João Lourenço em Cabo Verde: testemunha investidura de José Maria Neves

O Presidente angolano, João Lourenço, deslocou , esta segunda-feira (08), para capital Caboverdiana, Cidade da Praia, onde assiste, terça-feira, à investidura do Presidente eleito de Cabo Verde, José Maria Neves.

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Reporter Angola

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Para a cerimónia de posse, que acontece pelas 10 horas (12 em Angola), na Assembleia Nacional, estão convidados os Chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) – organizações de que Cabo Verde é membro -, além de várias personalidades cabo-verdianas e internacionais.

segundo uma fonte da Direcção-Geral do Protocolo do Estado cabo-verdiano, até ao momento, “cerca de 10 entidades estrangeiras já confirmaram a presença na cerimónia, entre eles seis chefes de Estado, nomeadamente Marcelo Rebelo de Sousa, de Portugal, João Lourenço, de Angola, e Nana Akufo-Addo, Presidente do Gana, que é também presidente em exercício da CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental)”.

 

Está igualmente confirmada a presença, segundo o mesmo jornal, dos Presidentes de São Tomé e Príncipe, Carlos Vila Nova, da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, e do Sénegal, Macky Sall.

 

O Brasil estará representado por uma delegação chefiada pelo vice-presidente do Brasil, Hamilton Mourão, e a França pela ministra da Igualdade de Género, a franco-cabo-verdiana Elisabeth Moreno.

 

O Presidente norte-americano, Joe Biden, vai fazer-se representar pelo seu ministro do Trabalho, Martin Walsh, pelo embaixador Jeff Daigle, pelo membro do Congresso dos Estados Unidos, Hakeem Jeffries, e pela assistente especial do Presidente e directora sénior do Conselho de Segurança Nacional para África, Dana Banks.

 

Na cerimónia de posse de José Maria das Neves vai também marcar preseça o secretário executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Zacarias da Costa, de acordo com o jornal de Cabo Verde.

 

José Maria Neves, professor universitário e antigo primeiro-ministro cabo-verdiano, de 61 anos, foi eleito, à primeira volta, nas eleições presidenciais, no dia 18 de Outubro.

 

No dia seguinte o Presidente angolano felicitou José Maria Neves pela sua eleição como Presidente de Cabo Verde, referindo que a vitória alcançada confirmava a confiança do povo “nas suas qualidades de liderança fortemente comprometida com o desenvolvimento de Cabo Verde e com a melhoria das condições gerais da vida dos cabo-verdianos”.

 

“Quero, por isso, expressar o desejo de que continuemos a trabalhar juntos para que as relações entre Angola e Cabo Verde se elevem a um nível que corresponda aos interesses e anseios dos nossos respectivos povos”, sublinhou o chefe de Estado angolano na sua mensagem.

 

João Lourenço manifestou-se convencido de que José Maria Neves, “empreenderá esforços no sentido de realizar, o mais amplamente possível, os grandes anseios ao progresso e desenvolvimento do povo cabo-verdiano”.

 

Sábado e ontem, as ruas da Cidade da Praia estiveram praticamente desertas, um cenário próprio de dias de descanso, mas diferente aos que antecederam à eleição de 17 de Outubro.

 

Hoje, prevê-se um dia mais agitado, não apenas por ser dia normal de trabalho, mas também porque começam a chegar os Chefes de Estado e de Governo e outras entidades convidadas para o acto de amanhã. Ainda para hoje, as atenções estarão, certamente, centradas num acto, no qual o Presidente da República portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, condecora o homólogo cessante cabo-verdiano, Jorge Carlos Fonseca, com a medalha da Ordem de Camões, a mais recente ordem honorífica portuguesa.

 

Entretanto, a cooperação entre Angola e Cabo Verde pode ganhar, a partir de amanhã, um novo impulso. José Maria Neves prometeu trabalhar para uma “parceria estratégica” entre os dois países. Em recente entrevista ao Jornal de Angola, após à sua eleição como Presidente da República cabo-verdiana, “JMN”, como também é conhecido o novo Chefe de Estado, revelou a sua “grande angústia” por não ter podido fazer mais quando foi Primeiro-Ministro mas considerou que se criam, agora, com a sua eleição, novas perspectivas.

 

“Penso que agora é possível andarmos mais depressa e irmos mais longe. Há alguns investimentos angolanos importantes em Cabo Verde, nos domínios da banca e telecomunicações”, sublinhou o novo Presidente, para quem “Angola e Cabo Verde devem procurar um nível de parceria estratégica” para o qual prometeu trabalhar.

José Maria Neves deixou uma palavra de gratidão a todos os cabo-verdianos residentes em Angola, que, tal como a diáspora no geral, contribuíram para a sua vitória nas presidenciais de 17 de Outubro. “Dizer a todos que podem contar comigo, como um Presidente actuante, amigo, presente, que está ao lado dos cabo-verdianos em todos os momentos”, prometeu José Maria Neves, que endereçou, igualmente, “uma palavra de amizade” para todos os cabo-verdianos no estrangeiro.

 

“Tudo temos de fazer para unir a Nação, aproveitando todas as potencialidades na diáspora, pois somos um Estado transnacional. Todos somos transmigrantes e a nossa diáspora é um recurso estratégico para reforçar a ideia na Nação global”, sustentou.

 

Primeiro-Ministro de 2001 a 2015, pelo Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, actualmente na oposição), José Maria Neves toma posse como o quinto Presidente do país, depois de ter vencido, à primeira volta, as presidenciais de 17 de Outubro, ao registar 95.974 votos, equivalentes a 51,7 por cento do total. Em segundo lugar, com 78.612 votos (42,4%), ficou o também antigo Primeiro-Ministro (de 1991 a 2000) Carlos Veiga, apoiado Movimento para a Democracia (MpD), actual partido governante.

 

Doutorando em Ciências Políticas e professor universitário, José Maria Neves, 61 anos, já foi presidente do PAICV, deputado nacional, presidente de Câmara (Santa Catarina) e ministro.

 

 

Depois de ter sido anunciado vencedor das últimas eleições presidenciais, José Maria Neves prometeu “estabilidade institucional e política”, afirmando que a reconstrução no pós-pandemia e a mitigação do mau ano agrícola são as prioridades.

 

“Tenho dito, desde a campanha eleitoral, que eu serei um Presidente que une, que cuida, que protege, mas sobretudo um Presidente que vai garantir a estabilidade institucional e política, que é um recurso estratégico para o país. Vai colaborar com o Governo, com as autoridades locais, com Cabo Verde, para que encontremos as melhores soluções para o país”, afirmou José Maria Neves, dias depois de ter sido eleito e após reunir no Palácio Presidencial, com o Chefe de Estado cessante, Jorge Carlos Fonseca, para preparar a transição.

 

Cabo Verde já teve quatro Presidentes da República, desde a Independência de Portugal, em 1975, sendo o primeiro já falecido Aristides Pereira (1975-1991), por eleição indirecta, seguido do também já falecido António Mascarenhas Monteiro (1991-2001), o primeiro por eleição directa, em 2001 foi eleito Pedro Pires e anos depois Jorge Carlos Fonseca.

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