma revisão constitucional “não passa de manobras de diversão e distração”.

 

“O objectivo desta gente nunca foi a democracia e bem-estar dos angolanos é a manutenção do poder acima de qualquer coisa e para isso eles fazem tudo ainda que seja matar os angolanos como ocorreu em Cafunfo, por exemplo”, acrescentou.

Doravante de acordo com os Revús as manifestações irão ocorrer defronte à embaixada dos Estados Unidos em Luanda porque acham que a comunidade internacional, em especial os norte-americanos, “fecham os olhos à desgraça dos angolanos”.

 

Os Revús tencionam assinalar os seus 10 anos com um festival de música Rap no Cacuaco no próximo domingo.

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