PR João Lourenço assume escassez de docentes e funcionários administrativos no ensino superior académico

O Presidente da República, João Lourenço, deslocou esta terça-feira (5) à cidade do Cuito (Bié) para presidir a cerimónia oficial de abertura do Ano Académico 2021/2022. Na ocasião o chefe de estado apelou aos encarregados a não matricular em seus filhos em universidades não legalizadas

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Repórter Angola

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O Presidente angolano reconheceu hoje que, “apesar dos esforços que têm sido empreendidos”, ainda é uma realidade a “escassez de docentes e funcionários administrativos” para responderem às necessidades específicas de cada instituição de ensino superior em Angola.

João Lourenço, que discursava hoje na cerimónia de abertura oficial do ano académico 2021/2022, assumiu que “há ainda um grande caminho a percorrer para o aumento do corpo docente e de funcionários administrativos em tempo integral”.

“De modo a obtermos o rácio docente/estudantes mais próximo dos recomendados internacionalmente”, afirmou o chefe de Estado angolano no decurso da abertura desta cerimónia que decorreu na província do Bié, região centro/sul de Angola.

Para “atingir este objetivo”, assinalou João Lourenço, “não foi bastante o provimento administrativo excecional de docentes realizado em 2018 nem o concurso público de ingresso realizado em 2019”.

As ações dos referidos anos, frisou, “permitiram retirar da estagnação na carreira docente cerca de 1.050 docentes, pelo que está em curso o processo preparatório para a realização de concursos públicos no Ensino Superior”.

O ano académico do subsistema do ensino superior em Angola arrancou oficialmente esta terça-feira e o Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação (MESCTI) angolano “disponibilizou e autorizou” perto de 145.000 vagas para as instituições do ensino superior públicas e privadas.

Cerca de 145.000 vagas, das 186.670 solicitadas, estão “disponíveis e autorizadas” para as instituições do ensino superior angolanas, públicas e privadas, para o ano académico 2021/2022, anunciaram hoje as autoridades do setor.

A rede nacional do ensino superior em Angola é composta por 93 instituições, legalmente reconhecidas, sendo 29 públicas e 64 privadas e três novas universidades públicas, “resultantes da reorganização da rede”, vão fazer parte deste subsistema de ensino a partir deste ano académico.

Segundo João Lourenço, nos últimos anos vêm sendo introduzidas importantes reformas no subsistema de ensino superior, “visando um modelo mais consentâneo com o seu desenvolvimento e, consequentemente, uma melhor prestação para” o “país, tendo sido já abolidas as regiões académicas”.

Para o Presidente angolano, com o novo regime jurídico do subsistema de ensino superior, ficam criadas as condições para a aplicação das normas do regulamento geral eleitoral, cabendo às instituições de ensino superior realizarem seus pleitos eleitorais.

“Das várias transformações que se tem vindo a operar no ensino superior, ressalto a necessidade de o setor proceder ao processo de avaliação das instituições e dos cursos e/ou programas de graduação e de pós-graduação que o conformam”, disse.

O Presidente angolano manifestou igualmente, na sua intervenção, o desejo de ver as instituições de ensino superior do país a “realizarem a avaliação obrigatória de desempenho docente, que esteve condicionada aos constrangimentos da covid-19”.

Uma ação de formação, através de um curso de administração universitária com o financiamento da União Europeia (UE), deve ser realizada em breve, anunciou João Lourenço, para promover a qualificação de 200 gestores académicos.

Com a criação, em julho do corrente ano, da Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Fundecit), notou, “deu-se um importante passo no financiamento à ciência, de forma a reforçar e tornar-se consistente o financiamento competitivo das instituições de ensino superior”.

No domínio da Ciência, Tecnologia e Inovação, apontou o Presidente angolano, negociou-se com uma das mais prestigiadas editoras científicas do mundo a aquisição de um pacote de acesso por três anos à literatura científica atualizada para cerca de 3.000 docentes e investigadores.

João Lourenço defendeu igualmente que o Estado “deve exercer a sua autoridade” para inibir o surgimento de estabelecimentos ilegais ou mesmo “encerrar aqueles que à revelia insistem em lecionar”.

“Numa altura em que trabalhamos para o aumento da qualidade do ensino em Angola, em que trabalhamos para o reconhecimento internacional dos diplomas das nossas universidades, não podemos continuar a tolerar a existência de estabelecimentos de ensino ilegais, que tenham como propósito principal o lucro fácil”, notou João Lourenço.

O Presidente angolano inaugurou ainda naquela província a Universidade Internacional do Cuanza, que tem como promotora a Fundação Universitária Euro Africana de Espanha.

No Cuito, o Chefe de Estado inaugurou, igualmente, a Universidade Internacional do Cuanza (UNIC), instituição de ensino privado da iniciativa da Fundação Universitária Ibero-Americana e da Universidade Europeia do Atlântico, construída no âmbito da cooperação entre os Governos de Angola e de Espanha.

Com dez cursos disponíveis nas áreas de Engenharias (o forte da instituição), bem como Ciências Sociais e Saúde, a UNIC está capacitada para receber cinco mil estudantes, mas, devido a um instrutivo do Ministério de tutela, só vai começar com 2.200 alunos.

A informação foi prestada, ao Jornal de Angola, pelo director da UNIC, Victorino Baião. O responsável adiantou que, numa primeira fase, a instituição vai ministrar apenas cursos de licenciaturas, mas a intenção passa por leccionar, também, nos próximos anos, mestrados. Já é visível, na UNIC, que se encontra na cidade do Cuito, bem ao lado do Hospital Provincial do Bié “Walter Strangway”, a movimentação de vários jovens que escolheram a instituição para se formar.

 

Muitos deles vêm de outras províncias, como Cabinda, Zaire, Cunene, Luanda, Huambo, além de cidadãos portugueses, cubanos e congoleses, bem como angolanos que, não tendo terminado a formação na Zâmbia, escolheram a instituição para dar continuidade aos estudos, começando do zero. “Temos dito que o Cuito, em particular, está a congregar quase todo o país”, frisou o director.

 

Abília Ngungo é uma das estudantes admitidas nesta instituição de ensino no curso de Enfermagem Geral. Disse já ter tentado, por duas vezes, ingressar em outras instituições de ensino superior, mas sem sucesso. “Não tive sorte. Fui reprovada. Mas, agora, estou muito feliz e, ao mesmo tempo, ansiosa, na medida em que esta universidade promete oferecer um ensino de qualidade”, referiu.

 

Alexandre Miranda, 22 anos, já tem uma licenciatura em Comunicação Social, mas decidiu frequentar mais uma, em Engenharia Civil. “O meu objectivo é ser um jovem bem preparado academicamente para ajudar não só a minha província a desenvolver, como, também, o próprio país”, realçou.

 

Januário Baki deixou Cabinda para estudar na UNIC. Disse não ver a hora de começar a estudar. Inscrito no curso de Engenharia Eléctrica, disse tratar-se do curso que sempre desejou frequentar. “É o meu sonho”, afirmou. Na área de Engenharia, a universidade dispõe de cursos como Engenharia Civil, Química, Eléctrica, Industrial e Informática. Nas Ciências Sociais, estão disponíveis os cursos de Jornalismo, Direito, Psicologia das Organizações, Administração e Gestão e Enfermagem.

A instituição conta, para este ano lectivo, com um corpo docente formado por professores nacionais e estrangeiros. Entre os estrangeiros, constam docentes de nacionalidade cubana, espanhola, mexicana, argentina, moçambicana e outros.

Com o surgimento da UNIC, a província do Bié passa, agora, a contar com cinco instituições de ensino superior, sendo duas públicas e três privadas. Um total de 730 jovens encontrou o primeiro emprego nessa instituição de ensino.

Alfredo Carlos, 24 anos, natural do Bié, disse que vai aproveitar o salário que recebe na UNIC para pagar a sua formação, por sinal na mesma instituição. “Só tenho que aproveitar, de todas as maneiras, essa oportunidade que me foi dada”, salientou o jovem, que vai frequentar o curso de Administração e Gestão de Empresa.

 

Governador considera UNIC “um grande ganho para a província”

 

O governador da província do Bié, Pereira Alfredo, considerou o surgimento da Universidade Internacional do Cuanza um grande ganho para a população da província do Bié, sobretudo para a juventude.

 

Pereira Alfredo garantiu que a necessidade da formação de jovens angolanos continua nas prioridades do Governo, acrescentando que continuam os esforços tendentes à construção, na província, de estabelecimentos do ensino superior, quer públicos, quer privados. Sublinhou que a UNIC dispõe de cursos como as engenharias, que interessam bastante à região.

 

Pereira Alfredo ressaltou que, na componente social, a província não está muito carente, o que não se pode dizer das ciências técnicas e tecnológicas. “Por isso, enaltecemos os investidores que, a fundos perdidos, aceitaram investir na nossa província”, salientou.

 

 

O governador destacou o facto de ser a primeira vez que uma universidade, com esse cariz, se instala no interior do país. Revelou que um dos objectivos da sua governação é fazer do Cuito uma das cidades académicas do país.

 

Espera que a Universidade Internacional do Cunaza surja para contribuir na diversificação da oferta formativa de qualidade na província, “uma divisa que todos os dias temos que lapidar”. Partindo do princípio de que não há educação superior sem a educação de base, o governador disse também estar a ser feito na província um grande investimento no subsistema do ensino geral. Neste particular, destacou a construção, na província, de 67 escolas, que vão perfazer 550 novas salas de aulas.

 

Essas novas salas, disse, vão permitir acolher pouco mais de 40 mil crianças que se encontram fora do sistema de ensino ou a estudarem em condições precárias. “Já começamos a colocá-las em funcionamento”, frisou Pereira Alfredo, para quem este ano e o próximo serão decisivos para o sector da Educação na província.

 

Esta é a terceira vez que o Presidente da República se desloca à província do Bié, desde que assumiu os destinos do país, em 2017. A última visita de trabalho do Chefe de Estado a esta província aconteceu em Setembro do ano passado e serviu para inaugurar a maior unidade hospitalar da região, o Hospital Provincial do Bié “Walter Strangway”.

O governador provincial considerou que o regresso do Presidente João Lourenço ao Bié serve de conforto. “Estamos expectantes que a visita possa ocorrer e que produza os frutos que todos nós almejamos”, disse Pereira Alfredo, para quem o Titular do Poder Executivo vai encontrar “uma província em franco desenvolvimento”.

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