Bornito de Sousa bajula Agostinho Neto e o chama de “político, diplomata e humanista”

O Vice-Presidente da República, Bornito de Sousa, disse quinta-feira 17, em Luanda, que Agostinho Neto "deixou a sua marca enquanto estadista, político, diplomata, homem de cultura, médico e humanista, tendo dedicado o melhor empenho na gestão de um país recém-independente e ainda envolto em conflitos internos e agressão externa", esquecendo-se das atrocidades de 27 de Maio de 1977 que matou sob ordem do Neto, quase 60 mil Angolanos.

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Réporter Angola com JHH

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Ao discursar no acto central do Dia do Fundador da Nação e do Herói Nacional, Bornito de Sousa tornou-se num papagaio de repetição,  considerando que algumas frases supostamente ditas por Agostinho Neto são de dimensão nacional, africana e universal. Citou, como exemplo, a frase “de Cabinda ao Cunene, um só povo, uma só Nação”, que assinala a importância de unidade e harmonia entre todos os angolanos, independentemente do local de nascimento, etnia e estatuto político, social ou académico.

A célebre frase “o mais importante é resolver o problema do povo”, Bornito de Sousa considera-actual e exige o envolvimento e a participação das comunidades beneficiárias, “sendo disso excelentes exemplos os Orçamentos Participativos e o Voluntariado”, esqueceu Bornito que o povo não têm hoje água, o arroz subiu de preço e nos hospitais não tem médicamentos? que problemas do povo que o seu MPLA estará a resolver durante os 45 anos de independência ?.

Na mesma ocasião a Vice-presidente do MPLA, Luísa Damião, defendeu que as academias deviam continuar a estudar o pensamento político de Neto, pela sua dimensão política e cultural.

“Seria um grande contributo para a História de Angola se os académicos aprofundassem a dimensão política e cultural de Agostinho Neto, até porque é estudado em várias universidades do Mundo”, afirmou. “Penso que os académicos deviam empenhar-se, profundamente, para mostrarem às novas gerações o que foi Agostinho Neto, qual o contributo que deu a este país, para que fôssemos, hoje, livres e independentes”, considerou.

Para O deputado Manuel “Nelito” Ekuikui, da UNITA,  a libertação do país contou com a participação de líderes de outros movimentos, que, defendeu, também deveriam ser lembrados. “Agostinho Neto, Jonas Savimbi e Holden Roberto tiveram um papel preponderante para libertar Angola, no ponto de vista político e não do ponto de vista económico”, disse.

Bornito de Sousa lembrou ainda que, em 2022, assinala-se o centenário do nascimento do Presidente Agostinho Neto. Apesar de coincidir com o ano das próximas eleições gerais, disse, trata-se de um evento que está na agenda da Fundação Agostinho Neto e que deve merecer a devida atenção institucional, académia e da sociedade em geral.
O Vice-Presidente da República começou o discurso com a declamação de um poema de autoria de Agostinho Neto, intitulado “Confiança”, afirmando que se trata de uma poesia que projecta o sentimento de consanguinidade, de cultura e história comuns além dos oceanos, o infindável “Ka-lunga”, o grande rio cuja margem oposta “nossos olhos não alcançam” e que representa, hoje, a diáspora África e a sexta região da União Africana.

O governante falou, também, dos incidentes que se registam no país que envolveram efectivos da Polícia Nacional e alguns cidadãos. Segundo Bornito de Sousa, estes incidentes podem ser evitados e elogiou a postura das autoridades. “Registamos, positivamente, o gesto autocrítico de autoridades públicas perante um inusitado número de fatalidades ocorridas em circunstancias aparentemente evitáveis”, disse.

Defendeu que, “mais do que desculpas, é necessário que se identifiquem as causas das ocorrências, adoptarem medidas adequadas e treino específico para as corrigir, mediante uma pandemia com que deveremos ter de conviver por mais ou menos longos anos”.  Bornito de Sousa entende, ainda, que devem realizadas iniciativas que assegurem o respeito pelo cidadão, lei, autoridade pública, bens públicos e de terceiros, pois “democracia sem autoridade gera anarquia”.

Antes do acto central do 17 de Setembro, que ficou marcado por um momento cultural, foi içada a Bandeira-Monumento no Museu de História Militar. O foi acto orientado pela governadora de Luanda e testemunhado por membros do Executivo, representantes de partidos políticos e membros da sociedade civil.
Para a governadora de Luanda, o içar da bandeira representa uma homenagem ao fundador da Nação. Com o acto, disse, pretendeu-se transmitir às novas gerações que Agostinho Neto é um símbolo nacional que deve ser imortalizado.

 

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