Deputado Ekuikui e Activistas pedem exoneração de Eugénio Laborinho

Polícia mortífera em tempo da Covid-19, já causou mais de 27 mortos por não uso das máscaras, sociedade condena " Estou nesta Marcha dos médicos em homenagem ao Dr. Sílvio Dala porque sou Angolano, o Ministro do interior tinha já de se demitir, só isso que estamos a pedir" disse o Deputado Nelito Ekuikui da UNITA, que por sinal é o secretario provincial do Partido em Luanda, onde a Polícia já matou mais de 12 pessoas pelo não uso das máscaras, segundo consultas dos comunicados do ministério do Interior. A UNITA manifestou-se indignada com o silêncio do Presidente da República diante da morte do médico Sílvio Andrade Dala, ocorrida no inicio do mês de Setembro, em Luanda, em circunstâncias estranhas, depois de ter sido detido numa das esquadras do rocha Pinto.

Jonas

Repórter Angola

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“Laborinho, fora… Paulo de Almeida, fora… Silva Lutucuta, fora…” foram algumas das palavras de ordem proferidas por vários participantes, da marcha de sábado em Luanda.

Trajado de uma camisola preta ” indignado com luto dos médicos”,  Manuel Armando da Costa Ekuikui, deputado da Bancada Parlamentar da UNITA, que também viu o chefe da sua da escolta  assassinado a 5 de Outubro de 2019, em Luanda, quando saía de casa. pede a demissão do Ministro do Interior, por este não corresponder as expectativas, depois de denúncias da morte de quase 30 pessoas desde o início da pandemia da Covid-19.

“Estou nesta marcha porque sou angolano e estou indignado com às mortes constantes ” declarou deputado Nelito Ekuikui  ao Repórter Angola, durante a marcha dos médicos realizada sábado último.

O também secretário provincial da UNITA em Luanda é de opinião que os agentes não podem ser “sacrificados” sem que se responsabilize o ministro do Interior e o comandante-geral da PNA, em virtude de serem as figuras que determinam as orientações implementadas.

” O Sr. Presidente da República enquanto Comandante-em-Chefe tem que ter a responsabilidade de velar pela vida dos angolanos, ao punir o agente que pratica o tal acto vil, o tribunal deve também solidariamente punir quem os mandou distribuir rebuçados e chocolates as vítimas, neste caso concreto é ministro do Interior”, frisou o Deputado Nelito Ekuikui.

Políticos e organizações de defesa dos direitos humanos pediram  sábado 13, de Setembro, a exoneração dos responsáveis da corporação policial, inclusive do ministro do Interior, Eugénio Laborinho, por atribuírem autoria moral da morte dos cidadãos à Polícia Nacional (PN), com destaque para o acontecimento que envolveu o pediatra Sílvio Dala.

Rosa Conde, outra activista disse ao Repórter Angola que aderiu a marcha porque a Polícia não tem cumprido o seu papel de manter a ordem e a tranquilidade.

” Eu exijo a exoneração do Laborinho do cargo de Ministro do Interior” pediu, adiantando que “ele não é competente, num país que não está em guerra,estamos cansados de sermos morto pela Polícia, que se demite e vai embora, desde Março até aqui já morreram mais de 27 pessoas, um numero assustador, não é normal ” disse a antiga presa politico no regime de José Eduardo dos Santos, condenada no processo que envolvia 15+2 em 2015.

Domingos Jaime, Rapper de intervenção Social conhecido como “Jaime MC”, também aderiu a marcha dos médico em homenagem ao Pediatra Sílvio Dala.

para o Rapper o que o motivou a aderir a marcha foi ” a brutalidade da policia Nacional contra cidadãos indefesos”, para o activista social ” até ao momento nunca em Angola registamos uma morte de Covid-19, mas já temos varias mortes perpetradas pela Polícia nacional

“Exigimos que seja feita justiça e é isso que também procuramos, para que quem cometeu estes excessos sejam responsabilizados”, afirmou Miguel Sebastião.

O médico, acrescentou, deixou mulher e quatro filhos, que têm direito a receber uma indemnização.

A marcha que saiu do Largo da Mutamba e percorreu a baixa de Luanda até a Ordem dos Médicos, junto ao hospital Pediátrico David Bernardino numa distância aproximada de 1,5 quilómetros.

O ministro do Interior, Eugénio Laborinho, confirmou a instauração do inquérito e de um processo-crime que corre trâmites na Procuradoria Geral da República (PGR) para aferir o que terá ocorrido na esquadra, antes de o médico ter sido socorrido para o Hospital do Prenda.

Também a ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, defendeu, em nota de condolências, que deve ser instaurado um processo-crime com vista a esclarecer as circunstâncias reais em que ocorreu a morte do médico, para responsabilização dos eventuais prevaricadores.

O presidente da organização sindical, Adriano Manuel, refuta o resultado da causa da morte apresentada pela PN, que alegou “uma crise” numa das esquadras da corporação.

“A causa da morte que foi avançada pela polícia não é a real. Quem é médico e estudou medicina sabe que aquela não é a causa que matou o Sílvio. Digo isso porque somos médicos”, revelou Manuel durante a manifestação que no sábado, 12, pediu justiça no caso.

Adriano Manuel garante que, por isso, “vamos ter um encontro com os advogados para formalizar uma queixa-crime contra as autoridades policiais nos tribunais”.

O sindicalista ainda exigiu que a PN “assuma a responsabilidade e cuide dos filhos do Silvio”.

O médico, recorde-se, morreu numa esquadra policial em Luanda depois de ter sido detido por não usar máscara dentro do seu carro privado.

No sábado, centenas de pessoas manifestaram-se na capital angolana contra a violência policial e pediram a demissão do ministro do Interior, Eugénio Laborinho, da ministra da Saúde, Silva Lutucuta, e do comandante geral da PN, Paulo de Almeda.

Na semana passada, o comandante-geral da PN, Paulo Almeida, disse à rádio pública não ter sido morto nenhum médico nas celas da policia e considerou o falecimento de Sílvio Dala “uma morte patológica.

De realçar que, o jurista Pinheiro Chagas defendeu recentemente que o Ministro do Interior deveria formar os seus quadros, antes de o os mandar as ruas.

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