Crise Rússia/Ucrânia: Putin lança guerra de invasão contra Ucrânia

Presidente Russo, Putin lançou esta quinta-feira 24, um ataque em larga escala, que ressuscitou o início de uma a guerra na Europa - Forças de Moscovo avançam em três frentes - Putin manda dizer que é uma "operação limitada" - Mercados explodem com barril de crude acima dos 100 USD - Kremlin avisa mundo que pode usar arsenal nuclear

NJ

Com Agências /NJ/NM

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As forças russas que há meses estão concentradas nas proximidades das fronteiras com a Ucrânia avançaram esta madrugada para o território da Ucrânia em pelo menos três frentes, na região do Donbass, a partir da Bielorrússia e da Crimeia. De Moscovo, o Presidente russo mandou dizer ao mundo que se trata de uma operação controlada e não uma guerra aberta e a invasão total da Ucrânia. Ninguém está a acreditar. Nos mercados, a reacção foi imediata, o petróleo disparou para lá dos 100 USD e as bolsas estão a ruir como castelos de cartas. E há ainda uma ameaça de possível uso do arsenal nuclear contra quem se atrever interferir a partir de fora.

As primeiras horas da invasão que estava a ser anunciada exaustivamente pelos países ocidentais tiveram como foco bombardeamentos em várias cidades estratégicas da Ucrânia, desde logo Mariupol, no Mar de Azov, Odessa, no Mar Negro, e na zona norte, nas proximidades de Kiev, a capital do país, onde foram ouvidas, pela primeira vez em décadas, as sirenas de aviso de ataque aéreo, tendo-se seguido fortes explosões, sentidas pelos vários jornalistas das cadeias de televisão internacionais que estão na cidade.

 

O Governo de Kiev relatou ter abatido vários avões e helicópteros russos, e abatido dezenas de soldados das forças russas. Do lado de Moscovo não foram, no imediato, feitos balanços de qualquer tipo mas os combates relatados nas imediações do Donbass foram intensos e as baixas tendem a ser elevadas de ambos os lados.

 

A partir de Moscovo, o Presidente russo, Vladimir Putin mandou dizer ao mundo que se trata de uma operação limitada que visa alvos concretos na Ucrânia, nomeadamente bases aéreas e áreas militares como portos e bases navais.

 

O mundo está a reagir como se a palavra de Putin valesse zero, e é isso mesmo que parece corresponder à verdade, porque o senhor do Kremlin insiste há semanas que não pretende invadir o país vizinho, tendo, agora, lançado os seus tanques sobre uma vasta parcela do território ucraniano, desde logo, segundo os media internacionais com correspondentes no terreno, a partir da Bielorrússia, país onde estão a decorrer vastos exercícios miliares envolvendo formas de Moscovo e de Minsk.

 

O que se sabe, desde que esta invasão, em larga escala, segundo o Governo de Valodimmyr Zelensky, em Kiev, ou parcial e limitada a alvos militares, segundo a versão de Moscovo, é que foram ouvidas explosões em várias cidades ucranianas e que cidades como Kiev, Mariupol, onde está situado um dos principais portos marítimos do país, nas imediações da Crimeia, Odessa, outro importante porto estratégico, e várias urbes ao longo da área das reconhecidas pela Rússia, republicas de Donetsk e Lugansk, na área do Donbass, bem como no norte, nas imediações da fronteira com a Bielorrússia, Kramatorsk e Karkiv.

 

Segundo informações avançadas pelos media russos, os alvos desta “operação militar especial” estão concentrados nas áreas militarizadas, como bases aéreas, sistemas de defesa antiaéreos, bases da marinha e aquartelamentos importantes, tendo a Rússia feito saber que não há alvos civis no mapa deste ataque, que, no limite, ainda segundo a versão de Moscovo, tem como finalidade garantir a defesa das duas repúblicas do Donbass de ataques ucranianos que estariam a ser planeados a partir dos locais agora atacados pelas forças russas.

 

Já de KIev, que cortou de imediato as relações diplomáticas com Moscovo, a versão é totalmente diferente, com o Governo ucraniano a falar de uma invasão de larga escala que visa todo o país, tendo ordenado a convocação de todos os reservistas militares dos 18 aos 60 anos, decretado a Lei Marcial e ordenando a defesa centímetro a centímetro de todo o país.

 

Entretanto, nas estradas de saída das principais cidades ucranianas, como as televisões internacionais mostraram ao longo da manhã desta quinta-feira, 24, milhares de viaturas ocupavam as faixas que as conduziam para longe destas quase em sentido único, havendo várias dezenas de quilómetros de filas à saída de Kiev.

 

Muitas destas pessoas, que procuraram levantar o seu dinheiro nos bancos, esgotabdo rapidamente as caixas ATM, e os supermercados ficaram de prateleiras vazias de bens essenciais, como os elatados, procuravam chegar aos países vizinhos, desde logo a Polónia, o maior e mais fácil acesso para quem partia das principais cidades do norte e a Roménia, para quem procurava fugir a partir das localizadas mais a sul.

 

Reacção do mundo – Petróleo dispara, bolsas colapsam

 

O Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, depois de dizer que este é “o momento mais triste” deste que assumiu o cargo, lançando um apelo veemente a Putin para travar a guerra, deixando em cima da mesa a sua proposta para intermediar quaisquer conversações entre Moscovo e Ucrânia.

 

Na primeira reacção, logo pelas primeiras horas do dia de hoje, 24 de Fevereiro, depois de a invasão ter tido início durante a madrugada, a União Europeia, que considerou ser este o “momento mais negro da Europa deste a II Guerra MUndial, e o Reino Unido anunciaram o mais duro pacote de sanções alguma vez aplicadas a um país desde a segunda guerra mundial.

 

Também os Estados Unidos da América já fizeram saber que a resposta será de dimensão rara em termos económicos. Países como a Coreia do Sul, Japão. Austrália… também se juntaram a este role de medidas contra a Rússia.

 

A condenação desta acção militar está a ser generalizada e com os termos mais veementes em todas as chancelarias europeias, no Canadá, na Austrália, Japão, Coreia do Sul…

 

Entretanto, nos mercados, a reacção foi avassaladora, como se temia. O barril de Brent, vendido em Londres, passou largamente os 100 USD logo na abertura. E as bolsas mundiais estão a rir que nem castelos de cartas, especialmente em Nova Iorque, Londres e nos países da União Europeia.

 

Esta invasão russa, ou ataque a alvos militares específicos, tem como alicerce imediato as declarações polémicas de Vladimir Putin, que antes de reconhecer as repúblicas do Donbass, defendeu que a Ucrânia é parte histórica da grande Rússia, que se trata de uma “invenção” da União Soviética, acusando retroactivamente Vladimir Lenine de ter cometido um erro histórico com a sua criação, em 1922, apontando como facto que o país vizinho, que é o segundo maior em território da Europa, com 44 milhões de habitantes, não ter tradição consolidada como um Estado., o que se pode traduzir com a ideia de que o Presidente russo não reconhece o direito da Ucrânia à existência enquanto país soberano.

 

Sabe, no entanto, que esta sua acção militar especial na Ucrânia não terá como respoista uma acção directa da NATO porque a Aliânça Atlântica tem como regra essencial, de acordo com o seu artº 5º, sair em ajuda apenas no caso de alguns dos seus membros ser atacado, o que não é o caso da Ucrânia.

 

Isso mesmo foi já dito pelo Presidente dos EUA, Joe Biden, que garantiu apoio em diversas formas, desde o financeiro ao em material militar, mas sem o envio de militares para o terreno, tal como o têm reafirmado as potências europeias do bloco da União Europeia e o Reino Unido,

 

Putin ameaça com o seu arsenal nuclear

 

Já da parte russa, Vladimir Putin disse que esta operação “especial” visa derrubar uma Ucrânia “hostil à Rússia” porque o seu Governo em Kiev foi “tomado por forças nazis” sendo um dos objectivos destes ataques a “desmilitarização de denazificação da Ucrânia” repetindo a ideia de que a Rússia “não tem intenção de ocupar” o país.

 

E deixou um aviso segundo o The Guardian, que pode ter várias interpretações mas que uma delas é o recurso ao seu arsenal nuclear, o maior do mundo, em caso de outros países procurarem intervir neste contexto de acção russa na Ucrânia: “A todos aqueles que estejam a considerar interferir a partir de fora neste assunto, aviso que vão, caso o façam, sofrer consequências de tal dimensão que o mundo nunca viu na sua história”.

 

“E aviso desde já que todas as decisões já foram tomadas. Espero que me estjam a ouvir com toda a atenção!”, avisou o senhor do Kremlin.

 

Armamento convencional à disposição de um e outro lado

 

Importante para analisar este conflito, segundo os dados mais fiáveis existentes actualmente, embora seja de notar que a Ucrânia está a receber diariamente material militar dos países amigos, a Rússia, o 2º mais poderoso Exército do mundo, conta com mais capacidade bélica, desde logo no número de militares, perto de 900 mil contra 200 mil ucranianos.

 

Mas esse poderio, que não inclui o arsenal nuclear, supera o adversário igualmente no número de tanques, o equipamento mais importante numa invasão terrestre, de cerca de 2500 sob controlo de Kiev contra mais de 12.500 russos.

 

No ar, esse poder é igualmente desequilibrado, com Putin a comandar perto de 550 helicópteros de combate e Zelensky com apenas 34 à sua disposição, enquanto nos aviões de combate, a diferença é abissal, de 69 aparelhos do lado ucraniano para mais de 750 caças nas bases russas prontos a descolar

 

No mar, a diferença também se situa na ordem das centenas de embarcações dos mais diversos tipos.

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