ONU considera “ilegal” assassínio de Soleimani

Uma especialista da ONU concluiu que o general iraniano Qasem Soleimani, morto num 'raide' norte-americano em Janeiro no Iraque, foi assassinado de forma “ilegal e arbitrária”, porque Washington não demonstrou que representava um perigo imediato.

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Num relatório enviado ontem a imprensa pela ONU, Agnès Callamard, relatora especial sobre execuções extrajudiciais, sumárias ou arbitrárias, concluiu que, “na ausência de uma ameaça iminente que colocasse em perigo a vida, a forma de agir dos Estados Unidos foi ilegal” e viola a Carta das Nações Unidas.

A especialista, mandatada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, mas que não se exprimiu em nome das Nações Unidas, deve apresentar, amanhã, o relatório perante esta instância da organização, da qual os EUA se retiraram em 2018.

O documento aborda de forma geral o uso de drones em assassínios dirigidos, mas cerca de metade do relatório diz respeito a Soleimani.

Arquitecto da estratégia iraniana no Médio Oriente, o poderoso general Soleimani, comandante do ramo dos Guardas da Revolução responsável pelas operações externas do Irão, foi morto em 3 de Janeiro num ataque de drones norte-americanos junto ao aeroporto internacional de Bagdad, juntamente com o seu adjunto, o iraquiano Abu Mahdi al-Muhandis, líder dos paramilitares pró-iranianos neste país.

“Tendo em consideração as provas até agora fornecidas pelos Estados Unidos, a selecção do general Soleimani e a morte dos que o acompanhavam constituem um assassínio arbitrário do qual os Estados Unidos são responsáveis em virtude do Direito Internacional Humanitário”, afirma Callamard no relatório.

Ao justificar a ordem para matar Soleimani, o Presidente norte-americano, Donald Trump, assegurou, após a sua morte, que o general, que qualificou de “terrorista número um no mundo”, preparava ataques “iminentes” contra diplomatas e militares norte-americanos.

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