Europa reage a escalada de novos casos com restrições parciais

Aceleração no ritmo de contagio é evidente um pouco por toda a Europa. Governos evitam confinamento total, mas adoptam medidas focadas em regiões e sectores específicos para tentar travar número de novos casos.

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Novas restrições nas maiores cidades em França, um milhão de testes e confinamento parcial para 13% da população em Espanha e novos limites aos ajuntamentos no Reino Unido. Um pouco por toda a Europa assiste-se a um ressurgimento no número de casos de covid-19, com a Organização Mundial da Saúde (OMS) a alertar para “taxas alarmantes de transmissão” no continente, e os governos, embora reticentes em provocar novas paragens na actividade económica, estão a ver-se forçados a retomar algumas das medidas restritivas que tinham anteriormente sido retiradas.

A tendência de ressurgimento de casos é especialmente forte em Espanha e França. Em Espanha, de acordo com os dados publicados este sábado, registaram-se 14.389 novos casos na sexta-feira, contribuindo para que a média dos últimos sete dias superasse a barreira dos 10 mil novos casos diários, um valor mais alto do que os cerca de 8000 que se atingiram no pico registado em Março, no início da pandemia.

O cenário é generalizado por todo o território espanhol, mas é particularmente preocupante em Madrid, onde o número acumulado de casos é já de 682 por cada 100 mil habitantes. Um valor bem acima da média nacional de 267. Entre as regiões espanholas mais afectadas, seguem-se Navarra, com 558 casos acumulados por cada 100 mil habitantes, e La Rioja, com 420.

Em França, o número de novos casos registados na sexta-feira superou os 13 mil. Também aqui, como em Espanha, o ritmo diário de novas infecções está a superar o registado no início da pandemia. Nos últimos sete dias, a média diária foi de 8800 novos casos, mais do que o pico de 8400 registado em meados de Abril.

Espanha e França, com 215 e 129 novos casos diários por cada milhão de habitantes, ultrapassam neste momento os 117 novos casos por cada milhão de habitantes que se registam, por exemplo, nos EUA. Em Portugal, este indicador tem andado próximo de 80 nos últimos dias.

Noutros países, embora de forma menos intensa, o aumento de casos é também muito evidente. Na Alemanha houve 2197 novos casos na sexta-feira, um ritmo a que não se assistia desde Abril. E, no Reino Unido, o número de novos casos voltou a superar os 6000. Outros países, do centro da Europa, que na primeira fase da pandemia conseguiram evitar um grande número de casos, registam agora uma aceleração significativa. Eslováquia e República Checa são exemplos deste fenómeno.

Perante estes resultados, a OMS, que durante algum tempo tinha centrado as suas atenções noutros pontos do globo, subiu o tom dos alertas em relação à Europa. “Temos uma situação muito séria a desenrolar-se perante nós”, afirmou o director da OMS para a Europa, Hans Kluge, assinalando que “mais de metade dos países europeus registaram durante as duas últimas semanas subidas nos números de casos superiores a 10%”, sendo que “em sete desses países o número de novos casos mais do que duplicou durante o mesmo período”.

Outra responsável da OMS, Maria Van Kerkhove, manifestou a sua preocupação relativamente à capacidade de resposta dos sistemas de saúde europeus. “Ainda nem chegámos ao ponto alto da gripe, portanto preocupa-nos que os números crescentes de hospitalizações e de utilização dos cuidados intensivos possam sobrecarregar um sistema que já está muito pressionado.”

Confinamento parcial

Neste cenário, são vários os governos europeus a anunciarem medidas para tentar conter a aceleração da pandemia. Fazem-no, para já, de uma forma parcial, visando regiões ou sectores de actividade onde o ritmo de contágio é particularmente elevado.

O regresso a um confinamento total, ao estilo do adoptado no início da crise, não foi anunciado em nenhum país europeu. Apenas ocorreu num país próximo, Israel, onde as autoridades optaram na sexta-feira pela entrada num segundo confinamento nacional, fechando restaurantes, hotéis ou ginásios, nas vésperas do início do período mais alto de férias no país.

Na Europa, depois de verem as economias a registarem quedas recorde durante o segundo trimestre do ano e ainda a tentarem fortalecer a retoma tímida verificada nos meses seguintes, os governos, entre os quais se inclui o português, tentam evitar tomar medidas que conduzam a uma nova paragem total da actividade.

Ainda assim, é já evidente o regresso de restrições fortes em várias zonas da Europa, adoptadas desta vez de forma mais cirúrgica e parcial.

Em Espanha, o executivo e autoridades regionais optaram por, na comunidade de Madrid, avançar para limitações à mobilidade em 37 áreas, aquelas onde a incidência de casos é mais elevada. São cerca de 850 mil pessoas que ficam impedidas de saírem da sua área de residência, excepto em casos de absoluta necessidade, como ir trabalhar, ir ao médico ou ir à escola.

Ao mesmo tempo, as autoridades espanholas irão avançar para uma massificação dos testes para identificar melhor os focos de contágio. Serão testadas cerca de um milhão de pessoas no espaço de uma semana.

Em França, onde o ministro das Finanças, Bruno Le Maire, anunciou que contraiu também a doença, foram impostas restrições em Marselha e Bordéus durante a semana, limitando, por exemplo, as visitas aos lares de terceira idade, a realização de festas em praias ou os eventos públicos, mesmo aqueles que se realizam ao ar livre. Antecipa-se a adopção de novas medidas do mesmo tipo noutras grandes cidades francesas.

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