PGR ouviu os Generais Dino e Kopelipa

Suspeitos de corrupção, Helder Vieira Dias e Leopoldino Fragoso do Nascimento foram ouvidos na DNIAP durante sete horas. Em causa, processo relacionado com contratos entre o Estado e a empresa China International Fund, constituídos arguidos no início do mês. O processo que envolve os dois generais está associado aos negócios ligado a CIF- China Internacional Fund que levou o Serviço Nacional de Recuperação de Activos a apreender, em Fevereiro passado, dois edifícios ligados a esta empresa. Em 2010, um banco chinês concedeu uma linha de crédito de 2,5 mil milhões de dólares a Angola, destinados à construção de projectos urbanos no município de Viana, melhor conhecidos como Zango.

Daniel

Repórter Angola

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Os generais Manuel Hélder Vieira Dias Júnior e Leopoldino Fragoso do Nascimento foram constituído arguidos num processo que decorre junto do ministério público. segundo a notificação que Repórter Angola teve acesso, os arguídos estão arrolados e associado aos negócios ligado a CIF- China Internacional Fund que levou o Serviço Nacional de Recuperação de Activos a apreender, em Fevereiro passado, dois edifícios ligados a esta empresa.

Em declarações ao Repórter Angola, Alvaro João, porta voz da PGR confirmou que decorre neste momento o interrogatório aos arguidos.

“sim estão a ser ouvido, o interrogatório decorre neste momento” adiantou o procurador.

Pouco se sabe da audiência aos generais “Kopelipa” e “Dino” na Direção Nacional de Investigação e Ação Penal (DNIAP), órgão da Procuradoria-Geral da República (PGR) de Angola, esta terça-feira (13.10). Apenas que o general Helder Vieira Dias “Kopelipa”, chefe da Casa Militar da Presidência angolana na era do anterior chefe de Estado, José Eduardo dos Santos, e o general Leopoldino “Dino” Fragoso do Nascimento, chefe das comunicações no anterior regime, foram ouvidos pela primeira vez desde que foram constituídos arguidos, em setembro, e que a sessão terá durado sete horas.

O processo, diz a defesa, está em segredo de justiça. E, por isso, nem os generais nem o advogado prestaram declarações à imprensa no final da sessão.

O processo que envolve os dois generais está associado aos negócios ligado a CIF- China Internacional Fund que levou o Serviço Nacional de Recuperação de Activos a apreender, em Fevereiro passado, dois edifícios ligados a esta empresa.

O edifício “CIF one” construído com fundos da linha de credito chinês passou a ser dado a certa altura como a sede dos negócios do regime angolano com a República Popular da China. O vigésimo quarto (24) andar deste edifício acolhe os escritórios do Grupo “Cochan”, detido pelo General Leopoldino Fragoso do Nascimento “Dino”, que junto com Manuel Domingos Vicente, Manuel Hélder Vieira Dias “Kopelipa” , Sam Pa, e Pierre Falcon, formam os acionistas da “China International Fund Limited” sedeada em Hong Kong.

os dois generais foram ouvidos em auto de declarações, no dia 29 de Setembro, na Vila Alice, pelo procurador Matos de Macedo Dias, altura em que foram notificados, também, da numeração do processo n.º 12/2020/DNIAP, desde logo enquadrado na esfera criminal e não do cível administrativo, com o Ministério Público pese a justificativa dos generais, acreditar haver indícios sobre o alegado desvio de 2,5 mil milhões de dólares, do Estado.

Os arguidos negam, justificando, ter sido dinheiro privado do chinês Pam Sam, que chegou a Angola pela mão de Manuel Vicente, que o conheceu em Hong Kong e, foi autorizado a investir com base em autorização do Titular do Poder Executivo, de então, José Eduardo dos Santos e mais tarde cadastrado com investimento estrangeiro, com a chancela de Norberto Garcia, em 2017.

Os generais Leopoldino do Nascimento – antigo chefe das Comunicações do ex-Presidente José Eduardo dos Santos – e Hélder Vieira Dias Júnior, ex-ministro de Estado e chefe da Casa Militar (actual Casa de Segurança), também na governação de José Eduardo dos Santos, terão se beneficiado dos contratos que o Estado celebrou com o CIF, no âmbito do extinto Gabinete de Reconstrução Nacional.

Segundo informações fidedignas recolhidas pelo site Maka Angola, a acusação formal que recai sobre os referidos generais inclui crimes de peculato, participação em negócio, corrupção e branqueamento de capitais relacionados com um empréstimo do Banco Industrial e Comercial da China (ICBC).

Em 2010, este banco concedeu uma linha de crédito de 2,5 mil milhões de dólares a Angola, destinados à construção de projectos urbanos no município de Viana, melhor conhecidos como Zango.

A fonte lembrou que os oficiais generais gozam de imunidades e não podem ser presos preventivamente antes do despacho de pronúncia. “Os oficiais generais das Forças Armadas Angolanas e comissários da Polícia Nacional não podem ser presos sem culpa formada, excepto se em flagrante delito, por crime doloso punível com pena de prisão superior a dois anos”, sublinhou, deixando claro que, enquanto decorrem as investigações, os generais Dino e Kopelipa, não podem ser presos.

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