Angola: Governador do Kuando Kubango contestado pelas autoridades tradicionais.

O Governador Provincial do Kuando Kubango, Júlio Marcelino Vieira Bessa, tem sido fortemente contestado pelos actos de sua administração na província supracitada. Tanto pela sociedade civil como pelos militantes do seu partido. Segundo documentos que Repórter Angola teve hoje acesso.

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Repórter Angola

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Governador Provincial do Kuando Kubango em contramão com as entidades tradicionais.

O Governador Provincial do Kuando Kubango, Júlio Marcelino Vieira Bessa, tem sido fortemente contestado pelos actos de sua administração na província supracitada. Tanto pela sociedade civil como pelos militantes do seu partido. Segundo documentos que  Repórter Angola teve hoje acesso.

Os mesmos revelam a existência uma forte crispação com os soberanos locais que acusam a ele e ao Director Provincial da Educação Miguel Kanhime de contribuir para a desvalorização da língua nativa “Ngangela” visto que esta é ensinada em poucas escolas da província, tudo porque Miguel Kanhime tem vetado o ingresso de professores para lecionar a língua Ngangela.

De igual modo as autoridades tradicionais  acusam igualmente o governador e o director da educação de privilegiar o ingresso de professores que não são naturais da província em detrimento dos filhos locais.

“Estes professores depois da admissão são transferidos para as províncias de proveniência deixando o Kuando Kubango, principalmente as zonas mais longínquas com carência de docentes”, adiantou uma fonte ao Repórter Angola. Contudo, o governador minimizou as acusações criando uma comissão de inquérito fantasma que nem sequer convocou os três Reis e Sobas para apurar convenientemente as graves acusações.

Num outro despacho assinado por Júlio Bessa Ref. No. 728/GAB.GOV./2020, que o Repórter Angola teve acesso, as Autoridades Tradicionais  são acusados de “serem mentirosos, pois a comissão de inquérito fez um relatório a desmentir as denúncias dos soberanos”. Insatisfeitos com o despacho acima referido, os mesmos elaboram um documento a contestar os resultados da comissão e dizem nunca terem sido comunicados sobre a existência desta comissão e nunca receberam nenhuma notificação da dita comissão. No mesmo documento os soberanos afirmam que cabe às autoridades tradicionais enquanto parceiras do Estado canalizar as preocupações da população às autoridades competentes (Aministracão/­Governo Provincial) Igualmente, os soberanos pedem esclarecimentos ao governador sobre a acção de há 4 horas ·

 

O Rei de Menongue refurta todas as acusações levantadas pelo Governo local, “nós não somos mentirosos, eu fui com reis do Kuxe, e fomos  explicar ao Sr. Governador, e disse que nós não estaríamos a ouvir de pessoas sem conhecimento da matéria, mas o que acontece é que a população, os encarregados de Educação pedem a inclusão desta língua nativa nas escolas ” disse.

Depois da polemica, o Rei foi agredido por desconhecidos “Eu fui agredido por três elementos, não temos ainda provas de que o Governador é que mandou, inventaram que o Rei bateu no nosso carro, e esse caso até agora ainda não foi concluído, eles estavam na cadeia e depois de alguns dias saíram, e estamos a perguntar como foram postos em liberdades se nem se quer fomos ouvidos” friso o rei Mwene Vunongue ao Repórter Angola.

O Activista Geraldo Mwêne Ndala convidado a comentar sobre espancamento de que foi vítima o Rei Mwêne VUNONGUE, disse  visto que “os autores do referido acto se faziam transportar por uma viatura da Direcção Provincial da Educação num dia não laboral. O documento de contestação assinado pela família real de Menongue é datado do mês de Agosto e continua sem reposta do governador até a data presente” adiantou.

O governador do Cuando Cubango, Júlio Bessa, rebateu no último fim-de-semana, na comuna do Missombo, a 16 quilómetros da cidade de Menongue, lamentações da juventude que circulam nas redes sociais segundo as quais o Executivo Central virou as costas à província, para justificarem o elevado grau de dificuldades que a população, sobretudo os jovens, vive actualmente.

Durante um encontro com estudantes do Instituto Médio Agrário do Missombo (IMA), do Instituto Nacional do Ambiente “31 de Janeiro” e da Escola da ADPP, Júlio Bessa garantiu que o Governo Central nunca virou as costas a ninguém e como prova disso é que sempre alocou verbas para a reparação ou construção de infra-estruturas na província do Cuando Cubango.
O governador, nomeado em Agosto deste de 2019, esclareceu que o que aconteceu é que os recursos financeiros atribuídos à província antes do seu consulado foram usados para benefícios pessoais. Segundo Júlio Bessa, os servidores públicos geriram mal o dinheiro posto à sua disposição, razão pela qual as sedes municipais e comunais ainda se confundem com aldeias, apesar dos sucessivos investimentos canalizados.
“Herdei um fardo bastante pesado”, admitiu o governador do Cuando Cubango, para quem, com a união de todos, é possível corrigir este mal. Júlio Bessa admitiu, entretanto, que não será uma tarefa fácil, tendo em atenção a crise económica que o país vive. “Mas, com ajuda de todos os jovens, das comunidades locais e do Governo Central, vamos procurar dar resposta àquelas situações que se apresentarem mais prementes à vida das populações”, disse.

“Portanto, é uma série de situações anormais que aconteceram no passado e deixaram o Cuando Cubango de rasto”, denunciou. O Governo Central, sublinhou, financiou projectos na província do Cuando Cubango no domínio das estradas, escolas, centros de saúde, esquadras policiais, palácios municipais, fornecimento de água potável, energia eléctrica, entre outros, que se tivessem sido concluídas teriam emprestado uma nova imagem a esta região e a circulação de pessoas e mercadorias seria mais fluída.

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