Chefe da diplomacia da UE apela a cessar-fogo no Iémen dizendo não haver solução militar

O Alto Representante para a Política Externa da União Europeia defendeu domingo 03, a necessidade de um cessar-fogo no Iémen e de se retomar as negociações para a paz, alertando não existir "nenhuma solução militar" para o conflito.

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Lusa

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Em conferência de imprensa em Riade, após um encontro com o ministro dos Negócios Estrangeiros da Arábia Saudita, Faisal bin Farhan bin Abdullah, Josep Borrell adiantou que a União Europeia (UE) “exercerá pressão política e diplomática” sobre os rebeldes xiitas hutis no Iémen para que estes “percebam que [a guerra] não é o caminho para uma solução” do conflito naquele país.

O alto representante europeu referiu que a UE aprecia “os esforços para acabar com a guerra” da Arábia Saudita, um país que intervém militarmente no conflito no Iémen desde 2015, em apoio ao seu presidente internacionalmente reconhecido, Abed Rabu Mansur Hadi, à frente de uma coligação de países árabes contra os hutis.

“A guerra no Iémen não tem solução militar e deve terminar por via de negociações”, que “devem começar após um cessar-fogo, e parte do cessar-fogo implica que os hutis terminem os ataques com mísseis contra a Arábia Saudita, situação que condenamos veementemente”, declarou Borrell.

Por seu lado, o ministro saudita revelou que conseguir um cessar-fogo no Iémen “é uma prioridade” para a Arábia Saudita e que “a única forma de o conseguir é os hutis acabarem também com a ofensiva contra Marib (cidade no norte do Iémen) e contra alvos “no seu país”.

Os rebeldes hutis, apoiados pelo Irão, controlam a maior parte do território do Iémen e lançam ataques contínuos e sistemáticos de drones e mísseis contra instalações civis e militares na Arábia Saudita.

O Irão foi outro dos assuntos a que Borrell e Bin Farhan aludiram, sublinhando que as negociações que Riade mantém com o Irão em Bagdade (Iraque) sobre as relações bilaterais “ainda estão em fase exploratória”.

O chefe da diplomacia europeia convidou, mais uma vez, Teerão para regressar “em breve” à mesa das negociações sobre o programa nuclear iraniano.

“O Irão precisa de tempo, mas os outros participantes do acordo (nuclear) estão muito preocupados com esse atraso. Assim, aproveitamos a oportunidade para pedir aos iranianos que retomem as negociações o mais rápido possível”, concluiu Borrell.

Borrell e Bin Farhan anunciaram ainda que tencionam alargar a cooperação entre a UE e Riade, tendo o ministro saudita lembrado que a UE é o segundo maior parceiro comercial do seu país.

O chefe da diplomacia europeia chegou à Arábia Saudita vindo dos Emirados Árabes Unidos como parte de sua primeira passagem pelo Golfo Pérsico, que também o levou ao Qatar.

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