Partido de PR francês Emmanuel Macron passa a chamar-se Renascença

O partido do Presidente francês, Emmanuel Macron, passou a chamar-se Renascença, indicou hoje o seu delegado-geral, Stanislas Guerini, apresentando-o como “um partido popular com vocação para ser aberto” aos cidadãos e representantes eleitos “de onde quer que venham”.

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Lusa

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“Iniciamos um movimento de refundação de A República em Marcha (nome do partido até agora), para podermos continuar a expandir esse movimento político criado pelo Presidente, Emmanuel Macron, há pouco mais de seis anos, num partido político que terá o nome de Renascença”, declarou Guerini.

 

O Renascença é um partido destinado a “ser fiel à vontade do Presidente”, que é “sempre fazer a escolha do Iluminismo contra o obscurantismo” e ser “fiel ao que fazemos na cena europeia”, sublinhou.

 

Guerini falava numa conferência de imprensa em Paris, na qual participaram o ex-primeiro-ministro Édouard Philippe (do partido Horizontes, direita), o presidente da Assembleia Nacional, Richard Ferrand (de A República em Marcha), e o antigo ministro François Bayrou (do partido MoDem, centro).

Os quatro anunciaram uma coligação batizada como “Juntos” para agrupar os partidos que compõem a maioria presidencial com vista às eleições legislativas que se realizam a 12 e 19 de junho em França.

Renascença era já o nome da lista apresentada pela maioria presidencial às eleições europeias de 2019, passando a designar o movimento político criado em abril de 2016 por Macron, Em Marcha, posteriormente rebatizado como A República em Marcha.

Em agosto desse ano, Macron demitiu-se do cargo de ministro da Economia do executivo do Presidente socialista François Hollande e, em novembro, apresentou-se pela primeira vez como candidato ao Eliseu, nas eleições de 2017, que ganhou contra a candidata da extrema-direita, Marine Le Pen.

De acordo com os seus estatutos, A República em Marcha era um movimento e não um partido político. Agora, à mudança de nome soma uma mudança de natureza, formalizando-se como partido.

Desde a reeleição de Emmanuel Macron, a questão das nomeações para as listas partidárias candidatas às legislativas está a causar turbulência dentro da maioria, com as diversas formações a competirem por incluir os seus membros, a começar pelas tropas de Édouard Philippe, cujas relações com Macron são tensas.

 

“Temos a ambição de dar ao Presidente e ao futuro Governo uma maioria estável, sólida, dinâmica, viva, para conseguir que o quinquénio que se inicia tenha êxito”, declarou Philippe.

 

Esta coligação, disse, por sua vez, o presidente da Assembleia Nacional, “zelará por que haja uma maioria parlamentar que permita que o apoio dado a Macron nas presidenciais do passado dia 24 de abril possa concretizar-se”.

Macron foi confortavelmente reeleito Presidente da República francesa a 24 de abril, com 58,55% dos votos, mas a sua batalha na segunda volta contra a candidata da extrema-direita Marine Le Pen (que obteve 41,45%) revelou um país largamente dividido.

Macron venceu por uma ampla margem em Paris, nos centros urbanos e no oeste e sudoeste de França, ao passo que Le Pen conquistou eleitores sobretudo no sul e nos centros industriais do norte do país.

A República em Marcha tem neste momento 270 dos 577 deputados e o MoDem tem 57. A sua coligação, que apresentará candidaturas únicas, pretende reunir todos os partidos aliados da atual maioria.

O lançamento desta coligação surge depois da apresentação da negociada pela esquerda radical de Jean-Luc Mélenchon, que convenceu já ecologistas e comunistas e alcançou um pré-acordo com os socialistas, que submeterão hoje à noite a votos esse pacto.

 

Uma sondagem do instituto Harris Interactive divulgada esta semana indicou que, nas legislativas dos próximos dias 12 e 19 de junho, o partido presidencial e os seus aliados poderão obter entre 338 e 378 assentos parlamentares, acima dos 289 necessários para ter a maioria absoluta.

 

O partido conservador Os Republicanos e os seus aliados conquistarão entre 35 e 65 deputados, em vez dos 101 que atualmente têm, e a União Nacional, de extrema-direita, alcançará entre 65 e 95, segundo esse estudo de opinião.

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