Reações ao “Estado da Nação”: deputados críticam discurso do PR João Lourenço

Deputada da UNITA critica discurso sobre Estado da Nação sem abordar lei eleitoral, enquanto Líder parlamentar da CASA-CE considera fastidioso, para o Deputado do MPLA diz que discurso mostrou que "Governo trabalou" apesar da pandemia.

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Lusa

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A deputada da UNITA (maior partido da oposição angolana) Arlete Chimbinda disse hoje que a discurso sobre o Estado da Nação proferido pelo Presidente da República, João Lourenço, ficou aquém das expectativas, criticando a exclusão da lei eleitoral.

“Uma das questões é relativa à lei eleitoral, que o Presidente devolveu à Assembleia. Como foi proposta dele tinha a oportunidade de nos clarificar sobre aquilo que ele pretende, para termos certeza de que se projeta uma eleição, livre, justa e transparente. O Presidente evitou este aspeto”, comentou Arlete Chimbinda na Assembleia Nacional, no final da cerimónia de abertura do novo ano legislativo, onde João Lourenço fez o balanço sobre o Estado da Nação.

 

A deputada da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) lamentou ainda o facto de o chefe de Estado angolano não ter focado a questão da comunicação social, que tem sido acusada de falta de isenção, ou seja, “não dá as mesmas oportunidades a todos os atores políticos”.

 

“O senhor Presidente podia ter clarificado aqui para nós termos certeza de que a comunicação social tem este aval de desempenhar esse papel de forma isenta, o Presidente não tocou neste assunto”, disse.

 

Outro assunto destacado pela deputada, que na sua opinião merecia algum parecer, análise ou mesma a perspetiva de João Lourenço, tem a ver com o poder judicial.

 

“Também nós apontamos o dedo à forma como o poder judiciário atua no nosso país e o senhor Presidente da República simplesmente ignorou esse aspeto. Portanto, de tudo o que foi dito eu acho que esses três pontos mereciam uma atenção do mais alto dignitário da República, para que as pessoas saibam o que ele pensa sobre isso e para podermos fazer a separação das águas. Infelizmente, ele ignorou esses aspetos [e ficou] aquém das expetativas”, frisou.

Por seu turno O líder da bancada parlamentar da CASA-CE, segunda maior força da oposição angolana, considerou hoje o discurso sobre o estado da nação do Presidente da República, João Lourenço, “muito fastidioso, que não se adequa à forma de governação moderna”.

Alexandre Sebastião André reagiu, em declarações à agência Lusa, ao balanço feito pelo Presidente angolano sobre o estado da nação, na cerimónia de abertura do novo ano legislativo.

 

Para o presidente do grupo parlamentar da Convergência Ampla de Salvação de Angola – Coligação Eleitoral (CASA-CE), o discurso não atendeu a toda a expectativa dos cidadãos, realçando que o país está a caminhar para as eleições gerais, havendo na agenda política as eleições autárquicas, para as quais é necessário encontrar-se o calendário.

 

“Porque tendo em consideração o processo da descentralização do poder político a realização das autarquias locais constitui uma das prioridades justamente para podermos fazer a aproximação da governação aos munícipes. Não tendo havido ainda a calendarização atiramos outra vez para um futuro incerto a aproximação desta governação”, disse.

 

Por outro lado, o deputado criticou a prioridade dada nesta altura à divisão administrativa, opinando que a criação de novos governos provinciais “é apenas um embaraço na realização dos grandes problemas da população”.

 

“Entendemos que não é com a criação de novos governos provinciais, isto é, de novas províncias, que a gente vai fazer jus aos grandes problemas da população. É sim a transferência de poderes para os municípios, aí sim, e mais abertura das vias de comunicação, que também tem sido um empecilho na mobilidade das pessoas”, afirmou.

Alexandre Sebastião André reiterou que a prioridade atual em Angola não é criação de novas províncias, mas sim a criação das autarquias locais, e a abertura das vias de comunicação para poder assegurar a mobilidade e a facilidade da deslocação para os diferentes municípios.

Para o Deputado do MPLA diz que discurso do Estado da Nação mostrou que “Governo trabalou”.

O MPLA, partido no poder em Angola, considerou hoje o discurso do Presidente da República, João Lourenço, sobre o Estado da Nação, “extremamente positivo”, realçando que, apesar da pandemia de covid-19, “o Governo trabalhou”.

 

O deputado Mário Pinto de Andrade, igualmente secretário para os Assuntos Políticos do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), disse, em declarações à imprensa, que o discurso esteve ligado à realidade social do país.

 

“Temos que entender que a pandemia veio prejudicar, não só Angola, até os grandes países do mundo ficaram prejudicados e o Presidente teve esta coragem de mostrar o balanço real da sua atividade e o seu pensamento, acho que isso é muito importante”, disse.

 

Segundo Mário Pinto de Andrade, o Presidente angolano fez o balanço do seu mandato de 2020-2021, salientando que a questão das próximas eleições gerais previstas para 2022, não focadas na sua intervenção, é um outro processo, que decorre normalmente.

 

“Os cidadãos angolanos estão a ir aos BUAP [Balcão Único de Atendimento ao Público] e a atualizar as suas residências, os outros estão a tirar o Bilhete de Identidade. Sabemos que há uma geração que vai votar agora pela primeira vez e estamos a incentivar é que se as pessoas querem ser cidadãos e querem ter a soberania, todo o mundo tem que se preparar para poder votar no próximo ano, com serenidade”, referiu.

 

De acordo com o deputado pelo círculo eleitoral de Luanda, há responsabilidade do executivo, do MPLA, enquanto partido maioritário, de todos os partidos com assento no parlamento e da sociedade civil.

 

“A primeira fase é levar as pessoas a terem os seus documentos atualizados a poderem votar no próximo ano, a segunda é incentivar todos os cidadãos a irem votar, para se evitar que haja abstenção, que não beneficia ninguém e temos que fazer todo um trabalho, mas no momento certo, não é agora”, salientou.

Mário Pinto de Andrade sublinhou que o chefe de Estado angolano tem sempre falado de “serenidade e bom senso de todos os atores políticos e sociais”.

 

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