Agostinho NETO um “herói”, Assassino completaria hoje 98 anos.

O Autor do massacre de 27 de maio de 1977, que matou mais de 60 mil angolanos, completaria esta quinta-feira 17, exactamente 98 anos se tivesse em vida, mas Deus não permitiu depois daquela matança de muitos quadros que apoiavam Nito Alves, que o mandatário continuasse em vida si não em Angola não sobrava nenhum povo até 1993. Não é preciso ser mestre na matéria para se perceber que Agostinho Neto não é (e nunca foi) herói de Angola na dimensão de Ngola Mbandi, Njinga Mbandi, Mpita Vita, Mandume.. O Bárbaro Neto, deu o tiro de partida na corrida do terror, ao dispensar o poder judicial, em claro desrespeito pela Constituição que jurara e garantia aos arguidos o direito à defesa. Fê-lo ao declarar, perante as câmaras da televisão, que não iriam perder tempo com julgamentos. Tal procedimento nem era uma novidade, pois, na história do MPLA tornara-se usual mandar matar os que se apontavam como “fraccionistas”.

F8

com F8 e DW. Evalina

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Não é preciso ser mestre na matéria para se perceber que Agostinho Neto não é (e nunca foi) herói de Angola na dimensão de Ngola Mbandi, Njinga Mbandi, Mpita Vita, Mandume, etc. como o partido que sustenta o Executivo faz questão de mencionar nos livros escolares e outros. Só acredita nessa  quem é sanguinário ou um Ditador, escreve a politóloga Evalina Ding’s.

Angola comemora nesta quinta-feira o 17 de Setembro, Dia do Herói Nacional, uma data em que se exaltam as qualidades políticas e culturais do primeiro Presidente de Angola, António Agostinho Neto, um suposto poeta de respeito, como dizem, que morreu a 41 anos.

O Dia do Herói Mundial (que substituirá o Dia do Herói Nacional, designação muito pequena para a amplitude do protagonista) é uma comemoração partidária transformada, por força da ditadura, em nacional angolana e agora em mundial, em memória do nosso maior genocida, do nosso maior assassino, António Agostinho Neto.

Agostinho Neto, então Presidente da República, deu o tiro de partida na corrida do terror, ao dispensar o poder judicial, em claro desrespeito pela Constituição que jurara e garantia aos arguidos o direito à defesa. Fê-lo ao declarar, perante as câmaras da televisão, que não iriam perder tempo com julgamentos. Tal procedimento nem era uma novidade, pois, na história do MPLA tornara-se usual mandar matar os que se apontavam como “fraccionistas”.

num recente comunicado do MPLA, Fundação Agostinho Neto  e ERCA, ao repudiarem o Jornal FOLHA8 que o a associou, num post publicado na sua pagina do facebook, o partido dos camaradas, reconheceu que  de facto Agostinho Neto era assassino.

“O Camarada Angostinho Neto não foi ditador nem fez trafico de escravos”, descreveu um comunicado do MPLA datado de 23 de Junho, sem no entanto se referir da outra das três acusações que o folha8 fazia menção, nomeadamente “Ditador, Assassino e trafico de escravos”, escreveu o portal folha 8, depois de ser amplamente criticado pela Entidade Reguladora de Comunicação Social em Angola a ERCA.

a 24 de junho de 2020, o Jornal de Angola, escrevia “Personalidades políticas e ligadas ao movimento cultural angolano lamentaram, ontem, em Luanda, a forma “leviana e irresponsável” como o jornal “Folha 8”, de William Tonet, comparou o Fundador da Nação angolana e Primeiro Presidente da República, António Agostinho Neto, a figuras ligadas ao tráfico de escravos, cujas estátuas estão a ser derrubadas em vários países.

O MPLA repudiou naltura, com veemência, o jornal “Folha 8”, pela publicação de um texto em que associa o antigo Presidente de Angola, António Agostinho Neto, às figuras consideradas defensoras da escravatura. Em nota de repúdio, o Bureau Político do Comité Central do partido maioritário considera “leviana e irresponsável” a inclusão do Fundador da Nação entre essas figuras, cujas estátuas estão a ser removidas de espaços públicos, por manifestantes anti-racistas, nalguns países.

Para o MPLA, trata-se de uma “atitude despropositada e infame”, que “atenta contra a História e memória colectiva do Povo Angolano e revela falta de Patriotismo” do jornal. Conforme o partido no poder, António Agostinho Neto é reconhecido e respeitado, a nível nacional e internacional, “como destemido soldado da linha da frente no combate à segregação racial e da luta armada de libertação nacional”.

O MPLA sublinha que, sob a liderança de Neto, Angola se constituiu, por vontade própria, “em trincheira firme da revolução em prol dos ideais de liberdade e dignidade” dos africanos. “As obstinadas tentativas de macular a honra e o bom nome de António Agostinho Neto, Herói Nacional e Pai da Independência de Angola, enquadram-se na campanha com fins inconfessos que o jornal ‘Folha 8’ tem levado a cabo ao longo dos anos”, lia-se na nota.

AFINAL FOI Assassino ou não? e a Nota não fazia menção a esta característica porquê?.

este portal ouviu, em torno do assunto a Politoga Evalina Ding´s que comenta a figura do Poeta Maior, como ditador e assassino

27 de maio de 1977 e Nito Alves – o tabu da história de Angola

Dezenas de milhares de angolanos foram torturados, mandados para campos de concentração e fuzilados sem julgamento neste período negro da história angolana. Vamos tentar saber mais sobre o que aconteceu.

No dia 27 de maio de 1977, houve manifestações em Luanda a favor de Nito Alves, na altura ministro da Administração Interna e membro do Comité Central do partido no governo MPLA. A seguir ao 27 de maio de 1977, os apoiantes de Nito Alves, o chamados “fraccionistas”, são perseguidos pelo MPLA de Agostinho Neto (na foto), o primeiro presidente de Angola.

recentemente o portal  DW África falou com advogado e jornalista angolano William Tonet que, em 1977, trabalhava no gabinete de Nito Alves. Hoje é uma das vozes que denunciam as atrocidades cometidas por ordem do presidente Agostinho Neto.

William Tonet (WT): Nós conhecemos em África, depois de uma independência, uma das maiores chacinas seletivas do ponto de vista ideológico. E essa chacina foi cometida para acabar com a liberdade de pensamento e de expressão.

DW África: Os números das vítimas são divergentes…

WT: Não me repugna falar em mais de 60 mil ou um número próximo dos 80 mil de assassinatos, porque aqueles que dirigiram a chacina nunca estiveram preocupados com a quantidade. Bastava que alguém dissesse que aquele indivíduo talvez… para ser imediatamente preso. Se perguntar a eles: quantas pessoas prenderam, eles não sabem responder, mas sabemos que eles ficavam contentes quando, num dia, matavam mais cem ou mais duzentos. E muitos dos assassinos estão vivos. Eles têm que assumir isso. Veja quantos denominados responsáveis do 27 de maio sobraram?

DW África: Não acha que os crimes prescreveram, 35 anos depois?

WT: São crimes contra a humanidade, não prescreveram. E não prescreveram porque as pessoas responsáveis, que ainda estão vivas, não fazem nenhum esforço por se penitenciarem. Eles só vêem o poder, não vêem as consequências. Esse crime não prescreve. Os crimes da segunda guerra mundial também não prescreveram e não irão prescrever. Há pessoas à beira dos cem anos a serem responsabilizadas civil e criminalmente na Europa, e aqui em Angola também vai haver isso. Infelizmente nós não temos uma cultura de reconciliação. O MPLA tem medo de liderar um processo, como fez a África do Sul. Em África, Angola não está a dar um bom exemplo de uma política de verdadeira reconciliação nacional, ao contrário da África do Sul.

DW África: Porque é que o tema 27 de maio continua a ser um tabú em Angola?

WT: Porque as pessoas não pensam o país, e quando as pessoas – em vez de pensarem o país – pensam o poder, a verdade torna-se tabú. Eu costumo dizer: todos os movimentos de libertação cometeram erros graves, violações graves dos direitos humanos. Mas aqui em Angola só se fala da FNLA e da UNITA, como se os outros fossem um poço de pureza, mas não foram. É preciso que nós tenhamos a coragem de refazer a história e penitenciarmo-nos todos e dizer que foi num dado momento, que as circunstâncias foram estas, mas vamos reencontrar-nos em vez de continuarmos a cavalgar, uns no poder e outros com um sentimento de revolta.

Falamos com a historiadora portuguesa Dalila Cabrita Mateus sobre este episódio da história angolana. Ela publicou com o seu marido Álvaro Mateus o livro “Purga em Angola”, lançado em 2007 (agora na sexta edição). Neste Contraste apresentamos a primeira parte da entrevista da pesquisadora à DW.

DW África: Qual foi o episódio que mais a marcou durante as pesquisas sobre os acontecimentos de maio de 1977?

Dalila Cabrita Mateus: As entrevistas a antigos presos políticos barbaramente torturados marcaram-me particularmente. Para a minha tese de doutoramento, já tinha ouvido presos angolanos, moçambicanos e guineenses, que me contaram as torturas infligidas pela PIDE. Depois, para o livro sobre o 27 de maio, ouvi presos angolanos narrar o que sofreram nas cadeias. Ainda hoje sonho, tenho pesadelos, com este horror.

Um dos últimos presos que ouvi, depois de narrar o que lhe tinham feito, encostou-se a uma porta e da sua boca saiu um suspiro enorme. Tinha desabafado. Disse-lhe: “O senhor conseguiu, enfim, desabafar.” Mas eu, que ando há anos a ouvir o sofrimento de todos os presos políticos, com quem desabafo?

A gravação e a transcrição de todas estas entrevistas estão hoje depositadas na Torre do Tombo.

DW África: Consegue resumir num minuto o que aconteceu de facto no 27 de maio de 1977?

DM: Alguns pequenos grupos armados tomaram cadeias, com o propósito de libertar gente sua que estava presa. Por exemplo o Batalhão Feminino tomou a cadeia de São Paulo. Estavam presos dezenas de elementos do grupo de Nito Alves e José Van Dunem. Eles próprios, como se comprova pela gravação escutada das emissões da rádio em Angola e por alguns testemunhos, estavam detidos.

Um pequeno grupo tomou a Rádio, com o objectivo de apelar a uma manifestação em frente ao Palácio. Dos musseques [os bairros pobres de Luanda] afluíram centenas e centenas de manifestantes, que começaram por se dirigir ao Palácio. Tendo sido recebidos a tiro, começaram a concentrar-se em frente à Rádio.

Não há, pois, qualquer golpe de Estado. O que há é uma manifestação e algumas acções militares para libertar presos e tomar a rádio. “Insurreição desarmada de massas”, lhe chamou o historiador inglês David Birmingham.

O objectivo era provocar uma alteração radical da política, seguida de uma insurreição. Mas o meio era uma simples manifestação, e isso prova-se hoje através das imagens, na altura obtidas pela própria Televisão Popular de Angola.

DW África: Tomaram a Cadeia de São Paulo, a sede da polícia política DISA e a Rádio Nacional, mas não o Palácio Presidencial. Porquê uma estratégia tão mal concebida?

DM: Tomaram de facto a Cadeia de S. Paulo, mas nunca tomaram a sede da DISA. E não queriam tomar o Palácio Presidencial. “Plano louco e mal concebido”, diz o historiador inglês Birmingham.

Mas não queriam realizar de facto um golpe de Estado. Confiavam na superioridade de forças que tinham, entre os militares da 9ª Brigada e na população. E nunca terão imaginado que os cubanos fossem intervir com tanques para dispersar a manifestação e tomar o quartel da 9ª Brigada.

DW África: O levantamento dos apoiantes de Nito Alves e José Van Dúnem pode ser considerado um golpe de Estado?

DM: Num golpe de Estado ou numa insurreição, toda a gente o sabe que se tomam locais, com militares e civis armados; tomam-se a Presidência e os ministérios, a polícia política, os correios e as telecomunicações, os quartéis, o aeroporto, entre outros.

Se não havia um plano para tomar nada disso e a grande acção é uma manifestação de gente desarmada, como é que se pode falar dum golpe de Estado?

Em 1962 subiu à presidência do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA).

Ao longo da década de 70, liderou as actividades políticas e de guerrilha do MPLA e o processo de descolonização (1974/75) a partir de Argel (Argélia) e Brazzaville (República do Congo) até ao seu regresso a Angola, onde proclamou a independência nacional. Tornou-se então no primeiro Presidente de Angola.

para Orlando Castro do Jornal Folha8,

“Folha 8 escreveu: «Vários países estão a retirar dos espaços públicos as estátuas de assassinos, ditadores e defensores da escravatura. Em Angola está a demorar muito para que isso aconteça». Onde está a associação de Agostinho Neto à escravatura? Não será, antes, a associação a assassinos, a ditadores?

Em nota de repúdio, o Bureau Político do Comité Central do partido considera “leviana e irresponsável” a inclusão do Fundador da Nação (presume-se que foi o único fundador) entre essas figuras, cujas estátuas estão a ser removidas de espaços públicos, por manifestantes anti-racistas, nalguns países.

Para o MPLA, trata-se de uma “atitude despropositada e infame”, que “atenta contra a História e memória colectiva do Povo Angolano e revela falta de Patriotismo” do jornal Folha 8. A tradução significa que só é patriota quem for do MPLA, com estiver solidário com os massacres do 27 de Maio de 1977, por sinal dirigidos por… Agostinho Neto.

De acordo com o partido no poder há 45 anos, António Agostinho Neto é reconhecido e respeitado a nível nacional e internacional, “como destemido soldado da linha da frente no combate à segregação racial e da luta armada de libertação nacional”.

O MPLA sublinhava que, sob a sua liderança de Agostinho Neto, Angola se constituiu, por vontade própria, “em trincheira firme da revolução em prol dos ideais de liberdade e dignidade” dos africanos, sendo que – presumimos – o expoente máximo desses ideais de liberdade e dignidade estão plasmados no genocídio de 27 de Maio de 1977 ou, quiçá, nos 20 milhões de angolanos pobres.

“As obstinadas tentativas de macular a honra e o bom nome de António Agostinho Neto, Herói Nacional e Pai da Independência de Angola, enquadram-se na campanha com fins inconfessos que o jornal “Folha 8” tem levado a cabo ao longo dos anos”, lê-se na nota.

De facto, Agostinho Neto não só foi o único pai da independência, como foi igualmente a única mãe, razão pela qual é um caso único a nível mundial, qual hermafrodita.

O MPLA escreve que se reserva o direito de voltar a recorrer às suas instâncias de justiça, bem como à sua Entidade Reguladora da Comunicação Social Angolana, “no sentido de fazerem cumprir, de facto e de júri e, com o estabelecido nos termos da Constituição e da lei, quanto aos limites ao exercício da liberdade de imprensa e de opinião”.

Não era preciso recorrer a essas instâncias. Basta mandar-lhe a sentença que querem que seja oficializada, que essas instâncias se encarregarão de arranjar articulado e suposta matéria de facto que justifique o veredicto. É, aliás, uma prática corrente e a comprovação de que – segundo a bitola do MPLA – Angola é um Estado de Direito Democrático.

O Bureau Político do MPLA exorta os angolanos (os de primeira, é claro) a pautarem pela sua conduta no respeito pela convivência harmoniosa e a não pactuarem com “desvarios e modismos políticos que possam minar o ambiente de pacificação dos espíritos”. Devem, por isso, aceitar fazer duas cirurgias que são basilares para a dita “pacificação dos espíritos”: remoção da coluna vertebral e deslocalização do cérebro para os intestinos.

Lembra o MPLA que, nesta altura, no âmbito da reconciliação nacional e consolidação do Estado Democrático de Direito, está em curso o processo de homenagem às vítimas dos conflitos políticos registados em Angola, entre 11 de Novembro de 1975 e 4 de Abril de 2002. Vítimas para as quais, está bom de ver, em nada contribuiu Agostinho Neto, sendo que os massacres do 27 de Maio de 1977 terão sido da responsabilidade de Salazar, de Jonas Savimbi ou de Holden Roberto.

Um herói ditador e assassino

O Dia do Herói Nacional (do MPLA) é uma comemoração partidária transformada, por força da ditadura, em nacional angolana, em memória do nosso maior genocida, do nosso maior assassino, António Agostinho Neto.

Estávamos a 17 de Setembro de 2016. O então ministro da Defesa de Angola e vice-presidente do MPLA, João Lourenço, denunciou tentativas de “denegrir” a imagem de Agostinho Neto, primeiro Presidente angolano. Já era obra do Folha 8? Ou a investigação (da Fundação Agostinho Neto) demorou quase quatro anos a descobrir?

João Lourenço discursava em Mbanza Congo, província do Zaire, ao presidir ao acto solene das comemorações do dia do Herói Nacional, feriado alusivo precisamente ao nascimento do Agostinho Neto.

“A grandeza e a dimensão da figura de Agostinho Neto é de tal ordem gigante que, ao longo dos anos, todas as tentativas de denegrir a sua pessoa, a sua personalidade e obra realizada como líder político, poeta, estadista e humanista, falharam pura e simplesmente porque os factos estão aí para confirmar quão grande ele foi”, afirmou o general João Lourenço, hoje presidente do MPLA, da República (do MPLA) e Titular do Poder Executivo (do MPLA).

João Lourenço nunca se referiu ao caso na sua intervenção, mas o bureau político do MPLA criticou em Julho de 2016, duramente, o lançamento em Portugal de um livro (mais um) sobre o MPLA e o primeiro Presidente angolano, Agostinho Neto, queixando-se então de uma nova “campanha de desinformação”.

Em causa estava (continua a estar, estará sempre) o livro “Agostinho Neto – O Perfil de um Ditador – A História do MPLA em Carne Viva”, do historiador luso-angolano Carlos Pacheco, lançado em Lisboa a 5 de Julho de 2016, visado no comunicado daquele órgão do Comité Central do partido no poder em Angola desde 1975.

Carlos Pacheco disse na altura que a obra resultou de uma década de investigação histórica e que “desmistifica” a “glória” atribuída ao homem que conduziu os destinos do movimento que lutou pela libertação do jugo colonial português em Angola (1961/74). Contudo o livro tem sido fortemente criticado em Luanda, por parte de dirigentes e elementos afectos ao MPLA e da fundação com o seu nome.

“A República de Angola está a ser vítima, mais uma vez, de uma campanha de desinformação, na qual são visadas, de forma repugnante, figuras muito importantes da Luta de Libertação Nacional, particularmente o saudoso camarada Presidente Agostinho Neto”, lê-se no comunicado do bureau político.

Agostinho Neto, então Presidente da República, deu o tiro de partida na corrida do terror, ao dispensar o poder judicial, em claro desrespeito pela Constituição que jurara e garantia aos arguidos o direito à defesa. Fê-lo ao declarar, perante as câmaras da televisão, que não iriam perder tempo com julgamentos. Tal procedimento nem era uma novidade, pois, na história do MPLA tornara-se usual mandar matar os que se apontavam como “fraccionistas”.

Agostinho Neto deixou a Angola (mesmo que o MPLA utilize toda a lixívia do mundo) o legado da máxima centralização de um poder incapaz de dialogar e de construir consensos, assim como de uma corrupção endémica. E os portugueses que nasceram e viveram em Angola, ainda hoje recordam o papel que teve na sua expulsão do país. Antes da independência declarava que os brancos que viviam em Angola há três gerações eram os “inimigos mais perigosos”.

Em 1974, duvidava que os portugueses pudessem continuar em Angola. Em vésperas da independência convidava-os a sair do país. E já depois da independência, por altura da morte a tiro do embaixador de um país de Leste, cuja viatura não parara quando se procedia ao hastear da bandeira do MPLA, dirigiu-se, pela televisão, aos camaradas, para lhes dizer que era preciso cuidado, pois nem todos os brancos eram portugueses.

Em Maio de 1977, não houve pioneirismo, pelo contrário, não tendo Agostinho Neto conseguido massacrar a humilhação passada no Congresso de Lusaka, o primeiro democrático do MPLA, onde o eleito foi Daniel Júlio Chipenda, Agostinho Neto consumou a grande chacina, para estancar, com o temor, uma série de cisões e problemas que calcorreavam incubados, desde a sua chegada ao MPLA, convidado pela anterior direcção.

Esta demonstração de força, serviu para demonstrar, que se o poder fosse posto em causa, a direcção e Agostinho Neto, não teriam pejo de sacrificar com a própria vida todos quantos intelectualmente o afrontassem. Foi assim ontem, é assim hoje, infelizmente, como bem sabe João Lourenço.

Numa só palavra, quando este MPLA sente o poder ameaçado, não hesita: humilha, assassina, destrói, elimina, atira aos jacarés.

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