Movimento Revolucionário organiza outra manifestação a 11 de Novembro

Com os mesmos objectivos da manifestação do último sábado, o auto-denominado Movimento Revolucionário anunciou, na manhã desta quarta-feira, 28, em conferência de imprensa, o retorno às ruas de Luanda, no dia 11 de Novembro, para a realização de mais uma manifestação, a fim de reivindicarem melhores condições de vida, mais emprego e a realização das primeiras eleições autárquicas no país.

Jonas Pensador

Reporter Angola com Lusa

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Luanda será novamente palco de protestos, mas desta vez a 11 de Novembro, data que o País sinaliza 45 anos de Independência.

A ser promovida por activistas sociais, os organizadores reafirmaram, esta quarta-feira 28, prosseguir com as suas reivindicações, como forma de pressionar o governo de João Lourenço, para que implemente políticas que visem a melhoria das vidas dos cidadãos, assim como a marcação da data das autárquicas.

De igual modo, os referidos promotores da manifestação, apelaram ao Governo a libertação incondicional dos cidadãos detidos na última manifestação que, dentre estes, fazem parte dirigentes da UNITA, assim como atribuíram culpa às autoridades, como sendo responsáveis do sucedido na última manifestação, onde, depois de ser impedida pela Polícia Nacional, ocorreu um confronto entre cidadãos e agentes da polícia que resultou na destruição de vários bens do Estado.

No entender dos organizadores, urge a necessidade do Presidente da República dialogar com as várias franjas ligadas à sociedade civil, por, no entender destes, serem os que conhecem as reais dificuldades dos cidadãos, que precisam ser transmitidas ao presidente.

encontro entre o Presidente da República e o presidente do Conselho Nacional da Juventude, também mereceu reparo por parte dos jovens auto-denominados Movimento Revolucionário, que consideram Isaías Calunga, como não sendo a pessoa mais adequada para dialogar sobre as reivindicações da juventude.

Os promotores da manifestação em Luanda de sábado passado, reprimida pela polícia e que resultou na detenção de 103 pessoas, convocaram hoje um novo protesto para 11 de novembro, Dia da Independência de Angola.

O anúncio foi hoje feito por Dito Dalí, um dos promotores da manifestação de sábado passado, na qual várias pessoas foram detidas e agredidas, no confronto entre manifestantes e as forças de ordem.

Segundo Dito Dalí, que diz ter sido uma das vítimas da agressão policial, chegando a perder os sentidos, o protesto marcado para 11 de novembro realiza-se na sequência de outros que exigiram o afastamento do diretor do gabinete do Presidente da República, Edeltrudes Costa, cujo nome surgiu numa investigação sobre corrupção divulgada pela TVI.

“Anunciamos naquele dia que, doravante, faremos das ruas os nossos escritórios, para manifestar o nosso descontentamento e exigir do Presidente um esclarecimento sobre a calendarização das eleições autárquicas, o afastamento do Edeltrudes, do presidente da Comissão Nacional Eleitoral e exigir do Presidente que crie condições para resolver os problemas dos cidadãos”, referiu Dito Dalí.

O ativista realçou que a situação social e económica dos angolanos continua a degradar-se, e as reclamações devem ser apresentadas ao executivo, que tem a missão de “atender os problemas de que enferma a sociedade”.

“Temos um executivo que se fecha, um Presidente totalmente arrogante, que não está aberto para o diálogo com a sociedade”, disse o ativista, criticando o facto de o chefe de Estado angolano ter recebido, terça-feira, o presidente do Conselho Nacional da Juventude ao invés de “dialogar com as pessoas que se estão a manifestar”.

“O Presidente tem que conversar com aquelas pessoas que têm estado a reivindicar ao longo dos últimos anos, é com essas pessoas que têm que se sentar. O Conselho Nacional da Juventude não representa a maioria dos angolanos, o Conselho Nacional da Juventude representa os interesses do partido”, referiu.

Dito Dalí reiterou que a próxima manifestação visa dar continuidade às exigências feitas.

O promotor da manifestação disse esperar que “as autoridades entendam que o país tem leis, e devem respeitá-las, e os cidadãos têm o direito à manifestação, assegurada pela Constituição”.

Para a próxima manifestação vão ser endereçados convites aos partidos políticos da oposição e igualmente ao Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), partido no poder.

“Afinal, a luta é pela cidadania, que não escolhe cor partidária. Significa que todos nós enfrentamos os mesmos problemas, passamos fome, não temos água nas nossas casas, falta eletricidade, faltam transportes públicos, em suma, a vida dos angolanos está dura e esses problemas estendem-se aos partidos políticos, aos seus primos, filhos, irmãos, mãe. Daí entendermos que a presença de todos os partidos da oposição faz sentido”, sublinhou.

Sobre o decurso da situação política no país, Dito Dalí lamentou que o chefe de Estado angolano tenha “seduzido” o povo no início com “discursos bonitos”, que agora se tornaram uma deceção.

“O Presidente começou tão bem aquando da sua investidura, quem não ficou emocionado com os discursos do Presidente? Sentíamo-nos incluídos, numa Angola nova, que se pretendia. Infelizmente, fomos seduzidos por discursos bonitos, para sermos dececionados dessa forma, uma deceção total”, frisou.

Para o ativista, o Presidente “ainda vai a tempo para corrigir esses erros”, optando pelo diálogo com a sociedade.

“Isso é obrigação do Presidente, ele é o Presidente dos angolanos e ele tem que chamar os angolanos, ele tem que sentar, ouvir a todos, não pode confinar-se na Presidência da República e não pode ser sequestrado por um grupo de pessoas. Se ele quer que seja ajudado pelos angolanos estamos disponíveis, estamos aqui para o ajudar com ideias e apresentar propostas”, concluiu.

A tentativa de uma manifestação organizada por jovens da sociedade civil, com apoio de dirigentes do maior partido da oposição angolana – União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) – e de outras forças da oposição, foi frustrada pelas autoridades, tendo resultado em 103 detenções, ferimentos de polícias, e de manifestantes em números não revelados, além da destruição de meios das forças da ordem.

Segundo os manifestantes, duas pessoas morreram “baleadas” durante os confrontos.

Os protestos ficaram marcados também pelo arremessar de pedras, colocação de barricadas na estrada com contentores de lixo e pneus a arder pelos manifestantes.

A marcha visava reivindicar melhores condições de vida, mais emprego e a realização das primeiras eleições autárquicas em Angola.

De acordo com o secretário de Estado do Ministério do Interior, Salvador Rodrigues, que negou a existência de qualquer morte resultante do evento, estão detidos 90 homens e 13 mulheres e seis polícias ficaram feridos nos confrontos com manifestantes.

Entre os mais de 100 detidos estão jovens de movimentos cívicos, ativistas e outros manifestantes. Houve também seis jornalistas detidos, três dos quais libertados apenas na segunda-feira e sem explicações.

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