Biden discursou esta quarta-feira no Congresso com muitos temas e poucos ouvintes na sala

Os analistas são consensuais a prever que o Presidente norte-americano saliente no seu discurso as virtudes do seu pacote de recuperação económica, no valor de quase dois biliões de euros.

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Lusa

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O Presidente dos EUA, Joe Biden, discursou  esta quarta-feira (madrugada de quinta-feira em Portugal) pela primeira vez numa sessão conjunta do Congresso, sem convidados, por causa da pandemia, mas com uma agenda recheada de temas.

O convite para o discurso — que foi lido na véspera de Biden completar 100 dias de mandato — partiu da líder da maioria democrata na Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, que desafiou o Presidente a “compartilhar a sua visão para enfrentar os desafios e oportunidades deste momento histórico”.

As restrições por causa da pandemia colocarão Biden a falar para uma sala com poucos ouvintes presenciais e os receios de segurança obrigam a um forte dispositivo policial à volta do Capitólio, o que tem servido para vários congressistas republicanos declinarem os raros convites que foram feitos para esta sessão.

O presidente do Supremo Tribunal, John Roberts, foi o único elemento do mais alto organismo judicial a ser convidado, e já disse que estará presente, mas não é provável que ouça Biden falar sobre a possibilidade de reforço do número de membros daquele tribunal — um tema que divide politicamente as bancadas dos dois partidos.

Os analistas são consensuais a prever que o Presidente norte-americano saliente no seu discurso as virtudes do seu pacote de recuperação económica, no valor de quase dois biliões de euros, mas Biden deve aproveitar ainda para fazer uma resenha da sua agenda política para os próximos meses.

Os últimos seis presidentes dos EUA escolheram discursar perante uma sessão conjunta do Congresso (Câmara de Representantes e Senado) no primeiro ano de mandato, replicando o que em anos seguintes constitui o discurso do Estado da Nação, olhando para esta ocasião como uma oportunidade para defender a sua estratégia junto dos dois partidos, mas também junto dos cidadãos.

Biden aproveitará ainda para fazer um balanço do programa de combate à pandemia de Covid-19, que já matou mais de 570 mil pessoas nos EUA, e recordar o ambicioso plano de vacinação, que permitiu aplicar mais de 200 milhões de doses durante os primeiros 100 dias de mandato.

Mas a questão financeira e os traços gerais da estratégia de recuperação económica do país devem ser o ponto central do discurso, com foco na necessidade de aposta nas infraestruturas e na correção de desigualdades fiscais, que Biden tem em agenda para as próximas semanas, depois de nos últimos dias ter proposto um substancial aumento de impostos para as famílias de maiores rendimentos.

A reforma do sistema policial — um tema com grande visibilidade por causa da morte do afro-americano George Floyd, em Minneapolis, em maio passado, asfixiado por um agente branco — deverá também constar da intervenção do Presidente, que poderá recordar os planos do Departamento de Justiça anunciados para investigar a atuação de alguns departamentos de polícia, tentando controlar problemas de excesso de violência por parte dos agentes.

O discurso terá início às 21h00 locais (02h00 da madrugada de quinta-feira em Lisboa) e terá transmissão direta em diversos canais televisivos norte-americanos.

O chefe da Casa Branca pretende duplicar o imposto sobre a fortuna nos Estados Unidos, passando de 20 para 40%, referindo que esse dinheiro será utilizado para criar um plano para as famílias mais pobres.

O Presidente democrata, que tem insistido sobre a importância de concorrer com a China, deve aproveitar a ocasião para afirmar que o plano de desenvolvimento das infra-estruturas, avaliado em 2 mil milhões de dólares, é vital para o futuro dos Estados Unidos.

Segundo responsáveis da administração de Joe Biden, o chefe de Estado deve ainda pedir aos parlamentares para adoptarem o projecto de lei que visa reduzir a violência policial no país.

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