Burla: Ricardo D’ Abreu luta para desviar 600 milhões USD num Projecto da baía de Moçâmedes no Namibe

Depois de um município fantasma o da " Baía dos tigres" cujo o seu administrador austenta os mesmos direitos aos dos que trabalham, Namibe volta a desperdiçar mais dinheiro, desta vez em rever a baía de Moçâmedes, um projecto do papel que poderá custar mais de 600 milhões aos cofres públicos. Na verdade Ricardo de Abreu já tencionava desviar este mesmo montante desde Junho de 2019, quando insistiu a compra de novos aeronaves da TAAG.

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Repórter Angola/ JA

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O Projecto de Desenvolvimento Integrado da Baía de Moçâmedes (Namibe) vai, nos próximos tempo, mobilizar homens e máquinas para transformar e torná-la num “ex-libris” da região sul de Angola e por sinal, um dos maiores empreendimentos a ser construído na província do Namibe, considerou o ministro dos Transportes. Tudo não se passa no papel e na visão daqueles que um dia anunciaram transformar Benguela em Califórnia, Novo Aeroporto de Luanda a ser concluído até 2020 ou dos mesmos que prometeram satélite da Angosat1.

Neste contexto que a malária tomou conta dos hospitais sem fármacos e sem cama pelo menos para acomodar os doentes, o lixo tomou conta das ruas da capital angolana, depois do metro de superfície, nos vem ainda mais prometer uma maravilha ou seja um milagre daqueles de que o caminho de ferro pode passar por cima da agulha.

Ricardo D´Abreu realçou que a visita ao Namibe, visou por outro lado celebrar, uma vez mais, a parceria viável entre japoneses e angolanos e por último, reconhecer o esforço de homens e mulheres abnegados para proporcionar benefícios às comunidades residentes, ou trabalhadoras, na região sul de Angola.

 

O consórcio TTC / TOA empregará durante o período de 35 meses cerca de 500 angolanos, 80 japoneses e filipinos. Empresas subcontratadas, fornecedores e logística envolve mais de mil de trabalhadores angolanos, num orçamento de aproximadamente 600 milhões de dólares norte-americanos.

 

Quanto à formação e desenvolvimento de competências, este projecto inclui um período de formação de 3 meses para cada porto (na fase final de construção). A implementação pelo Empreiteiro do Programa de Treinamento e Desenvolvimento de Competências para equipamentos portuários importantes, tais como gruas de contentor, navio de operação e radar, permitirá criar capacidade e experiência do pessoal portuário.

 

Ricardo de Abreu recordou, que por esta infra-estrutura, já se atingiram níveis de exploração na ordem das seis milhões de toneladas por ano, sendo por isso “plausível pensar que estamos, sim num momento de virar de página com impacto estrutural na economia da província, na vida dos seus habitantes e do país”.

 

  • Novo terminal, ” mais um buraco para deitar o dinheiro que os hospitais tanto precisam”

 

O ministro dos Transportes anunciou ainda a construção, na Baía, do novo terminal de contentores do Porto do Namibe , uma infra-estrutura, que disse ser moderna e equipada, com os equipamentos apropriados para melhorar a eficiência da operação portuária e aumentar a competitividade deste Porto, em particular, que se encontra numa região estratégica importante.

 

Trata-se de aumentar capacidade do Porto e dotá-lo com condições que promovam o crescimento e o desenvolvimento do sul do país, quer no sentido das importações, quer no grande objectivo de promoção das explorações, aflorou, Ricardo de Abreu, para quem “mais do que relembrarmos a história, importa-nos começar a escrever os novos capítulos de uma economia próspera e atractiva ao investimento nacional e estrangeiro”.

 

“Os trabalhos aqui se desenvolverão, e indicam a certeza de que Angola é um espaço bom para acolhimento desses interesses”, disse o ministro, para acrescentar que o modelo de cooperação de financiamento definido, para o projecto de Desenvolvimento Integrado da Baía de Moçâmedes, “é prova disso”.

 

Parceira fundamental

Para o ministro, os parceiros neste projecto, particularmente a TTC- Toyota Tsusho Corporation, o Banco do Japão para a Cooperação de Desenvolvimento da África Austral, “foram fundamentais para que pudéssemos, hoje, estar aqui, neste momento de celebração, somente possível também, pelo empenho e esforço abnegado das equipas do Sector dos Transportes e do Ministério das Finanças “.

Ricardo de Abreu disse estar convicto de que esta operação vai gerar, os ganhos que o Executivo defende para as populações, a saber; maior desenvolvimento da região sul, redução dos custos de transportes e logística, aumentando a competitividade da economia nacional, formação e desenvolvimento de competências para a juventude, bem como o aumento de empregos directos e indirectos e dinamização de pequenas iniciativas empreendedoras adjacentes ao projecto.

Ricardo de Abreu já pensava nos 600 milhões USD desde 2019. Leia a história dos aeronaves da TAAG e da reabilitação do Aeroporto 4 de fevereiro.

Em reunião do Conselho de Ministros que antecedeu a visita do presidente João Lourenço a Cuba, em Julho passado, o ministro dos Transportes, Ricardo D’abreu, defendeu a aquisição imediata de seis novas aeronaves para a TAAG. De acordo com o proponente, a aquisição de tais aeronaves deveria ser custeada pelo Tesouro Nacional.

O  então ministro das Finanças, que tutelava o Tesouro Nacional, não se opôs à proposta do homólogo, mas condicionou-a à reestruturação prévia da TAAG, não fosse a operação resultar em mais um desperdício de dinheiro público.

Archer Mangueira argumentou que a aquisição de novas aeronaves só deveria ser autorizada após a TAAG empreender uma reestruturação interna séria. Ele defendeu que era necessário estabelecer um rácio razoável entre a quantidade de aeronaves e o número de trabalhadores da companhia. Nas circunstâncias actuais, estima-se que a cada avião correspondem mais de 200 trabalhadores, o que é  um óbvio exagero.

Inconformado, “Cacauzinho”, como Ricardo D’abreu também é conhecido, refez a estratégia e propôs que a operação fosse sustentada pelo Fundo Soberano de Angola.

Perante a insistência de Archer Mangueira, que também tutelava o FSDA, de que tal operação deveria ser precedida  da reestruturação da TAAG e que o dinheiro para financiar a  eventual compra de aviões deveria ser encontrado noutras partes que não no Fundo Soberano, Ricardo D’abreu tentou contornar as objeções do colega e sugeriu que o Fundo passasse para a tutela directa do Presidente da República.

João Lourenço percebeu a manobra e desmontou-a afirmando que o FSDA estava muito bem sob a tutela do ministro das Finanças.

Exasperado, Cacauzinho partiu para o insulto ao colega: “Senhor Presidente, continuar a manter o Fundo Soberano sob a dependência do Ministério das Finanças é o mesmo que confiar o galinheiro à guarda da raposa”.

Perante a estupefação dos restantes ministros e até do próprio Presidente da República, Ricardo D’abreu ainda balbuciou algumas palavras, mas em momento algum se retratou explicitamente.

Todos os ministros saíram da reunião convictos de que Ricardo D’abreu produziria, depois, algum memorando para sustentar a grave ofensa ao colega.

Por despacho de 9 de Abril de 2019 , o Presidente João Lourenço  enterrou as pretensões de Ricardo  D’abreu.

O ministro dos Transportes já tinha o seu homologo encravado na garganta” antes daquela reunião do Conselho de Ministros. Ricardo D’abreu pusera a circular entre os membros do Executivo um memorando defendendo a reabilitação do aeroporto internacional 4 de Fevereiro por um valor de 600 milhões de dólares. Mas tal memorando não era sustentado por nenhum estudo de viabilidade económica.

Consultado, mais uma vez o então ministro das Finanças condicionou a aprovação da proposta   um estudo sobre custos e benefícios de um tal empreendimento uma vez que já está em construção um novo aeroporto internacional, que já consumiu até agora acima de 3 mil milhões. A reabilitação do aeroporto 4 de Fevereiro pelos valores propostos empiricamente pelo ministro tem sido fortemente questionada por técnicos do próprio sector.

Depois de ter sido acusado gratuitamente, Archer Mangueira tomou a menos duras das retaliações: deixou de dirigir palavra ao colega ao ex-colega “kuribota”. Depois do lamentável episódio  quando se cruzavam nos corredores do palácio, onde decorrem as reuniões do CM, ou noutros fóruns, ambos se ignoravam.  O clima entre ambos é de cortar à faca.

Ricardo e Archer já foram muito chegados, devendo o primeiro ao segundo a sua passagem pelo BPC como presidente do seu Conselho de Administração. Antes, Ricardo foi conselheiro de Archer no Ministério das Finanças.

Cacauzinho tornou-se arrogante desde que o Presidente da República fez dele sucessivamente seu secretário dos Assuntos Económicos e pouco tempo depois ministro dos Transportes. “Ele não tem conseguido reprimir algumas manifestações de  pedantismo, próprias de quem está deslumbrado com o poder. Ele mudou muito”, resumiu  um amigo.

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