Joe Biden convida estadistas de 110 países para cimeira online sobre democracia

O presidente dos EUA, Joe Biden, convidou 110 países, incluindo Angola, para participar numa cimeira virtual sobre democracia que acontece entre o dia 9 e 10 de dezembro. A mesma coincide com as datas em que João Manuel Gonçalves Lourenço estará a conduzir o congresso ordinário do MPLA, pelo que fica por se apurar se o estadista angolano ficará neste dia no gabinete “conectado” ao computador para a cimeira on-line ou se delegará poderes ao seu “vice”, Bornito de Sousa.

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Ck com Agências

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O encontro online é um evento que Joe Biden prometeu realizar enquanto era candidato à presidência, com o objetivo de reunir países com interesses semelhantes em torno dos esforços para “combater a corrupção” e o “autoritarismo” e “promover os direitos humanos”.

A divulgação esta semana da lista de convidados pelo Departamento de Estado dos EUA está levantar debate controverso em publicações internacionais por incluírem na mesma países com défices democráticos e que não respeitam os direitos humanos.

O Jornal Indiano LIVEMINT, realçou nesta quarta-feira (4), que alguns países convidados parecem estar na lista mais como um incentivo para instituir princípios mais democráticos citando os casos de Angola, Paquistão e Sérvia. O Iraque também foi incluído.

 

 

Esta publicação lembra que Biden frequentemente caracterizou a batalha das democracias contra as autocracias como um desafio geopolítico essencial do século 21, sublinhando que num discurso proferido no passado mês de Abril no congresso, o Presidente dos EUA disse que o seu país deve reagir contra Xi Jinping e outros líderes que buscam mostrar que seu sistema de governo é melhor para seu povo.

 

 

 

O Fundo Carnegie para a Paz Internacional (FCPI) que é um think-tank de política externa com centros em Washington D.C., Moscovo, Beirute, Pequim, Bruxelas, produziu na segunda-feira (22), um “assessement” explicando os critérios de seleção de convidados para esta cimeira online, destacando que a mistura de convidados para a cimeira inclui países de democracias liberais, democracias mais fracas e vários estados com características autoritárias como a República Democrática do Congo, Angola e o Paquistão.

 

 

De acordo com a FCPI, em vez de limitar a participação a um grupo central de democracias comprometidas, a equipe de Biden optou por uma abordagem de grande tenda. A maioria dos convidados – setenta e sete países – é classificada como “livre” ou totalmente democrática, de acordo com o relatório de 2021 da Freedom House. Outros trinta e um convidados são classificados como “parcialmente livres. Finalmente, três países se enquadram no campo “não livre”.

O FCPI explica ainda que combinação das pontuações do índice da Freedom House com as contagens do projeto Varieties of Democracy (V-Dem) produz resultados reveladores. Oito convidados ficam excepcionalmente abaixo dessas classificações de democracia, levantando questões preocupantes sobre seus convites citando novamente o caso de Angola, República Democrática do Congo, Iraque, Quênia, Malásia, Paquistão, Sérvia e Zâmbia.

Quatro convidados adicionais, segundo o FCPI, suscitaram sérias preocupações de retrocesso devido aos elevados níveis de autocratização ou grandes declínios na liberdade de expressão nos últimos dez anos: Brasil, Índia, Filipinas e Polônia. A Zâmbia e a Tunísia foram destacadas, como países observam reformas politicas.

Zachary Basu que é um jornalista especialista em segurança nacional do portal norte americano “Axios”, escreve que a Hungria, cujo primeiro-ministro de extrema direita, Viktor Orbán, é um defensor ferrenho da “democracia iliberal”, é o único membro da União Europeia que não foi convidado para a cimeira. Recordou que Turquia, aliada da OTAN, também não foi convidada, em meio de diabruras cada vez mais autoritárias do presidente Recep Tayyip Erdoğan e a sua tendência para a Rússia.

 

“O governo Biden, entretanto, convidou a Polônia, Índia e Filipinas, que também experimentaram retrocessos democráticos nos últimos anos”, escreveu o especialista lembrando que a cimeira deve se concentrar em três temas principais a que se propôs: Defesa contra o autoritarismo, combate à corrupção e promoção do respeito pelos direitos humanos.

O Jornal EUOBSERVER, editado a partir de Bruxelas, escreve a esta “cimeira das democracias” do presidente dos EUA, Joe Biden, pode entusiasmar os convidados, mas é uma aventura arriscada.

“Todos nós sabemos agora que realizar eleições não é suficiente para se transformar em uma verdadeira democracia. Muito é sobre o que acontece depois das urnas”, lê-se no artigo assinado por Shada Islam considerando que “ee forma mais prejudicial, poderia colocar em risco a tão necessária ação coletiva para enfrentar os desafios globais e tornar o mundo um lugar ainda mais ferozmente disputado. O diagnóstico dos males das democracias está correto. Em todo o mundo, as democracias estão em péssimo estado e os democratas precisam corrigir sua situação”.

Shada Islam termina a sua analise levantando questões como: “Será que a reunião dos autoproclamados democratas globais realmente fará seus rivais autoritários tremerem de medo? Os cidadãos dessas não democracias serão tentados a se livrar de suas algemas e clamar por liberdade? E a exibição de líderes duvidosos realmente exibirá as credenciais e a resiliência das democracias?”.

De realçar que para além dos líderes mundiais, Biden terá encontros virtuais com membros da sociedade civil e do sector privado para uma série de eventos focados em “projetar compromissos e resultados concretos para a cúpula”. Depois de um ano Biden irá promover uma segunda cimeira – desta vez pessoal – para “fazer um balanço do progresso feito e traçar um caminho comum à frente”.

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