Manuel Rabelais admite compra de divisas para interesses pessoais

Durante julgamento, o ex-diretor do extinto GRECIMA disse que pagava a líderes nacionais e internacionais para falar bem de Angola. Rabelais nega que o ex-Presidente angolano José Eduardo dos Santos sabia das operações.

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Repórter Angola

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O antigo diretor do extinto Gabinete de Revitalização e Execução da Comunicação Institucional e Marketing da Administração (GRECIMA) Manuel Rabelais admitiu, durante interrogatório perante o Tribunal Supremo de Angola esta segunda-feira (14.12), que adquiriu divisas para atender interesses pessoais.

Entretanto, o antigo ministro da Comunicação Social e ex-diretor da Rádio Nacional de Angola não confirmou a compra de 98 milhões de euros ao Banco Nacional de Angola (BNA), vendidos a empresas e indivíduos, conforme os autos do processo.

Apesar de negar tal operação, Manuel Rabelais admite que o valor pode referir-se a “cartas-conforto” que foram enviadas quando era secretário do Presidente da República para a Comunicação Institucional e Imprensa, durante a governação do ex-chefe de Estado José Eduardo dos Santos.

No entanto, ressaltou que o valor dessas operações ficaria muito abaixo do que consta na acusação do Ministério Público. Segundo Rabelais, o valor não supera os 30 milhões de euros.

A compra e venda de moeda estrangeira com o acréscimo de uma taxa acima do valor oficial foi uma alternativa à crise financeira para suprir necessidades do antigo gabinete, justificou Manuel Rabelais. O réu também reconheceu que o seu assessor Hilário Santos recebia e depositava dinheiro em nome do GRECIMA.

“Eu e o senhor Hilário Santos adquirimos através desse mecanismo de venda direta de divisas, quer para interesses pessoais nossos e de pessoas do Governo que nos procuravam, divisas do GRECIMA”, disse no interrogatório, de acordo com o Novo Jornal de Angola.

JES sabia do esquema?

Manuel Rabelais afirmou ainda que pagava a líderes nacionais e internacionais para falar bem de Angola. O antigo diretor do GRECIMA não quis, entretanto, revelar os nomes e os montantes pagos por considerar este um assunto de segredo de Estado.

Ao ser questionado se o antigo Presidente angolano José Eduardo dos Santos sabia do esquema, Rabelais disse que nunca discutiu sobre este tema com o ex-chefe de Estado. Acrescentou ainda que o BNA não tinha conhecimento sobre a venda dos valores disponibilizados, mas que os alocava aos bancos comerciais para onde os pedidos do GRECIMA eram endereçados.

Manuel Rabelais está a ser julgado pelos crimes de peculato, branqueamento de capitais e violação das normas de execução orçamental alegadamente cometidos entre 2016 e 2017. Nesse período, terá usado os seus poderes no GRECIMA para adquirir junto do BNA divisas que eram canalizadas para alguns bancos comerciais.

O julgamento teve início na passada quarta-feira (09.12). Os alegados atos são sujeitos a uma pena superior a dois anos de prisão. Segundo o presidente da câmara criminal do Tribunal Supremo de Angola, Daniel Modesto, o julgamento deste caso poderá demorar. “Estes crimes são complexos. Pode levar algum tempo para o término do julgamento”, afirmou.

 

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