Estados Unidos pedem a Cuba que restabeleça o acesso à Internet móvel

A União Europeia apelou às autoridades cubanas para libertarem "imediatamente" todas as pessoas, manifestantes e jornalistas, detidas nos protestos de domingo contra as autoridades de Havana, uma prática que qualificou como "inaceitável", Estados Unidos pedem o restabelecimento da Internet.

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Lusa

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Os Estados Unidos da América (EUA) apelaram esta terça-feira a Cuba para restabelecer o acesso à Internet móvel, cortada após protestos contra o regime cubano e a crise económica e sanitária, reafirmando os pedidos de libertação dos manifestantes detidos. “Pedimos aos líderes cubanos que mostrem moderação [e] respeitem a voz do povo, abrindo todos os meios de comunicação online e offline”, disse aos jornalistas o porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Ned Price.

Também hoje, a União Europeia (UE) apelou às autoridades cubanas para libertarem “imediatamente” todas as pessoas, manifestantes e jornalistas, detidas nos protestos de domingo contra as autoridades de Havana, uma prática que qualificou como “inaceitável”.

 

“Temos conhecimento de relatos não só da detenção de pessoas de opositores e ativistas, mas também de jornalistas. Isto é absolutamente inaceitável”, disse o porta-voz da Comissão Europeia para os Negócios Estrangeiros, Peter Stano, na conferência de imprensa diária do executivo comunitário.

 

O porta-voz disse que “o lugar destas pessoas não é na prisão, por isso apelamos às autoridades cubanas para que libertem imediatamente todos os detidos, todas as pessoas que foram detidas devido às suas convicções políticas ou ao seu trabalho jornalístico”.

 

Agastados com a crise económica, que agravou a escassez de alimentos e medicamentos e obrigou o governo a cortar a eletricidade durante várias horas por dia, milhares de cubanos saíram às ruas espontaneamente no domingo, em dezenas de cidades do país, aos gritos de “Temos fome”, “Liberdade” e “Abaixo a Ditadura”.

 

Trata-se de uma mobilização sem precedentes em Cuba onde as únicas reuniões autorizadas são geralmente as do Partido Comunista Cubano (PCC, partido único), tendo as forças de segurança procedido a dezenas de detenções e se envolvido em confrontos com manifestantes.

Até ao momento, as autoridades não divulgaram ainda um número oficial de detenções, mas existe uma lista provisória elaborada por ativistas locais que conta já com 65 nomes só em Havana. Entre os detidos há personalidades conhecidas como o artista Luis Manuel Otero Alcántara, o dissidente moderado Manuel Cuesta Morúa ou o dramaturgo Yunior García Aguilera.

 

O Presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, exortou no domingo os seus apoiantes a saírem às ruas prontos para o “combate”, em resposta às manifestações que aconteceram contra o Governo em vários pontos do país. “A ordem de combate está dada, os revolucionários às ruas”, afirmou o governante, citado pela agência de notícias Efe.

 

Hoje, numa comunicação televisiva, Díaz-Canel acusou os Estados Unidos de desestabilizarem o país e de procurarem criar condições para uma mudança de regime, salientando que os protestos tiveram como objetivo “fraturar a unidade do povo” e “desacreditar o Governo e a revolução”.

 

O serviço de Internet móvel foi cortado no domingo, a meio do dia, o que tem dificultado a circulação de informações sobre o impacto das manifestações populares. Nas horas anteriores ao corte dos serviços de comunicações por Internet móvel, tinham-se multiplicado nas redes sociais as denúncias sobre repressão e violência policial sobre os manifestantes deste fim de semana.

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