Governador do BNA diz que não haverá mais dinheiro público para Banco Económico

O governador do banco central angolano disse que não haverá nenhuma injeção de capitais públicos no Banco Económico de Angola, que resulta do saneamento do BES Angola, e que a reestruturação estará pronta ainda este ano.

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Lusa

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“Queremos, até final deste ano, que as medidas mais impactantes sejam concluídas, esperamos ver isso acontecer até final do ano”, disse José de Lima Massano, governador do Banco Nacional de Angola (BNA), à margem de um seminário em Carcavelos, nos arredores de Lisboa.

 

“Não haverá esforço adicional de fundos públicos para que o banco possa continuar a sua operação, foi a opção que seguimos e por isso, com o que está desenhado, não esperamos que outras perdas relevantes venham a acontecer, o sentido desta operação é proteger os depositantes e, dentro do possível, os investidores”, disse.

 

O responsável, que falava à margem do seminário “Novo Ciclo da Economia Angola”, na Universidade Nova, em Carcavelos, organizado pela Câmara de Comércio e Indústria Portugal Angola, acrescentou: “Queremos implementar as medidas mais impactantes até final do ano, e depois teremos um período em que o banco vai continuar a fazer as suas correções, já numa lógica mais estratégica, mas do ponto de vista de equilíbrio das suas contas e adequação dos capitais, [o processo de reestruturação] tem de ficar pronto até final do ano”.

 

Uma das medidas acordadas foi a “conversão de depósitos em capital, assim como a conversão de parte da dívida subordinada também em capital”, explicou o governador, admitindo que tem havido alguns atrasos decorrentes da complexidade do processo e da intervenção de múltiplos agentes.

 

“Tivemos um atraso provocado pelos temas da ‘covid’ em 2020, mas felizmente o processo foi retomado, as decisões do BNA foram tomadas e estão em fase de implementação, aguardamos que a Comissão do Mercado de Capitais emita as autorizações para os instrumentos complementares, para todo o programa de reestruturação, o que deverá acontecer a qualquer momento”, avançou Lima Massano.

 

O ritmo da reestruturação do banco, admitiu, “é o possível, mas há uma coordenação de várias entidades, a Comissão do Mercado de Capitais, o Tesouro, o BNA, e nem sempre essa articulação permite a celeridade” que se gostaria, “mas o processo está em curso e a próxima assembleia de sócios será determinante para o programa de reestruturação do banco”.

 

O Banco Económico foi criado na sequência da falência do Banco Espírito Santo Angola (BESA), em 2014.

 

Na resolução do português BES, em agosto de 2014 foi criado o Novo Banco para onde forem transferidos os depósitos, os trabalhadores do BES e os ativos considerados menos problemáticos (um tema que desde então tem sido alvo de muito debate face aos prejuízos elevados do Novo Banco e recurso de dinheiros públicos). Já no BES (então designado ‘BES mau’) ficaram os ativos considerados ‘tóxicos’ (caso de participações como BESA, BES Miami, Aman Bank – Líbia), assim como os acionistas.

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