Derrota dos Palancas Negras justificada por mais tratos contra Jogadores no Aeroporto

FAF diz que A Confederação Africana de Futebol (CAF) está informada dos “maus-tratos” de que foi alvo a Selecção Nacional de Futebol de Honras, na chegada ao aeroporto de Franceville, antes do desafio frente ao Gabão, garantiu, esta terça-feira 12, António Muaxilela, director do Gabinete de Comunicação e Marketing da Federação Angolana da modalidade, FAF.

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JA

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A Delegação angolana foi submetida a tratamento desabonatório na chegada a Franceville

Falando na ressaca da “tortura física e psicológica” sofrida em terras gabonesas, que culminou com a terceira derrota, (2-0), averbada pelo combinado nacional na eliminatória de acesso ao ‘play-off’ de qualificação ao Mundial do Qatar´2022, o responsável pela comunicação da entidade reitora do futebol no país confirma que a CAF está em posse das imagens e vídeos de toda a situação vivida pela delegação de Angola na cidade de Franceville.

“A Confederação Africana tem toda a informação, porque acompanharam e sabem de tudo o que se passou no Gabão, através de vídeos e imagens. Portanto, qualquer decisão pode ser tomada”, afirmou, António Muaxilela, deixando transparecer, claramente, a probabilidade de a Federação gabonesa vir a ser punida.

Na deslocação ao Gabão, recorde-se, tendo em vista o desafio da quarta jornada do Grupo F das eliminatórias para o Mundial, os Palancas Negras foram mal recebidos pelos anfitriões, na cidade de Franceville, onde, para atravessarem a fronteira, tiveram de esperar seis horas no aeroporto, sem ar-condicionado e cadeiras para sentar.

Dada às várias horas de espera, alguns jogadores foram obrigados a sentar e dormir no chão do aeroporto, para tirar algumas horas de sono, em sinal de cansaço. Como se não bastasse, a delegação apenas jantou a uma hora da madrugada.

Seleccionador desolado

Pedro Gonçalves considera ser gravíssimo o que aconteceu à Selecção em território gabonês. O seleccionador dos Palancas Negras diz ser altura de a CAF e a FIFA “colocarem um ponto final” a determinadas situações verificadas no continente africano.

“Fomos manietados pelo árbitro, desde a primeira parte e a segunda foi uma evidência. Não sei que tipo de análise os observadores poderão fazer, mas a CAF e a FIFA, se querem que África tenha mais presenças em campeonatos do mundo, também têm de começar a pôr cobro a certas situações”, alertou.

O seleccionador nacional garantiu, ainda, que a situação enfrentada por Angola no aeroporto de Franceville e a consequente derrota “é um somatório de contrariedades”, que considerou ter “afectado a equipa” na preparação da dupla jornada frente ao Gabão.

Pese as contrariedades, Pedro Gonçalves admitiu ter sido uma jornada onde a selecção deu “uma boa resposta” no desafio em casa, tendo o triunfo (3-1) “provado crescimento”. O mesmo não diz do segundo embate, no terreno do adversário, em que lamentou o pouco tempo para recuperação dos jogadores.

“Com todas as peripécias que o Gabão nos impôs, ficámos claramente condicionados. Sabíamos que a segunda parte séria difícil, sobretudo a partir do momento em que a fadiga tomou conta de nós. Procurámos refrescar e, essencialmente, dar força para que a equipa tivesse sempre continuidade, mas fomos perdendo capacidade e clarividência, tudo por culpa das forças que foram faltando e claudicámos na parte final”, justificou.

Patrice Neveu lamenta incidente

Os maus-tratos submetidos pelos gaboneses à comitiva angolana mereceram um comentário do seleccionador do Gabão, Patrice Neveu. O treinador de nacionalidade francesa lamentou o incidente e admitiu haver sérios problemas de organização em África.

“Lamento bastante aquilo que aconteceu a Angola no aeroporto. Para que África chegue ao nível de organização da Europa é preciso muita estruturação, porque continuamos a fazer coisas que no futebol não se fazem. Acredito ser importante as federações organizarem-se melhor, porque é inconcebível jogadores africanos que evoluem nas grandes equipas europeias não se juntarem às suas selecções africanas”, disse.

A finalizar, Patrice Neveu fez elogios à selecção angolana, admitindo ter havido aproveitamento do Gabão diante de toda a sessão de tortura física e psicológica submetida a Angola: “reconhecemos que o cansaço também fez parte, mas estudámos a estratégia do opositor, fomos para cima e conseguimos ganhar. Não podemos retirar o mérito, porque vencemos uma grande equipa”.

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