Moçambique retoma julgamento de “Dívidas ocultas”, Réu diz que mentiu porque foi ameaçado de morte

Julgamento do caso das dívidas ocultas retomou em Moçambique com a audição de Zulficar Ali. O arguido quis voltar ao tribunal para contar uma outra versão dos factos. Com um atraso de quatro horas, devido a problemas técnicos, retomou esta terça-feira (17.01) o julgamento das dívidas ocultas.

DR

DW

DW

Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on print

Zulficar Ali quis ir novamente a tribunal para dar outra versão dos factos.

O arguido confessou que, na sua anterior declaração, a 24 de agosto de 2021, fora obrigado a prestar falsas declarações sob orientação do seu advogado, Imra Issa.

“Desde sempre, meritíssimo, quero falar a verdade. Por Deus, meritíssimo, sempre quis falar a verdade”, declarou Zulficar Ali.

Imra Issa, que também foi ouvido como declarante neste processo, e o réu António Carlos do Rosário teriam desenhado a defesa de Zulficar Ali sem este saber as reais intenções: “Eu não tenho nada a perder, mas eles tinham medo de perder se eu falasse a verdade. Então, obrigaram-me a fazer o que eu fiz”, afirmou Ali.

Ameaças de morte

António Carlos do Rosário, ex-diretor da Inteligência Económica do SISE, Zulficar Ali e outros 17 réus são acusados de envolvimento num esquema para delapidar o Estado moçambicano em 2,7 mil milhões de dólares.

 

Ali, que recebeu 33 mil dólares da Privinvest, empresa suspeita do pagamento de subornos, denunciou esta segunda-feira que, na primeira audição, foi obrigado a prestar falsas declarações porque sofreu ameaças de morte.

“Ameaçaram que iam fazer mal à minha família e ameaçaram que me iam raptar. Tive que fazer aquilo que eles queriam. Eu peço desculpas ao tribunal e ao meritíssimo [juiz] por ter omitido, mas não foi por minha livre vontade. Fui obrigado a mentir, fui mal aconselhado pelo meu advogado.”

Imra Issa recusa falar

O juiz da causa, Efigénio Baptista, interrogou ainda o declarante Osman Mahomed, que também confessou ter prestado falsas declarações na Procuradoria-Geral da República para proteger António Carlos do Rosário. Porém, nega ter sido ameaçado.

“Foi uma falha”, assinalou Mahomed.

O tribunal ouviu, por fim, o advogado e declarante Imra Issa, que voltou ao tribunal depois de a Ordem dos Advogados ter anulado a autorização de cessação de sigilo profissional que lhe concedera, alegando que ele teria extravasado os limites da mesma.

“A partir de hoje, não sou autorizado. A Ordem dos Advogados retirou-me a quebra da cessação de sigilo profissional de todos os meus ex-constituintes. Portanto, hoje não me irei pronunciar sobre quaisquer factos relacionados com os meus ex-constituintes.”

Para terça-feira (18.01) está prevista a audição de Alexandre Chivale, advogado de António Carlos do Rosário que passou a ser declarante neste processo.

PUB