Miala intimida e faz chantagens por bocas de aluguer – Artur Queiroz

O General Miala, no mandato do Presidente José Eduardo dos Santos, fez tudo para juntar todos os serviços de inteligência numa só instituição, dirigida por ele. Queria ser o patrão dos serviços secretos internos, externos e militares.

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Opinião de:
Daniel Frederico

O general Fernando Garcia Miala, antes de ser julgado e condenado pelo Supremo Tribunal Militar, dominava os chamados “pasquins” e comandava toda a rede. A ligação mais escandalosa tinha a ver com o extinto Semanário Angolense e o seu director, Graça Campos, que em termos de propriedade da empresa era mero testa de ferro.

A condenação do general Fernando Garcia Miala enraiveceu os seus agentes mediáticos. Alguns ultrapassaram todas as marcas. O mesmo sucedeu com artistas, sobretudo cantores e músicos ligados aos projectos de promoção pessoal do general Miala.

Graça Campos, na época, deu uma entrevista à Rádio LAC, programa Café da Manhã, no qual se excedeu na defesa do general Miala. Fez gravíssimas acusações ao jornalista Luís Fernando que, obviamente, não vou reproduzir. Como deu a entrevista notoriamente embriagado, passou incólume.

Mais tarde, o jornal foi vendido. Graça Campos recebeu o dinheiro e assumiu o compromisso de não abrir outro ao lado, para defender o general Miala. O negócio teve duas vertentes: Comprar a empresa proprietária do Semanário Angolense e a consciência de Graça Campos. Após as eleições de 2017, o general Garcia Miala recuperou o escriba e é um dos seus mais activos agentes. Se alguém ousar desmentir o negócio, eu revelo quem foram os actores da transacção e os números astronómicos envolvidos.

Hoje, Graça Campos publicou um texto sobre a detenção do empresário e economista Carlos Manuel de São Vicente onde afirma: “Neste final de semana, os Serviços de Inteligência (do general Miala) souberam de diligências de Carlos São Vicente para sair do país, o que levou a um imediato reforço de medidas de segurança em torno da sua casa.” O general Miala assim falou, através da sua boca de aluguer.

O General Miala, no mandato do Presidente José Eduardo dos Santos, fez tudo para juntar todos os serviços de inteligência numa só instituição, dirigida por ele. Queria ser o patrão dos serviços secretos internos, externos e militares.

O plano chocou de frente com os generais das Forças Armadas Angolanas que se opuseram com firmeza. Miala é um general de aviário, ganhou as estrelas nos corredores, nas intrigas, aldrabices, favores e golpes palacianos.

Um instrumento da rede mediática Miala-Lungo dá hoje uma notícia inquietante que passo a reproduzir: “O general Fernando Garcia Miala, está pronto para lançar uma ampla reforma dos serviços de inteligência que o colocará efectivamente à frente de todo o aparato de segurança do país.”

E mais isto: “O Presidente João Lourenço pediu ao chefe do SINSE que revisse os procedimentos de recrutamento de funcionários públicos e o funcionamento das três agências de inteligência, nomeadamente o Serviço de Informação e Segurança do Estado (SINSE), o Serviço de Inteligência Externa (SIE) e Serviço de Inteligência e Segurança Militar (SISM). Esta centralização visa limitar o envolvimento em questões de inteligência do MPLA, o partido no poder que é virtualmente indistinguível do Estado.”

Miala teme a “segurança” do partido MPLA. Mas está à vontade com os membros da Brigada de Informação e Defesa (BRINDE), da UNITA, oficialmente dissolvida em 2002 com a morte de Jonas Savimbi, mas que continua a funcionar. O “Número Um” do Presidente João Lourenço “cooptou” os espiões do Galo Negro, com a ajuda de Raul Danda, recrutado quando nos anos 90 fugiu da Jamba e ingressou na Rádio Nacional de Angola.

Desde então. arranjou vários disfarces, inclusive o de alto funcionário da petrolífera ELF/TOTAL. Hoje anda disfarçado de primeiro-ministro sombra da UNITA. Recentemente, a FLEC/FAC reclamou do general Fernando Garcia Miala que estabeleça pontes de diálogo com o Executivo do Presidente João Lourenço. Danda, na verdade dirigente da organização independentista de Cabinda, é o facilitador dos contactos. Gente desta está a concretizar o compromisso eleitoral do MPLA “corrigir o que está mal e melhorar o que está bem”.

O combate à corrupção está transformado em acções criminosas de chantagem e extorsão, como ficou largamente demonstrado com a detenção do empresário e economista angolano, Carlos São Vicente, e o confisco de todos os seus bens.

Às 16h15 de ontem, estava o empresário a ser interrogado pelas autoridades competentes e já a rede Miala-Lungo anunciava que se encontrava preso na cadeia de Viana. Ordens do chefe, para intimidar não só Carlos São Vicente, mas todos os angolanos que tenham bens materiais. A corrida ao lugar de “Homem Mais Rico de Angola” está disputadíssima e só há vencedor quando milhares de milhões mudarem de mãos. Afinal, o dinheiro é sempre o mesmo, muda é de cofres e donos.

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